terça-feira, 21 de novembro de 2017

Louis Pasteur


O pai de um dos alunos de Louis Pasteur na Universidade de Lille, Monsieur Bigo, era um produtor de álcool de beterraba e debatia-se com um problema: o processo de fermentação da beterraba, por vezes, não corria bem e o sumo não se transformava em álcool, azedando. Isto provocava uma grave quebra na produção de álcool.
Embora não possuísse muitos conhecimentos sobre fermentação, decidiu estudar amostras do líquido em boas condições e do líquido azedo. Após a observação da primeira amostra, verificou existirem minúsculos glóbulos amarelados que ele suspeitou serem leveduras. Á medida que as leveduras se multiplicavam, alimentavam-se do sumo de beterraba, produzindo álcool e dióxido de carbono. Na amostra de líquido azedo verificou não existirem leveduras, apenas minúsculos bastonetes negros que se agitavam numa espécie de dança. Compreendeu, então, todo o processo: os bastonetes dominavam as leveduras, impedindo-as de produzir álcool – em vez disso, produziam ácido láctico.
Pasteur não compreendia ainda todo o processo, mas tinha acabado de dar o primeiro passo para a resolução de um mistério com mais de dez mil anos: as leveduras eram a causa da fermentação!

Os primeiros Anos...


Louis Pasteur nasceu a 27 de Dezembro de 1822 em Dole, França, na Rue des Tanneurs – a rua dos curtidores. Cada casa era uma fábrica de curtidores, e a casa de Pasteur não era excepção. Quando tinha pouco mais de três anos, a sua família mudou-se para a cidade de Arbois, onde montou uma fábrica de curtumes. Durante a sua infância, não mostrou qualquer especial interesse pela Ciência; os seus talentos pareciam concentrar-se especialmente no Desenho e na Pintura. Gostava particularmente de brincar com as 3 irmãs e pescar horas a fio...

Mas Pasteur tinha a grande ambição de ir para Paris, estudar na École Normale Supérieure e tornar-se professor. Esta experiência durou apenas 6 semanas, pois os laços que o ligavam à família eram demasiado fortes. Porém, alguns anos mais tarde, determinado a atingir o seu objectivo, regressou a Paris. Desta vez, Pasteur formou-se em Química e Física, em finais de 1843.

Estudo dos cristais

O que realmente encantou Pasteur foram os cristais; na sua época, sabia-se muito sobre o aspecto dos cristais, mas pouco sobre a sua constituição. Pasteur verificou que os cristais provocavam deflexões a feixes luminosos. Iniciou, então, um estudo meticuloso sobre dois compostos que actuam na formação de cristais: o ácido tartárico e os tartaratos. Chegou à conclusão que a estrutura e constituição de um cristal podiam ser conhecidas observando a acção do cristal sobre o feixe luminoso.

Em finais de 1848 aceitou o cargo de Professor de Química na Universidade de Estrasburgo. Aqui, conheceu Marie Laurent, filha do reitor da Universidade, por quem se apaixonou e pediu em casamento 15 dias depois de a conhecer. Esta aceitou a total absorção do seu marido pelo seu trabalho e dedicou a sua vida a apoiá-lo. Ela não era apenas uma simples dona de casa; também discutia o trabalho dele e estimulava o seu pensamento, o que a fez um dos seus melhores colaboradores científicos. Durante a estadia em Estrasburgo, nasceram 3 dos seus 5 filhos.

O interesse pelo estudo dos microrganismos

Em Setembro de 1854, Pasteur aceitou o cargo de Professor de Química na Universidade de Lille; apesar de ser muito jovem, levava o ensino a séio e por isso foi um êxito entre os alunos. Foi aqui que conheceu o Monsieur Bigo e que iniciaram as suas investigações sobre as leveduras. Mas, após a observação dos bastonetes negros no líquido azedo, surgiu outro problema a Pasteur: a observação dos mesmos tornava-se muito difícil, quando misturados na polpa de beterraba. Assim, desenvolveu um meio de cultura onde estes pudessem crescer e ser visualizados nitidamente. Em 1857, num relatório apresentado à Academia das Ciências de Paris, explicava como a fermentação era um processo vivo. Esse relatório provocou muita excitação na comunidade científica, destruindo outras teorias de cientistas de renome.

O trabalho de Pasteur sobre a fermentação continuou. Demonstrou que as leveduras causam a fermentação em muitas substâncias. Desenvolveu igualmente uma forma de evitar que o vinho, o vinagre e a cerveja se estragassem, destruindo pelo calor os micróbios nocivos – a Pasteurização.

A teoria dos germes

Nos finais de 1857, Pasteur foi convidado para Administrador e Director dos Estudos Científicos da École Normale Supérieure. Aqui, idealizou uma experiência para provar a teoria de que não existia geração espontânea entre os microrganismos. Encheu 2 grupos de balões de vidro com um caldo de levedura e selou as bocas dos mesmos. Num dos grupos, abriu as pontas dos balões, deixou entrar ar, e selou-os novamente. Colocou ambos os grupos de balões numa estufa. Os resultados foram bem esclarecedores. Nos frascos que manteve sempre selados, nada aparecera. Nos restantes, apareceram leveduras e outros fungos. Para demonstrar melhor a sua teoria, criou um balão, ajudado pelo Professor Balard, com um gargalo em forma de 'S' alongado, para baixo. O ar poderia passar, mas as poeiras seriam impelidas para baixo pela força da gravidade, não conseguindo atravessar as curvas. Ou seja, o ar entrava nos balões, mas a poeira e os micróbios ficavam presos no comprido gargalo curvo, mantendo os balões puros. Ainda hoje, mais de um século depois, os balões mantêm-se puros.

Continuando as investigações, provou que a quantidade de poeiras no ar varia com o local. Como exemplo, demonstrou existirem mais poeiras numa rua de Paris do que no cume de uma montanha!

Após a publicação deste trabalho, Joseph Lister, professor de cirurgia em Edimburgo, utilizou as ideias de Pasteur para controlar as infecções nos hospitais. A taxa de mortalidade pós-operatória era muito elevada e depois de implementadas regras de higiene e de desinfecção do material esta taxa baixou consideravelmente.

Infortúnio

No dia 19 de Outubro de 1868, quando Louis Pasteur acordou, não conseguia falar, nem sequer mexer-se, todo o seu lado esquerdo estava paralisado... Conseguiu recuperar a fala numa semana, mas o braço e a perna esquerda continuavam ainda paralisados; no entanto, tal não o impediu de continuar o seu trabalho! Contudo, não foi mais capaz de manejar sozinho os instrumentos científicos, obrigando-o a apoiar-se nos seus colaboradores.

A Imunologia e a Vacinação

Pasteur afirmara inúmeras vezes que algumas doenças eram provocadas por micróbios – Robert Koch provou-o, através do estudo do carbúnculo. Pasteur imaginou a doença como uma forma de luta pela existência, uma competição entre os micróbios e os tecidos que aqueles tentam atacar, desenvolvendo-se uma doença, o que levava o corpo a criar defesas. Foram, assim, dados os primeiros passos para o nascimento de uma nova Ciência – a Imunologia.

Em 1878, Pasteur começou a estudar o micróbio que causava a cólera nos galináceos. Fez uma cultura de micróbios e após a sua inoculação, verificou que os frangos morriam pouco tempo depois. Mas uma inoculação com uma cultura mais antiga provocou uma ligeira doença no frango, que depressa recuperou. Entusiasmado, Pasteur inoculou mais frangos com a cultura antiga e nenhum adoeceu. Concluiu, então, que os micróbios enfraquecidos da própria doença originavam o desenvolvimento de defesas nos frangos, a ponto de poderem combater a doença – chamou a este processo Vacinação.

Em 1885, Pasteur dedicou-se a criar uma vacina contra a raiva. Era uma doença terrível: a vitima ou morria de asfixia ou ficava paralítica. Conseguiu criar a vacina, testou-a em cães e teve resultados espantosos; mas não teve coragem de a testar em humanos mordidos por cães raivosos.

Nesse mesmo ano, Joseph Meister, de nove anos, apareceu no laboratório de Pasteur, por ter sido mordido, dois dias antes, por um cão raivoso. A vacina ainda não estava pronta para ser testada em humanos, mas perante a gravidade do caso, decidiu correr o risco. Os resultados foram óptimos – Joseph nunca desenvolveu raiva.


Os últimos anos...

Pasteur trabalhou até quase aos setenta anos. Aos 64, um outro ataque de paralisia impediu-o de continuar o trabalho experimental, mas nada o impedia de colaborar em investigações. Em Novembro de 1888, o Instituto Pasteur foi oficialmente inaugurado. Morreu em 28 de Setembro de 1895, aos 72 anos, rodeado pela família, colegas e estudantes.

Glória Almeida

domingo, 19 de novembro de 2017

Leonardo da Vinci


Um génio fora de tempo

Quando era bem novo, ofereceram-me um livro da série "Pateta faz história", interpretando Leonardo da Vinci. A partir de então fiquei fascinado com o intelecto e criatividade dele. É difícil imaginar que um só homem tenha a capacidade de abraçar tantos e variados campos temáticos da Ciência e Arte: engenheiro, pintor, biólogo, escultor, astrónomo, filósofo e muitos mais! Pelas palavras do seu biógrafo, Giorgio Vasari, "o seu talento era tão raro que ele dominava qualquer tema ao qual dirigisse a sua atenção"!
Infelizmente, este grande génio "sofria" de um problema comum àqueles que se difundem por demasiados campos: muitas vezes deixava os trabalhos e estudos incompletos, era extremamente desorganizado e... com falta de tempo para amores - que se saiba!! Além disso, tinha o terrível hábito de escrever da direita para a esquerda (!!!), o que tornava os seus escritos praticamente ilegíveis. (No Museu de Ciência de Boston na escolha Exploring Leonardo podes, inclusivé, escrever desta maneira!) Esses "escritos" são os famosos códices - ainda te deves lembrar de Bill Gates ter comprado um, o Códice de Leicester (lê-se: "léstar") (versão CD-Rom) - simples "blocos de notas" que Leonardo utilizava para apontar, desordenadamente, todas as suas observações, expressões e excelentes deduções. Eis um exemplo retirado desse Códice, acerca de uma besta gigante:


Um pouco da história da sua vida...
Leonardo da Vinci nasceu a 15 de Abril de 1452, na cidade de Vinci, perto de Florença; filho ilegítimo de Ser Piero, notário, e Caterina, uma jovem aldeã. (Em Vinci existe um museu virtual sobre Leonardo e a sua cidade - cuidado com a lentidão da página!) Aos 15 anos, foi estudar com Andrea del Verrochio, um pintor de renome renascentista. A partir deste momento, Leonardo adquire uma variedade de conhecimentos que o influenciaram ao longo da sua vida. Após alguns anos de aprendizagem, Leonardo passou a viajar bastante, estando longos períodos ao serviço de mecenas, para os quais criava grandes obras de Arte e Engenharia. Desta maneira, teve a oportunidade de desenvolver os seus conhecimentos artísticos e científicos, como por exemplo, a criação de novas tintas, e novas técnicas de pintura, ou o estudo de vários domínios da Engenharia.
Leonardo da Vinci faleceu a 2 de Maio de 1519, no castelo de Cloux, perto de Amboise, França, deixando a maior parte dos seus trabalhos ao seu último mecenas - Melzi. (Martin Kausal)
Obra Artística
Embora Leonardo da Vinci tenha produzido um pequeno número de pinturas, muitas das quais inacabadas, foi um artista extraordinariamente inovador. Desde cedo superou o seu próprio mestre del Verrochio, desenvolvendo uma composição mais harmoniosa que o primeiro. Já na obraBaptismo de Cristo de Verrochio (cerca de 1470), Leonardo pintou o anjo que se encontra à esquerda, no quadro. Aparentemente, Verrochio ficou tão aborrecido por ser ultrapassado artisticamente pelo seu pupilo, que decidiu nunca mais pintar!!
Mas de todas as obras de Leonardo, a mais famosa é, sem dúvida, Mona Lisa (1503). Esta obra é conhecida tanto pelo domínio de inovações técnicas como pelo misterioso e legendário sorriso. Este quadro é exemplo de duas novas técnicas - o esfumado e o claro-escuro - introduzidas por Leonardo. (O esfumado é caracterizado por uma transição subtil entre cores; o claro-escuro é a técnica de definir formas através de contrastes de luz e sombra - poderás encontrar uma análise mais profunda no WebMuseum, Paris) Leonardo gostou tanto do quadro, que o levava sempre consigo nas suas viagens! Em Why is Mona Lisa Smiling? tentam mostar que esta adoração ao quadro se justificava por ser um auto-retrato! Se te quiseres divertir um pouco, podes ver as variações sobre esta obra neste Show de Arte! Atenção: Os mais puristas irão ficar bem revoltados!!
Obra Científica
Claro que a face científica é o que eu mais admiro em Leonardo da Vinci! Como cientista, superou todos os seus contemporâneos. Ele percebeu, rapidamente, a importância da observação científica, precisa e cuidada, que passou a influenciar todos os seus trabalhos e estudos, inclusivé os artísticos. Infelizmente, como os seus códices não eram facilmente decifráveis, as suas descobertas não foram disseminadas durante a sua vida; se tal acontecesse, poderiam ter revolucionado a ciência do século XVI - ou, pelo contrário, poderiam ser reprimidas, como tantas outras antes dele!
Mas, Leonardo realmente antecipou muitas descobertas dos tempos modernos. Entre várias outras, estudou o movimento das águas e a criação dos fósseis... Foi um dos pioneiros na hidráulica e na aerodinâmica... Realizou um vasto número de inventos geniais, como fatos de mergulho, armas militares, etc. Para ver tudo isto, é obrigatório investigar o site de Maravilhas Mecânicas e admira-te com as imagens tipo 3D dos seus inventos.
Achas que ainda não conheces bem todos os seus desenhos e obras?! Então escolhe um destes sites: aqui tens alguns desenhos; mas, se preferires toneladas e toneladas, em todos os tamanhos...

sexta-feira, 17 de novembro de 2017

Issac Newton



Era um fim de tarde de 1606. O jovem Isaac Newton, com um livro debaixo do braço, penetrou no pomar da mãe, no coração da Inglaterra. Sentou-se sob uma árvore e a mais famosa maçã da história caiu. Certamente que lhe doeu, mas também fez com que o jovem cientista de vinte e três anos pensasse no assunto.
No mesmo dia, Isaac debatia-se com o problema do que mantinha a Lua na sua órbita à volta da Terra e os planetas nas suas rotas em volta do Sol. Foi depois de pensar sobre a causa da queda da maçã, que ele começou a encontrar a resposta para aquelas questões.

A Infância...

Newton nasceu pouco depois da meia-noite do dia de Natal de 1642. Foi um parto prematuro e o médico que assistiu não esperava que ele sobrevivesse. O seu pai, um agricultor bastante próspero, morreu três meses antes do nascimento de Isaac, deixando a mulher, Hannah, com a responsabilidade das propriedades e o cuidado da frágil criança.
Quando tinha 3 anos a mãe decidiu voltar a casar; o novo marido era um clérigo rico, Barnabas Smith. Após o casamento, ele aconselhou-a a deixar o filho a viver com a avó. Hannah e Barnabas mudaram-se para a aldeia onde ele era prior.
A infância de Isaac foi um período muito solitário, fez poucos amigos e era normalmente introvertido. Fechava-se frequentemente num quarto das traseiras da casa da avó e passava lá o dia construindo modelos e ferramentas.
Quando tinha 10 anos, o padrasto morreu e a sua mãe voltou para casa onde Newton vivia com a avó. Dois anos mais tarde, Isaac foi para o liceu, situado perto da casa do tio com quem ficou a viver. Foi considerado um aluno médio pelos professores e insociável pelos seus colegas. Ignorava o trabalho da escola e passava a maior parte do tempo a construir modelos e a fazer as suas próprias experiências.
Em 1659, Hannah decidiu retirar o filho do liceu e pô-lo a trabalhar na propriedade agrícola da família. Mas, felizmente, o seu génio já tinha sido reconhecido pelo tio com quem vivera e pelo director do liceu. Além disso, a sua capacidade de trabalho na lavoura não era das melhores, deixando frequentemente o trabalho inacabado. Assim, devido à persuasão destes dois homens, Newton foi admitido na Universidade de Cambridge em 1661.

Cambridge, Prismas e a Teoria da Luz...

luzA mãe de Isaac não tinha recursos para pagar todos os custos universitários; por isso ele entrou na universidade como um bolseiro especial; em vez de receber uma bolsa, pagava à Universidade com trabalho, limpando os quartos.
Numa tarde de Domingo de 1664, Isaac e John Wickins, o seu companheiro de quarto, decidiram visitar uma feira. Enquanto conversava com John, o seu olhar foi atraído por um objecto que brilhava ao sol de fim de tarde, um prisma.
Como os prismas eram considerados brinquedos, os cientistas nunca se tinham preocupado em fazer experiências com eles, contentando-se em maravilhar-se como o efeito de arco-íris, ao qual Newton denominou de espectro. Não satisfeito com a simples observação, traduziu-a para a linguagem matemática e apresentou hipóteses. Foi isto que o fez tão diferente dos cientistas da sua época.
Isaac descobriu que a luz visível, a luz que nos permite ver o mundo, era constituída por todas as tonalidades do arco-íris. Quando estas se encontram misturadas, vê-se luz branca. Quando falta uma parte do espectro, a luz já não aparece branca, mas de cor.
A publicação das descobertas de Newton causaram grande impacto no fabrico de lentes e permitiram transformar o microscópio num instrumento mais sofisticado. No entanto, o resultado mais importante do trabalho de Newton sobre a luz foi o aparecimento de uma nova ciência, a Espectroscopia.
Em Abril de 1664, depois de três anos de estudo, tornou-se num verdadeiro bolseiro, deixando de fazer os trabalhos a que era obrigado. Um ano mais tarde foi-lhe concedido o bacharelato. Isto significava que ele poderia passar mais quatro anos no Trinity College, continuando qualquer outro curso.

A Peste e a Maçã...

No verão de 1665 uma grande calamidade abateu-se sobre o país: a Grande Peste. Cambridge tornara-se, então, demasiado perigosa para ser habitada e a Universidade foi encerrada. Newton voltou para a sua terra natal, onde pretendia continuar os seus estudos. No fim do Verão deu-se a grande descoberta quando ocorreu o incidente da maçã, e Newton começou a trabalhar na sua Teoria da Gravidade Universal. Quando a maçã caiu sobre a sua cabeça, ele soube que esta tinha sido atraída para a Terra pela mesma força invisível que mantinha os planetas nas suas órbitas: a Força da Gravidade. Mas outra questão surgiu: se era esse o caso, por que é que os planetas não se despenhavam contra o Sol, tal como a maçã contra o solo?
Já de volta a Cambridge, tudo parecia fazer sentido, tinha de haver outra força, que produzia o efeito de repulsão sobre os planetas e que era equivalente à força atractiva do Sol: a Força Centrífuga. E ela só se manifestava quando um corpo rodava em volta de outro, a uma velocidade suficiente. Fora por isso que a maçã não flutuava sobre a sua cabeça, ela não estava a girar à volta da Terra como a Lua, não sofrendo, por isso, a força centrífuga, e fora atraída para o chão por causa da força da gravidade.

Professor Isaac Newton e a Royal Society...

Com 26 anos, Newton tornou-se o mais jovem Professor de Matemática da história de Cambridge, depois do seu grande amigo, o Professor Barrow decidir reformar-se e nomeá-lo como seu sucessor.
O lugar de professor exigia que ele fizesse conferências várias vezes por ano, mas Newton era um fraco orador. O número dos assistentes desceu gradualmente e, numa famosa ocasião, ele deu uma conferência para uma sala vazia.
No início de 1672, Newton foi convidado a tornar-se membro da distinta "Royal Society", um pequeno círculo constituído por cientistas de categoria superior. Logo após se ter associado, fez uma demonstração para todos os membros da sua Teoria da Luz. Foi nessa palestra que conheceu outro grande cientista, Robert Hooke. Este considerava-se o especialista na área da Luz e discordava da teoria de Newton. Pela primeira vez, Newton confrontava-se com um cientista que lhe era equiparado. Durante muitos anos, acérrimas discussões assolaram a Royal Society e toda a comunidade científica.
Devido às frequentes discussões, Newton decidiu abandonar a Física e a Matemática e dedicar-se à Alquimia. Os alquimistas não eram cientistas, pareciam-se mais com feiticeiros. Mas Newton estava convencido que podia dar uma contribuição valiosa a esta inexplorada área da ciência. Usou os seus métodos científicos na Alquimia mas, ao contrário do que acontecera com a Física e Matemática, não fez grandes descobertas nesta área.

Leis do Movimento e os Principia...

Os seus estudos em Alquimia foram interrompidos com a noticia de que sua mãe estava a morrer. Durante seis meses o seu tempo foi ocupado a tratar de assuntos referentes à propriedade da mãe. Levou meses a perceber o funcionamento do solar e da propriedade agrícola, e só no início de 1680 pôde entregar a propriedade a um gestor competente e voltar para Trinity.
As querelas entre Newton e Hooke voltaram, agora, sobre as Leis do Movimento que Newton se encontrava a desenvolver e que Hooke reclamara que as tinha pensado primeiro, faltando-lhe só o "fatigante" trabalho de cálculo. Mas só publicou os seus estudos após persuasão de um dos seus melhores amigos, o cientista Edmund Halley; que o convenceu a escrever um relato completo das suas maiores descobertas. Newton precisou de dois anos para acabar o seu livro, trabalhando dia e noite para o completar.
A 28 de Abril de 1686 o livro estava finalmente pronto, chamava-se Philosophiae Naturalis Principia Mathematica, mas é normalmente conhecido como Principia. Ninguém sabe realmente de que doença Newton sofreu entre 1693 e 1696. Alguns afirmaram que ele teve um esgotamento nervoso, outros simplesmente que ele estava fisicamente exausto. Esses anos foram considerados mais tarde pelo próprio como os piores da sua vida, em que pouco conseguiu no campo da Física e não fez nenhum progresso real na Alquimia. O apoio de todos os amigos fez com que gradualmente sai-se da depressão e da sua doença física.

A Casa da Moeda Real e a Presidência da Royal Society ... até ao fim.

moedaEm 1696, Newton foi convidado para assumir o importante cargo de Administrador da Casa da Moeda Real. Aceitou imediatamente a oferta e durante algum tempo abandonou por completo a pesquisa científica e lançou-se numa nova carreira. A Inglaterra estava a mudar a sua cunhagem e necessitava fortemente de ser actualizada e melhorada, e Newton revelou-se o homem ideal para conseguir que esta mudança se desse com suavidade.
Em 1703, os membros da Royal Society elegeram Newton como o seu novo líder. Quando assumiu a presidência, o número de membros era o mais baixo de sempre. Mas, Newton transformou-a na instituição respeitada e mundialmente famosa que é hoje.
Em 1704, foi persuadido a publicar o trabalho que começara quando ainda era graduado em Cambridge, chamou–lhe Opticks. Neste livro, descreveu as suas descobertas com a Luz e foi outro sucesso imediato.
No ano posterior à publicação de Opticks, Newton foi armado cavaleiro pela rainha Ana, em recompensa pelos trabalhos realizados.
Durante mais 33 anos manteve a ilustre posição que ocupava tanto na Ciência como no funcionalismo público. Não publicou mais nenhum trabalho de grande importância, mas, na verdade, já tinha oferecido ao mundo dois dos maiores trabalhos publicados até então.
Sir Isaac Newton faleceu a 20 de Março de 1727 com 84 anos, tendo estado doente durante vários meses. Foi enterrado na Abadia de Westminster, em Londres, a 4 de Abril.
"Na minha opinião, os maiores génios criativos foram Galileu e Newton, a quem vejo, em certo sentido, como uma unidade. E nesta unidade Newton é aquele que atingiu a mais imponente realização no reino da ciência."
Albert Einstein
"Não sei o que pareço ao mundo, mas, a mim, parece-me ter vivido apenas como um rapazinho brincando à beira do mar divertindo-se ... enquanto o grande oceano da verdade se estendia, por descobrir, na minha frente."
Isaac Newton
Glória Almeida

quarta-feira, 15 de novembro de 2017

Louis Pasteur

(1822 - 1895) Químico e biólogo francês nascido em Dôle, Jura, na parte leste do país, inventor do processo de pasteurização e célebre por suas pesquisas sobre doenças infecciosas, meios de contágio, prevenção e controle. Filho de um curtidor, estudou química em Sorbonne, onde se dedicou ao estudo da estrutura dos cristais e seus efeitos ópticos. Obteve o título de Mestre em Ciências École Normale Supérieure, Paris (1846) e onde tornou-se doutor em física e química (1847) lançando uma tese sobre cristalografia, onde associou a cristalografia, a química e a óptica e estabeleceu o paralelismo entre a forma exterior de um cristal, sua constituição molecular e sua ação sobre a luz polarizada, trabalho este que se tornaria a base da estereoquímica. Depois de conquistar uma cátedra de Química em Estrasburgo (1854), tornou-se professor dessa matéria (1854) na recém-fundada Faculdade de Ciência da Universidade de Lille. Explicou a isomeria dos ácidos tartáricos (1860) e, ao estudar o problema do azedamento com os produtos da indústria cervejeira e de vinhos de Lille, descobriu que o vinho se transforma em vinagre sob a ação do fermento Mycoderma aceti, descobrindo, assim, que a putrefação e a fermentação eram causadas por microorganismos já presentes no líquido, confirmando os resultados de Cagniard e de Schwann, e estendeu suas conclusões ao azedamento do leite, à doença do bicho da seda e a raiva dos animais.

Desenvolveu, então, experiências e conseguiu eliminar os microorganismos, sem alterar as propriedades dos produtos, submetendo o vinho a alta temperatura por um tempo limitado (de 15 a 30 minutos, dependendo da temperatura), inventando, assim, a pasteurização, nome do processo de esterilização de líquidos. Esse processo e os estudos de Pasteur sobre germes (1862) e doenças infecciosas proporcionaram grande avanço à microbiologia e à assepsia cirúrgica e industrial. Realizou uma série de experiências com os frascos tipo pescoço de cisne (1864) demonstrando que não existe no ar ou nos alimentos qualquer princípio ativo capaz de gerar vida espontaneamente, abrindo caminho para a biogênese, segundo a qual a vida se origina de outro ser vivo preexistente.

segunda-feira, 13 de novembro de 2017

Ivante August Arrhenius

(1859 - 1927)Físico, matemático e químico sueco, nascido no condado de Wijk, criador da teoria da dissociação eletrolítica. Filho de um administrador do local, perto de Uppsala. Realizou seus estudos iniciais e de graduação em Uppsala.

Foi para Estocolmo (1821) a fim de cursar o doutoramento, estudando com o professor Erik Edlund, que o orientou no estudo das descargas elétricas através dos gases (1891-1905). As anomalias observadas nas propriedades das soluções de eletrólitos, substâncias solúveis pela ação da eletricidade, levaram-no a estabelecer a teoria da dissociação eletrolítica, cujos fundamentos foram apresentados pela primeira vez à comunidade científica quando da defesa de sua tese de doutorado (1884), no Instituto de Física de Estocolmo, passando a se dedicar exclusivamente a sua pesquisa sobre eletrólitos (1886-1890). Definitivamente se tonou o criador da teoria da ionização dos eletrólitos (1887), ao aperfeiçoar o enunciado de sua teoria e receber o apoio de renomados cientistas de sua época como William Ostwald, Ludwig Boltzmann e Jacobus van't Hoff.

Sua conclusão foi a de que os eletrólitos em solução dissociavam-se em partículas carregadas eletricamente e que a soma das cargas positivas e negativas era igual, sendo a solução, portanto, eletricamente neutra. Essas partículas carregadas, denominadas ânions, quando negativas, e cátions, quando positivas, se formavam a partir das estruturas químicas das substâncias solubilizadas.

Também desenvolveu a equação físico-química que determina a dependência da velocidade da maioria das reações com a temperatura.

Foi nomeado reitor do Real Instituto de Tecnologia de Estocolmo (1896). Cunhou a expressão efeito estufa (1896), prevendo que a queima de combustíveis fósseis, como o petróleo, aumentaria a quantidade de dióxido de carbono na atmosfera e levaria ao aumento das temperaturas em todo o globo terrestre. Também formulou uma teoria sobre as caudas dos cometas com fundamento na pressão de radiação (1900). Apesar de seu prestígio no exterior, teve de enfrentar forte oposição na Suécia para ser nomeado (1901) membro da Academia Sueca de Ciências. Ganhou o Prêmio Nobel de Química (1903) por sua teoria da dissociação eletrolítica e foi diretor Instituto Físico-Químico da Fundação Nobel (1905-1927). Em Worlds in the Making, advogava a teoria de que a energia no mundo era auto-renovável.

sábado, 11 de novembro de 2017

Leonhard Euler


(1707 - 1783) Físico-matemático suíço nascido em Basiléia, o mais brilhante gênio da matemática pura e aplicada de todos os tempos. De uma família tradicionalmente dedicada à pesquisa científica, filho de um pastor luterano que tinha sido aluno de Jacques Bernoulli, este um matemático de renome à época, mas que preferiria que o filho seguisse a carreira teológica. Estudou matemática com Jean Bernoulli, tornando-se grande amigo dos seus dois filhos Nikolaus e Daniel. Além de matemática também estudou medicina, astronomia, física óptica, teologia e línguas estrangeiras com o pai e outros professores. Por indicação dos irmãos Bernoullis, a convite de Catarina I, que morreria pouco depois, assumiu a área de medicina e fisiologia na Academia de Ciências de São Petersburgo (1727). Antes de ir para a Rússia já havia recebido menção honrosa da Académie des Sciences de Paris (onde ganhou por 12 vezes o cobiçado prêmio bienal) por um ensaio sobre mastros de navio.

Com o retorno de Daniel à Suíça, tornou-se o principal professor de matemática da Academia, contribuindo intensamente com o conteúdo e credibilidade da revista matemática da Academia: Commentarii Academiae Scientiarum Imperialis Petropolitanae. Ainda na Rússia casou e teve alguns dos seus treze filhos e perdeu a vista direita (1733), ao que parece por excesso de trabalho ou por um problema neurológico.

Introduziu o conceito de derivadas parciais (1734), iniciou pesquisa sobre mecânica analítica e criou a moderna teoria das frações contínuas e o cálculo das variações. Publicou seu primeiro livro histórico, Mechanica (1736). A convite de Frederico II o Grande, foi para a Alemanha (1741), para fazer parte da Academia de Berlim, onde viveu os 25 anos seguintes, e onde continuou recebendo pensão de São Petersburgo e publicando naquela instituição. Publicou o Introductio in analysin infinitorum (1748), talvez seu mais importante livro.

Desgostoso com o pouco interesse da corte alemã por matemática e já sabendo que estava ficando cego por causa de catarata, voltou a Rússia (1766), a convite de Catarina II a Grande, onde além de ampliar sua atividade ao estudo da mecânica, óptica, acústica e astrofísica, estudou o movimento lunar, o fenômeno dos eclipses e as posições relativas dos astros, e publicou o livro Institutiones calcalis algebricorum (1771), sistematizando o estudo da álgebra. Neste ano (1771) cegou definitivamente, porém não parou de produzir, normalmente ditando para seus filhos, vivendo assim até que morreu repentinamente (1783), em São Petersburgo.

Publicou mais de 500 livros e artigos durante sua vida, mas muitas outras obras foram publicadas postumamente por quase meio século totalizando em torno de 900 publicações conhecidas, com uma produção matemática durante sua vida girando em torno da inigualável marca de 800 páginas por ano. Por meio de livros e monografias que apresentou à Academia, aperfeiçoou os conhecimentos da época sobre cálculo integral, desenvolveu a teoria das funções trigonométrica e logarítmica e simplificou as operações relacionadas à análise matemática. Sua contribuição para a geometria analítica e para a trigonometria é comparável à de Euclides para a geometria plana.

A tendência a expressar operações físicas e matemáticas em termos aritméticos incorporou-se desde então aos procedimentos das ciências exatas. Com muita facilidade para aprender idiomas, preferia escrever em latim, mas também escreveu em francês e alemão. Escrevia também em vários níveis, inclusive livros de texto para uso em escolas russas sendo o principal deles a Intruductio (1748). Também deve-se a ele a maioria das notações matemáticas (simbologia, terminologia e idéias) em uso nas universidades nos dias de hoje, com por exemplo, p , S , i, e e f(x), a base dos logaritmos naturais ou neperianos e (de Euler) a, b, e c para os lados de um triângulo e A, B e C para seus ângulos.

Na hidráulica desenvolveu estudos sobre pressões em escoamento de fluidos, introduziu o conceito de cavitação e princípios sobre máquinas centrífugas, formulou a equação básica de movimento do teorema de Daniel Bernoulli e foi o autor do conjunto de variáveis, as variáveis de Euler, que servem para definir em cada ponto de um escoamento, em cada instante, um vetor velocidade. Também é de sua autoria trabalhos sobre turbo-máquinas (1751-1754), básicos para a compreensão do funcionamento das máquinas de reação e que foram fundamentais no século XIX, para os estudos das Rodas Poncelet e sobre turbinas propriamente ditas.

quinta-feira, 9 de novembro de 2017

Linus Carl Pauling

(1901 - 1995) Engenheiro químico norte-americano, nascido em Portland, Oregon, um dos cientistas mais conhecidos pelo público no século XX. Estudou no Oregon State Agricultural College (agora Oregon State University), onde se graduou em engenharia química (1922) e obteve doutoramento no California Institute of Technology, Caltech (1925), em Pasadena. Após estágios em Munique, Copenhague, Zurique e Londres, voltou aos Estados Unidos para ser catedrático de química na Universidade da Califórnia (1927-1931). Notabilizando-se por ser dotado de uma imaginação altamente criativa, sua maior contribuição científica foi no campo das ligações químicas através da hábil aplicação da teoria quântica, desde que começou a publicar seus trabalhos (1928). Dirigiu os laboratórios de química de Gates e Crellin (1936-1958). Reuniu os resultados de suas pesquisas em um livro de grande repercussão no mundo científico: The Nature of the Chemical Bond (1939), adaptando a mecânica quântica ao estudo químico de átomos e moléculas, e publicou Uma teoria da estrutura e do processo de formação de anticorpos (1940).

Também se destacou em pesquisas sobre estruturas moleculares com publicações sobre proteínas, aminoácidos e polipeptídeos. Suas ousadas experiências levaram-no também a descobertas no campo da biologia molecular, como a identificação do defeito genético, nas moléculas de hemoglobina, que causa a anemia falciforme, e foi também um dos pioneiros no estudo da estrutura do ADN. Ganhou o Prêmio Nobel de Química (1954) e o Nobel da Paz (1962) pela sua militância pacifista, foi perseguido pelo macarthismo, seu empenho contra os testes nucleares e a publicação do livro No More War! (1958), sendo o único a ganhar duas vezes sozinho o Prêmio Nobel. Recebeu da URSS o Prêmio Lenin por sua militância pela paz (1970).

Fundou o Instituto Linus Pauling de Ciências e Medicina, em Palo Alto, Califórnia, no qual permaneceu trabalhando, mantendo-o com recursos provenientes dos prêmios que tinha recebido. Também ensinou na Universidade de Califórnia em Santa Barbara e associou-se ao departamento de química da Stanford University (1969), onde se notabilizou por defender a teoria de que altas doses de vitamina C poderiam prevenir ou curar resfriados comuns e outras doenças. Mais tarde, foi demonstrado por pesquisas in vivo que o organismo absorve no máximo 1g de vitamina C por dia, eliminando o excesso pela urina.

terça-feira, 7 de novembro de 2017

Karl Landsteiner


A ideia surgiu ao ler uma biografia de Karl Landsteiner; porque não escrever pequenas biografias sobre grandes génios? Porque não falar sobre aqueles, que por ainda ninguém ter descoberto a vida eterna, não se encontram já entre nós?...
Pois bem, é isso que eu proponho fazer, falar sobre grandes génios, dando uma visão global da sua vida cientifica e, na medida do possível, da sua vida pessoal.
Há um século atrás, em 1900, Karl Landsteiner descobriu os grupos sanguíneos humanos tornando assim possível efectuar com êxito transfusões sanguíneas - até à data apenas uma pequena percentagem das transfusões realizadas tinha sucesso, sendo mesmo proibida a sua prática.

Karl Landsteiner nasceu a 14 de Junho de 1868 em Viena. O seu pai, Leopold Landsteiner, era um proeminente jornalista e um dos fundadores do jornalismo moderno austríaco, que vem a falecer aos 57 anos de ataque cardíaco após uma crise financeira e profissional.

Após perder prematuramente o pai, Karl Lansteiner, com apenas 7 anos, viveu com a sua mãe em completa reclusão. A devoção que lhe dedicava era tão profunda, que manteve a máscara funerária da mãe no seu quarto durante toda a sua vida.

Estudos

Cursou medicina na Universidade de Viena onde se dedicou ao estudo da Anatomia, Botânica e Histologia. Ainda durante o curso ofereceu-se como voluntário e cumpriu o serviço milita,r tendo sido destacado para um hospital ambulante. Na Universidade fez pós-graduações em Química e Ciências Cirúrgicas, tendo oportunidade de trabalhar com Anton Weichselbaum (descobridor do meningococos) e com Fränkel (co-descobridor do pneumococos).

Apesar de ter nascido judeu, converteu-se ao catolicismo, como era hábito entre as famílias "intelectuais" de judeus na época. No entanto, a prática religiosa não significava muito para Karl Landsteiner; a conversão ao catolicismo afastou-o do seu ambiente natural, o que lhe permitiu entregar-se totalmente ao seu trabalho cientifico.

A Investigação

As suas primeiras publicações foram sobre os glicolaldeidos e sobre a relação entre o diazobenzol e o permanganato de potássio. Neste último estudo, Landsteiner apercebeu-se do valor potencial desta relação na compreensão da especificidade das relações antigénio-anticorpo. Apesar dos seus primeiros trabalhos serem sobre química, em 1897 tornou-se assistente do director do Instituto de Anatomia Patológica de Viena, executando um quinto das autópsias realizadas por esta instituição. Durante este período publicou diversos artigos, na sua maioria sobre serologia, mas também sobre bacteriologia, virologia e anatomia patológica.

No 13º artigo de Karl, escrito em 1900, descrevia a aglutinação em glóbulos vermelhos humanos, em nota de rodapé. Nesta nota, ele chamou à atenção para o comportamento fisiológico da reacção de aglutinação entre misturas de amostras de sangue humano, discutindo a possibilidade de ocorrência de variações individuais. Noutro artigo publicado posteriormente, Karl chega a uma regra que ainda hoje é aplicada, em que "os antigénios e os anticorpos correspondentes não coexistem fisiologicamente no sangue do mesmo indivíduo". Ironicamente, Karl não reconheceu a importância da sua descoberta, por isso publicou-a em rodapé, tendo escrito num dos artigos: "Espero que isto venha a ser útil para a humanidade"! Alguns dos seus pares e assistentes desenvolveram, nos anos seguintes, as suas ideias chegando à actual nomenclatura do sistema AB0.
Após a morte da mãe em 1902, Karl deu início a uma investigação profunda como Director de Patologia e Professor Assistente de Anatomia Patológica no Hospital Wilhelmina em Viena.

Já com 48 anos e alguns anos após a morte da mãe, casa com Helena Wlasto, que lhe deu um filho, Ernest Karl, que viria a ser um cirurgião largamente conhecido em Rhode Island, onde praticava medicina.

Após a I Guerra Mundial

No final da primeira Guerra Mundial, Viena estava devastada e a população com fome. Esta situação levou Karl a aceitar um lugar como técnico de dissecção de anatomia no R.K. Ziekenhuis, um hospital católico em Haia. Nesta instituição executava análises clínicas de rotina à urina e ao sangue, exames post-mortem e exames histológicos. Toda esta actividade tinha lugar numa única sala. As condições de vida na Holanda eram melhores do que na Áustria, mas Landsteiner sentia-se desapontado com a sua actividade profissional e as perspectivas científicas. Aceitou, por isso, o convite de trabalho do Instituto Rockfeller em Nova Iorque mudando-se para lá com a família. Esta decisão provavelmente salvou a sua vida e a do filho de morrerem numa câmara de gás nazi, alguns anos mais tarde.

Também o trabalho em Nova Iorque decepcionou Landsteiner, devido à gestão inflexível do Instituto e ao pequeno espaço que lhe foi cedido para trabalhar, até à data em que recebeu o Prémio Nobel. No Instituto dedicou-se à investigação nas áreas da Imunologia, Serologia, Genética e Imunoquímica.

Neste período, Landsteiner, em conjunto com Philip Levine descobriu os antigénios M, N e P. Esta descoberta foi relatada em 18 linhas - a brevidade desta comunicação rivalizava com a nota de rodapé na qual Landsteiner "descobriu" o grupo sanguíneo AB0!

Prémio Nobel

Em 1930 Landsteiner recebeu o Prémio Nobel, a notícia foi-lhe dada por 2 dos seus assistentes, mas ele ignorou-a. Quando, durante o mesmo dia, a rádio e os jornais anunciaram a notícia do prémio, Landsteiner continuou a não acreditar! E não mencionara o facto à mulher com receio que ela mais tarde viesse a ficar desapontada.

Existem 2 aspectos nunca explicados acerca do comportamento de Landsteiner durante as cerimónias de entrega do Prémio Nobel:

não se fez acompanhar da mulher nem do filho a Estocolmo
nas fotografias oficiais todos os laureados se encontravam de frente para a câmara, excepto Landsteiner que se sentou de perfil.
Para além da contribuição para a Medicina Transfusional, Landsteiner realizou outros estudos em diversas áreas, igualmente importantes.

Aos 71 anos (1939) aposentou-se do Instituto Rockfeller, mas continuou a trabalhar num pequeno laboratório com alguns dos seus assistentes. Os seus últimos anos de vida foram despendidos em estudos sobre tumores malignos, por surgirá sua mulher uma neoplasia na tiróide, da qual viria a morrer.

"Assim, através da pesquisa infatigável efectuada na tranquilidade do seu laboratório, Landsteiner tornou-se um dos maiores benfeitores da humanidade. Onde quer que no mundo de hoje se efectue uma transfusão, onde quer que uma mãe preocupada descubra que a vida do filho foi salva, Landsteiner estará ao seu lado a acompanhá-la, embora não o possamos ver." 
Prof. Herman Chiari

Glória Almeida

domingo, 5 de novembro de 2017

Karl Landsteiner



A ideia surgiu ao ler uma biografia de Karl Landsteiner; porque não escrever pequenas biografias sobre grandes génios? Porque não falar sobre aqueles, que por ainda ninguém ter descoberto a vida eterna, não se encontram já entre nós?...
Pois bem, é isso que eu proponho fazer, falar sobre grandes génios, dando uma visão global da sua vida cientifica e, na medida do possível, da sua vida pessoal.
Há um século atrás, em 1900, Karl Landsteiner descobriu os grupos sanguíneos humanos tornando assim possível efectuar com êxito transfusões sanguíneas - até à data apenas uma pequena percentagem das transfusões realizadas tinha sucesso, sendo mesmo proibida a sua prática.
Karl Landsteiner nasceu a 14 de Junho de 1868 em Viena. O seu pai, Leopold Landsteiner, era um proeminente jornalista e um dos fundadores do jornalismo moderno austríaco, que vem a falecer aos 57 anos de ataque cardíaco após uma crise financeira e profissional.
Após perder prematuramente o pai, Karl Lansteiner, com apenas 7 anos, viveu com a sua mãe em completa reclusão. A devoção que lhe dedicava era tão profunda, que manteve a máscara funerária da mãe no seu quarto durante toda a sua vida.

Estudos

Cursou medicina na Universidade de Viena onde se dedicou ao estudo da Anatomia, Botânica e Histologia. Ainda durante o curso ofereceu-se como voluntário e cumpriu o serviço milita,r tendo sido destacado para um hospital ambulante. Na Universidade fez pós-graduações em Química e Ciências Cirúrgicas, tendo oportunidade de trabalhar com Anton Weichselbaum (descobridor do meningococos) e com Fränkel (co-descobridor do pneumococos).
Apesar de ter nascido judeu, converteu-se ao catolicismo, como era hábito entre as famílias "intelectuais" de judeus na época. No entanto, a prática religiosa não significava muito para Karl Landsteiner; a conversão ao catolicismo afastou-o do seu ambiente natural, o que lhe permitiu entregar-se totalmente ao seu trabalho cientifico.

A Investigação

As suas primeiras publicações foram sobre os glicolaldeidos e sobre a relação entre o diazobenzol e o permanganato de potássio. Neste último estudo, Landsteiner apercebeu-se do valor potencial desta relação na compreensão da especificidade das relações antigénio-anticorpo. Apesar dos seus primeiros trabalhos serem sobre química, em 1897 tornou-se assistente do director do Instituto de Anatomia Patológica de Viena, executando um quinto das autópsias realizadas por esta instituição. Durante este período publicou diversos artigos, na sua maioria sobre serologia, mas também sobre bacteriologia, virologia e anatomia patológica.
No 13º artigo de Karl, escrito em 1900, descrevia a aglutinação em glóbulos vermelhos humanos, em nota de rodapé. Nesta nota, ele chamou à atenção para o comportamento fisiológico da reacção de aglutinação entre misturas de amostras de sangue humano, discutindo a possibilidade de ocorrência de variações individuais. Noutro artigo publicado posteriormente, Karl chega a uma regra que ainda hoje é aplicada, em que "os antigénios e os anticorpos correspondentes não coexistem fisiologicamente no sangue do mesmo indivíduo". Ironicamente, Karl não reconheceu a importância da sua descoberta, por isso publicou-a em rodapé, tendo escrito num dos artigos: "Espero que isto venha a ser útil para a humanidade"! Alguns dos seus pares e assistentes desenvolveram, nos anos seguintes, as suas ideias chegando à actual nomenclatura do sistema AB0.
Após a morte da mãe em 1902, Karl deu início a uma investigação profunda como Director de Patologia e Professor Assistente de Anatomia Patológica no Hospital Wilhelmina em Viena.
Já com 48 anos e alguns anos após a morte da mãe, casa com Helena Wlasto, que lhe deu um filho, Ernest Karl, que viria a ser um cirurgião largamente conhecido em Rhode Island, onde praticava medicina.

Após a I Guerra Mundial

No final da primeira Guerra Mundial, Viena estava devastada e a população com fome. Esta situação levou Karl a aceitar um lugar como técnico de dissecção de anatomia no R.K. Ziekenhuis, um hospital católico em Haia. Nesta instituição executava análises clínicas de rotina à urina e ao sangue, exames post-mortem e exames histológicos. Toda esta actividade tinha lugar numa única sala. As condições de vida na Holanda eram melhores do que na Áustria, mas Landsteiner sentia-se desapontado com a sua actividade profissional e as perspectivas científicas. Aceitou, por isso, o convite de trabalho do Instituto Rockfeller em Nova Iorque mudando-se para lá com a família. Esta decisão provavelmente salvou a sua vida e a do filho de morrerem numa câmara de gás nazi, alguns anos mais tarde.
Também o trabalho em Nova Iorque decepcionou Landsteiner, devido à gestão inflexível do Instituto e ao pequeno espaço que lhe foi cedido para trabalhar, até à data em que recebeu o Prémio Nobel. No Instituto dedicou-se à investigação nas áreas da Imunologia, Serologia, Genética e Imunoquímica.
Neste período, Landsteiner, em conjunto com Philip Levine descobriu os antigénios M, N e P. Esta descoberta foi relatada em 18 linhas - a brevidade desta comunicação rivalizava com a nota de rodapé na qual Landsteiner "descobriu" o grupo sanguíneo AB0!

Prémio Nobel

Em 1930 Landsteiner recebeu o Prémio Nobel, a notícia foi-lhe dada por 2 dos seus assistentes, mas ele ignorou-a. Quando, durante o mesmo dia, a rádio e os jornais anunciaram a notícia do prémio, Landsteiner continuou a não acreditar! E não mencionara o facto à mulher com receio que ela mais tarde viesse a ficar desapontada.
Existem 2 aspectos nunca explicados acerca do comportamento de Landsteiner durante as cerimónias de entrega do Prémio Nobel:
  1. não se fez acompanhar da mulher nem do filho a Estocolmo
  2. nas fotografias oficiais todos os laureados se encontravam de frente para a câmara, excepto Landsteiner que se sentou de perfil.
Para além da contribuição para a Medicina Transfusional, Landsteiner realizou outros estudos em diversas áreas, igualmente importantes.
Aos 71 anos (1939) aposentou-se do Instituto Rockfeller, mas continuou a trabalhar num pequeno laboratório com alguns dos seus assistentes. Os seus últimos anos de vida foram despendidos em estudos sobre tumores malignos, por surgirá sua mulher uma neoplasia na tiróide, da qual viria a morrer.
"Assim, através da pesquisa infatigável efectuada na tranquilidade do seu laboratório, Landsteiner tornou-se um dos maiores benfeitores da humanidade. Onde quer que no mundo de hoje se efectue uma transfusão, onde quer que uma mãe preocupada descubra que a vida do filho foi salva, Landsteiner estará ao seu lado a acompanhá-la, embora não o possamos ver."
Prof. Herman Chiari
Glória Almeida

sexta-feira, 3 de novembro de 2017

Karl Gauss



Matemático, astrónomo e físico alemão. Nasceu em Brunswick em 30/04/1777 e faleceu em 23/02/1855 na cidade de Göttingen. Aprendeu a ler e trabalhar com os números sem a ajuda de ninguém. Quando ainda criança, percebeu mentalmente um erro nas contas do pai, um empreiteiro.  A sua educação superior, bem como a secundária foi, assegurada pelo duque de Brunswick, que se impressionava com as habilidades matemáticas de Gauss. Um de seus teoremas foi a maior contribuição, na época, que a geometria euclidiana teve em 2200 anos.

Aos 12 anos criticava os fundamentos da geometria da época. Aos 13 já projetava uma geometria não-euclidiana. Aos 16 criou um método utilizado até hoje para determinar os elementos da órbita de um planeta com medidas tomadas da Terra.
Aos 18 determinou o método dos quadrados mínimos.

Aos 22 determinou as funções elípticas.

Formou-se em 1798 na Universidade de Göttingen.

As suas maiores contribuições foram na Física e principalmente na Matemática.

Formulou a teoria dos erros e também desenvolveu um método geral para as resoluções de equações binomiais.

Estudou óptica, a electricidade e sobretudo o magnetismo, sobre o qual publicou Teoria geral do magnetismo terrestre (1839).

Muitas de suas obras só foram publicadas postumamente.



Principais obras:
Disquisitiones arithmeticae (1798; Discussões aritméticas): Nesta obra, Gauss estuda as congruências, as formas quadráticas, as convergências das séries etc.

Theoria motus corporum coelestium (1809; Teoria do movimento dos corpos celestes).

Teoria geral do magnetismo terrestre (1839).
Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...