sexta-feira, 28 de abril de 2017

Johan Heinrich Lambert


(1728 - 1777) Filósofo, astrónomo, matemático e físico alemão nascido em Mulhouse, Alsácia, introdutor da trigonometria esférica (1770), revolucionadora da cartografia.


Autor de muitos temas matemáticos e não-matemáticos, que estudou com Euler na Academia de Berlim. Escreveu Die theorie der Parallellinien (1766), publicado postumamente (1786), onde apareceu o hoje conhecido como quadrilátero de Lambert. Lambert: unidade de medida de luminância, igual a 104/p candelas por metro quadrado.

sexta-feira, 21 de abril de 2017

Joseph Louis Lagrange

(1736 - 1813) Matemático, físico e astrónomo franco-italiano, nascido em Turim, cujas descobertas tiveram importância decisiva para o desenvolvimento da ciência, com suas contribuições para a teoria dos números e a mecânica celeste. Filho do tesoureiro real da Sardenha e único dos onze irmãos a chegar a idade adulta. Iniciou sua carreira como professor de matemática da Academia de Ciências de Turim (1758 -1761), da qual foi um dos seus fundadores. Posteriormente, nas recém-fundadas École Normale e a Polytechnique de Paris, e após as pesquisas sobre a órbita da Lua e os satélites de Júpiter, tornou-se mundialmente reconhecido como sucessor matemático de Euler e continuador de suas pesquisas em geometria e mecânica, sendo por este indicado e efetivamente seu substituto na Academia de Berlim (1766), nomeado diretor da seção de física e matemática, até a morte de Frederico, o Grande, vinte anos após (1786), quando voltou para Paris, a convite de Luís XVI. Neste período berlinense publicou vários trabalhos importantes como notas complementares à lei da gravidade de Isaac Newton, estudos sobre a teoria dos números, probabilidade e equações diferenciais, mecânica celeste e estabilidade do sistema solar, e análises de problemas algébricos, precursores da teoria de grupos, posteriormente desenvolvida por Évariste Galois. Propôs também um método matemático preciso e completo que permitiu abordar de modo uniforme os problemas físicos mecânicos.

Criador da lagrangiana ou variáveis de Lagrange (1760), função das coordenadas generalizadas de um sistema com as funções do tempo, igual à diferença entre a energia cinética e a energia potencial, ambas expressas em termos daquelas coordenadas. Introduziu o conceito de velocidade potencial no estudo da hidrodinâmica e derivou a equação de propagação de ondas em canais abertos. Criou o método Lagrange para determinação da trajetória da partícula de um fluido em um escoamento.

Sua primeira grande obra foi publicada com o título Traité de mécanique analytique (1788), uma síntese dos conhecimentos sobre dinâmica e movimento dos corpos celestes desenvolvidos desde o tempo de Newton. Seu principal trabalho em movimento de fluidos foi Mémoire sur la théorie du mouvement des fluides, publicado pela Academia de Berlim (1781). Como membro da Académie des Sciences participou juntamente com Legendre, Carnot, Monge e Condorcet do famoso Comitê de Pesos e Medidas, para reforma do sistema de pesos e medidas e que optou pelo sistema decimal. Inicialmente apenas ele e Condorcet integravam o Comitê (1790-1799). Publicou um dos seus clássicos Théorie des functions analytiques (1797). Na corte de Luís VI, em Paris, manteve-se alheio à vida política, mesmo durante a revolução francesa. Ainda foi nomeado senador e conde do império por Napoleão Bonaparte.

segunda-feira, 17 de abril de 2017

Johannes Kepler

(1571 - 1630) Matemático e astrônomo alemão, nascido na cidade alemã de Weil der Stadt, considerado o fundador da astronomia moderna e o mais importante teórico da astronomia do Renascimento, precursor da teoria da gravitação universal de Newton e o descobridor das três famosas leis da mecânica celeste. De origem humilde, teve ampla e esmerada educação, graças a sua prodigiosa inteligência e ao apoio econômico dos duques de Württemberg. Graduou-se em astronomia pela Universidade de Tübingen (1591) e desistiu de seguir a carreira eclesiástica ao ser nomeado professor de matemática na cidade austríaca de Graz (1594). Inspirado nos modelos geométricos gregos e na teoria heliocêntrica de Copérnico, demonstrou as três leis básicas do movimento planetário. A primeira afirma que os planetas do sistema solar giram ao redor do Sol e descrevem órbitas elípticas, aproximadamente circulares. Pela segunda lei, a velocidade do movimento se adapta à posição do planeta na curva elíptica de modo uniforme, ainda que não constante. A terceira lei estabelece uma proporção fixa entre o raio da órbita e o tempo que o planeta leva para descrevê-la.

Publicou seus cálculos na obra Prodomus dissertationum mathematicarum continens mysterium cosmographicum (1596), e enviou um exemplar a Tycho Brahe, matemático oficial do Sacro Império Romano-Germânico, que, impressionado, nomeou-o seu assistente e futuro substituto no cargo oficial. Com a morte de Tycho Brahe (1601), continuou as pesquisas deste sobre o erro da teoria de Copérnico que rezava órbitas circulares para os planetas em torno do sol. Herdeiro dos equipamentos e das observações de Brahe e baseado em suas próprias pesquisas, aperfeiçoou as três leis básicas da astronomia que clarificaram o movimento dos planetas em volta do sol: a órbita planetária elíptica, a constância da área angular e a proporção entre o período orbital e a distância solar, e fez notáveis observações referentes à órbita de Marte, aos fenômenos ópticos da atmosfera e às estrelas distantes.

Explicou o mecanismo simples da visão (1604) e, a partir das observações de Galileu, elaborou a primeira teoria correta das lentes (1611). Continuou trabalhando na reformulação da teoria das órbitas dos planetas de Copérnico, mostrando o Sol em um dos focos da elipse (1611-1619). Mudou-se, então, para a cidade austríaca de Linz (1620) e conta-se que, graças à condição de matemático imperial, livrou sua mãe da acusação de bruxaria.

Publicou outras obras, entre elas Harmonices mundi (1619) e Tabulae rudolphinae (1627), usados por mais de um século no cálculo das posições planetárias. Para a hidráulica foi de grande importância seus estudos sobre mecânica em geral. Formou o trio responsável pela revolução que se produziu na astronomia à época do Renascimento e ajudou a estabelecer que o Sol era o centro do universo: Copérnico, o autor das hipóteses, Galileu, que as confirmou experimentalmente e ele, seu mais importante teórico e como precursor da teoria da gravitação universal de Newton.

sábado, 15 de abril de 2017

James Prescott Joule

Físico Inglês (1818-1889). James Prescott Joule apreciava as pesquisas já na adolescência, principalmente aquelas que envolviam números e medidas. Quando seu pai adoeceu, a necessidade de cuidar da fábrica de cerveja da família praticamente impediu que se dedicasse àquela atividade. Com pouco mais de 20 anos, porém, ele determinaria a relação matemática que permite calcular o calor produzido por uma corrente elétrica.

A produção de calor foi, de fato, um de seus temas favoritos; a estudou em grande variedade de sistemas. Mais especificamente, calculava as quantidades de trabalho que entravam e saíam do sistema, acabando por concluir que havia uma relação entre essas duas grandezas. Isso lhe permitiu determinar, em 1843, a quantidade de trabalho necessária para produzir uma caloria de calor (essa relação, que é conhecida por equivalente mecânico de calor, já fora identificada anteriormente, embora com menor precisão, por Rumford e por Mayer, mas já havia caído no esquecimento.)

Em 1847, Joule publicou suas conclusões, mas elas foram recebidas com indiferenças pelo meio científico, em parte porque ele não era um professor nem estava ligado a qualquer grupo de pesquisadores. Apesar disso, ele tentou, sem sucesso, divulgá-las em periódicos científicos, sociedades de ciência, conferências públicas e até em jornais comuns.

Alguns meses depois, ao insistir, mais uma vez, num encontro científico, teve a surpresa de descobrir, entre os ouvintes, um rapaz bem mais jovem, que se mostrou entusiasmado por seu trabalho. Seu nome era William Thomson. Mais tarde, ficaria conhecido como Lord Kelvin. Dois anos depois, quando outros pesquisadores já lhe davam razão, Joule conseguiria apresentar seus trabalhos na importante Royal Society, que antes o havia rejeitado.

A descoberta do equivalente mecânico do calor abriu caminho para que, posteriormente, se demonstrasse, de forma mais geral, que a energia mecânica de um sistema se conserva, embora possa mudar de forma.

Nos anos seguintes, Joule também faria descobertas relacionada com o magnetismo e, em colaboração com Kelvin, com o estudo dos gases. Em 1850, foi eleito membro da Royal Society.

Embora sempre tivesse podido contar com a prosperidade familiar, sofreu problemas financeiros no final da vida, mas recebeu uma pensão do governo britânico aos 60 anos de idade (naquele tempo não existia aposentadoria.)

Segundo seus biógrafos, Joule foi uma pessoa sem grandes ambições materiais. No final da vida, amargurou-se por perceber que suas contribuições à ciências estavam sendo aplicadas na guerra.

quinta-feira, 13 de abril de 2017

Jacobus Henricus van't Hoff

(1852 - 1911) Químico holandês, nascido em Rotterdam, fundador da estereoquímica. Estudou matemática, filosofia e ciências naturais, enquanto praticava esportes e dedicava-se à música e à poesia. Aos quinze anos matriculou-se no Hoogere Burgershool, onde foi atraído para o mundo da química. Entrou para a Escola Politécnica de Delft (1869) e depois estudou em Leiden. Em seguida, foi para Bonn e depois, com Kekulé, para Paris trabalhar no Laboratório de Wurtz e terminou sua tese de doutorado na Universidade de Utrech. Com o francês Joseph Achille Le Bel, criou a estereoquímica (1874). Tornou-se conferencista em física (1876) na Escola de Veterinária de Utrecht e iniciou sua carreira de professor universitário 1877) na Universidade de Amsterdã, onde ensinou química, mineralogia e geologia e consagrou-se como pesquisador.

Formulou os fundamentos da cinética química (1884) e a partir dos estudos de Wilhelm Pfeffer, formulou a teoria da osmose, no livro Estudos sobre a dinâmica quântica (1886).

Foi ensinar química em Leipzig (1887) transferindo-se, posteriormente, para a Universidade de Berlim (1896) a convite da Academia de Ciências da Prússia, ficando ali por cerca de dez anos (1896-1906), onde publicou vários artigos e os livros Lições de química teórica e físico-química e Fundamentos de Química. Ganhou o Prêmio Nobel de Química (1901) pelos enunciados das leis da dinâmica química e da pressão osmótica.

terça-feira, 11 de abril de 2017

Josiah Willard Gibbs


Físico-matemático norte-americano, nascido em New Haven, Connecticut, de grande influência no desenvolvimento da álgebra de vectores no espaço tridimensional e notável em eletromagnetismo e termodinâmica. Ph.D. em engenharia, em Yale (1863), o primeiro a ser conferido nos Estados Unidos, passou dois anos em Paris (1866-1867), um em Berlim (1867-1868) e outro em Heidelberg (1868-1869), estudando basicamente matemática e física, lendo os mestres europeus. Voltou aos EUA e tornou-se professor de física-matemática na Universidade de Yale (1871-1903). Publicou o estudo Método de representação geométrica das propriedades termodinâmicas das substâncias por meio de superfícies (1873) e seu famoso ensaio sobre o equilíbrio das substâncias heterogéneas (On the Equilibrium of Heterogeneous Substances (1876-1878), obra que fundou um novo ramo da Química, onde introduziu na termodinâmica os conceitos de variáveis extensivas, tais como a energia interna e a entropia, para a caracterização dos estados de equilíbrio de um sistema. Concebeu o enquadramento por essas variáveis de um espaço afim, conhecido como espaço de Gibbs.

Os seus estudos teóricos sobre Termodinâmica foram de suma importância para o desenvolvimento, em bases científicas, de estudos sobre o comportamento dos fluidos e a transferência de calor, em Vector analysis (1881).

Também estabeleceu a relação entre as variáveis intensivas que caracterizam um sistema, representada por uma equação diferencial, e as fórmulas que permitem determinar o valor da afinidade química nas reacções isotérmicas ou nas isobáricas, e desenvolveu a formulação teórica da física-química e conduziu pesquisas em óptica (Princípios elementares da mecânica estatística). Ganhou a medalha Copley (1901).

domingo, 9 de abril de 2017

Joseph-Louis Gay-Lussac



Químico e físico iluminista francês, natural de Saint-Léonard-de Noblat, próximo a Limonges, pioneiro nas pesquisas sobre o comportamento das substâncias em estado gasoso. Entrou na Escola Politécnica aos 19 anos de idade, onde abandonou os estudos de engenharia para se dedicar a pesquisas químicas, com o apoio de dois grandes filósofos: Claude-Louis Berthollet e Pierre-Simon Laplace. Pioneiro em observações científicas com balões, que o levou a pesquisas sobre as propriedades das combinações com gases, auxiliado pelo célebre cientista Alexander von Humbold, com quem conseguiu determinar com precisão a composição volumétrica da água. Rival de Humphrey Davy, as suas pesquisas sobre a dilatação dos gases foram decisivas para a evolução da teoria atômica de John Dalton.

Nomeado professor de química na École Polytechnique (1802) formulou a lei da dilatação dos gases, enunciou a lei das combinações gasosas (1805), e descreveu as leis básicas das reações químicas entre gases em A combinação dos gases (1808). Depois isolou o elemento boro com Louis Thenard (1809) e enunciou da lei da combinação dos volumes ou lei de Gay-Lussac, onde para pressão constante a relação entre volumes é igual a relação entre temperaturas (1811). Na mesma época, Dalton lançou uma teoria que relacionava pesos e não volumes. Posteriormente, o físico italiano Amedeo Avogadro demonstrou como os resultados se conciliavam. Foi director de Saint-Gobain, ligado igualmente à sociedade industrial Mulhouse.

sexta-feira, 7 de abril de 2017

Marie Curie




"Em cada época podemos viver uma vida interessante e útil. O indispensável é não desperdiçarmos a vida e podermos dizer: "Fiz o que pude". Aqui está tudo quanto o mundo tem o direito de exigir de nós — e a única coisa que nos dará um pouco de felicidade."




1867-1890 Infância

Maria Salomea Sklodowska nasceu em Varsóvia a 7 de Novembro; foi a quinta filha de uma pianista cantora e professora com um professor de matemática e física. Nasceu e passou a sua infância na Polónia onde se destacou pela sua prodigiosa memória.

Aos 18 anos aceitou um cargo de governanta, onde permaneceu durante 6 anos. Com o salário, pagava a escola de medicina da sua irmã, em Paris, pensando que esta, futuramente, lhe pagaria os seus estudos, também em Paris.

1891-1897 Universidade de Sorbonne

Em 1891, abandonou a Polónia e viajou em Outubro para Paris, onde ingressou na Universidade de Sorbonne. Aqui, enfrentou o preconceito devido ao facto de ser mulher e estrangeira. Três anos mais tarde, diplomou-se em ciências físicas e regressou à Polónia. Obteve a bolsa Alexandrovitch e em Outubro viajou de novo para Paris, com o objectivo de terminar a licenciatura em matemática. Acabou o curso de matemática e nesse mesmo ano conheceu Pierre Curie, através do Físico Polaco Joseph Kovalski.

O casamento foi uma cerimónia civil, pois como Marie Curie referiu na sua biografia: "Pierre não tinha religião e eu não praticava". Apesar da diferença de idades, os dois tinham muito em comum: um amor muito grande pela natureza e pelo campo, pouca ambição financeira e uma grande paixão pela pesquisa. Dois anos após o casamento, em 1897 nasceu Írene, a primeira filha do casal.

1898-1902 Descoberta do Rádio e do Polónio

O casal Curie começou o seu trabalho com a uranita (minério utilizado para extrair o urânio), através da sua análise numa câmara de condensação; verificaram que a uranita produzia uma corrente mais forte que aquela apenas produzida pelo urânio. Realizaram ainda mais estudos mas os resultados foram sempre idênticos.

Durante o mesmo ano fizeram análises com o esquinita, minério que contém o tório, e verificaram que este era também mais activo do que o urânio. Concluíram que os "raios" que Becquerel denominava de "urânicos" não eram simplesmente uma anomalia do urânio: faziam parte de algum tipo de fenómeno mais geral, que requeria uma designação e explicação.

Com diferentes tratamentos químicos conseguiram separar produtos que eram até 300 vezes mais activos que o urânio puro. As experiências realizadas sugeriram que a uranita continha dois elementos desconhecidos altamente activos: um acompanhava o bismuto (polónio) na decomposição da uranita e outro acompanhava o bário (rádio). No relatório destas descobertas, o casal Curie referia que: "não encontramos uma forma de separar a substância do bismuto... não era favorável à ideia de existência de um novo metal... mas obtivemos uma substância 400 vezes mais activa que o urânio". Após a obtenção destes resultados pediram que este novo elemento fosse denominado de polónio. Neste mesmo relatório foi pela primeira vez utilizada a expressão radioactividade.

No final do ano de 1898, iniciaram as pesquisas com o bário, fizeram novas separações e chegaram a uma substância 900 vezes mais activa que o urânio, mas desta vez as linhas espectrais indicavam um novo elemento. Após estas descobertas, faltava apenas isolar o elemento como prova definitiva da sua existência, assim como determinar o seu peso atómico. O que eles desconheciam era que a percentagem de rádio no bário é inferior a 0.0001%.

No início do ano de 1899, foi-lhes cedido, para o tratamento e isolamento do rádio, um cavernoso hangar, que servia como sala de dissecação para estudantes de medicina. Como descreveu Marie Curie na sua biografia: "um abrigo de madeira, com telhado de vidro que não impedia a entrada de chuva, e sem quaisquer instalações internas... não havia chaminés para dar vazão aos gases venenosos provocados pelos nossos trabalhos químicos".

Apesar de terem obtido resultados correctos, serem extremamente meticulosos e não se precipitarem na divulgação de resultados, os Curie cometeram um erro ao pensarem que a radiação violava a primeira lei da termodinâmica, pois aparentemente os elementos radioactivos não sofriam nenhuma variação de forma, peso ou diminuição de energia.

1903 Nobel da Física

Marie, Pierre e Becquerel receberam o prémio Nobel da Física, pelo seu trabalho com a radioactividade. O casal não compareceu à cerimónia devido a problemas de saúde, causados pelas grandes quantidades de radiação a que estavam expostos, e a um estranho sentimento que tinham em relação a prémios.

1904 Pierre é nomeado Professor da Sorbone

Nasceu a segunda filha, Ève Denise, e Pierre finalmente foi nomeado professor da Sorbonne, onde tinha um laboratório com equipamento moderno. Marie ocupou o lugar de assistente-chefe.

O rádio, a grande descoberta de Marie, tornou-se famoso tanto por ser um elemento novo e misterioso, como por uma das suas propriedades ser a de brilhar no escuro; por isso o seu valor crescia vertiginosamente.

1906 Morte de Pierre Curie

No dia 19 de Abril, ao entardecer, enquanto Pierre ia distraidamente em direcção à universidade, foi atropelado por uma carroça ao atravessar a rua, sendo esmagado pelas rodas do veículo.

Marie ficou arrasada com a morte de Pierre e escreveu-lhe várias cartas de amor enquanto o corpo era velado em casa. Como uma espécie de fuga voltou ao trabalho no mês seguinte. Aceitou o cargo que era de Pierre e tornou-se na primeira mulher a dar cursos na Sorbone, mas só um ano mais tarde foi nomeada professora efectiva na Sorbone.

1911 Prémio Nobel da Química

Marie recebeu o prémio Nobel da Química, concedido unicamente a ela por ter produzido rádio puro, que ela tinha isolado no ano anterior pelo método electrolítico de Gruntz. Torna-se na primeira pessoa a receber dois prémios Nobel. O congresso de radiologia em Bruxelas aprovou como unidade de radioactividade o "Curie" (Ci), em homenagem a Pierre Curie.

1914 I Guerra Mundial

Marie empenhou-se totalmente no esforço de guerra. Arrecadou fundos e instalou equipamentos de raios X em 200 hospitais e veículos especiais.

1918 Instituto de Rádio de Paris

Curie tornou-se directora do Instituto de Rádio de Paris. Irène, que recebeu anos mais tarde um prémio Nobel da química, começou a trabalhar junto da mãe, estudando as partículas emitidas pelo polónio. O Instituto tornou-se um centro mundial de estudos de radiação física e química.

Aos 52 anos, Marie, com a ajuda de uma jornalista americana, fez um circuito de palestras e viagens pelos Estados Unidos, com a intenção de arrecadar fundos para o Instituto de Rádio, apesar da sua audição e visão estarem muito fracas. O circuito não foi completado devido ao estado de saúde de Marie.

1922 Academia Francesa de Medicina

Em 1922, foi finalmente eleita para a Academia Francesa de Medicina. Marie continuou a supervisionar o trabalho no laboratório em Paris, apesar das operações a que foi submetida. Pioneira na pesquisa da radioactividade, primeira mulher cientista que adquiriu fama mundial, ficou exposta aos efeitos da radiação por mais de metade da vida; sofria agora os seus efeitos mais severos.

1934 Morte de Marie Curie

A 4 de Julho, morreu Marie Curie em Sancellemoz, Suiça, vítima de leucemia. Os seus restos mortais foram colocados sob a mais famosa abóbada do Panthéon em Paris. Recebeu na totalidade: 2 prémios Nobel, 15 medalhas de ouro, 19 graus e muitas outras honras.

(Recomendo, a quem quiser aprofundar este tema, a visitar esta excelente exposição sobre Marie Curie)

Glória Almeida

sábado, 25 de março de 2017

Marie Curie


"Em cada época podemos viver uma vida interessante e útil. O indispensável é não desperdiçarmos a vida e podermos dizer: "Fiz o que pude". Aqui está tudo quanto o mundo tem o direito de exigir de nós — e a única coisa que nos dará um pouco de felicidade."

1867-1890 Infância


Maria Salomea Sklodowska nasceu em Varsóvia a 7 de Novembro; foi a quinta filha de uma pianista cantora e professora com um professor de matemática e física. Nasceu e passou a sua infância na Polónia onde se destacou pela sua prodigiosa memória.

Aos 18 anos aceitou um cargo de governanta, onde permaneceu durante 6 anos. Com o salário, pagava a escola de medicina da sua irmã, em Paris, pensando que esta, futuramente, lhe pagaria os seus estudos, também em Paris.

1891-1897 Universidade de Sorbonne

Em 1891, abandonou a Polónia e viajou em Outubro para Paris, onde ingressou na Universidade de Sorbonne. Aqui, enfrentou o preconceito devido ao facto de ser mulher e estrangeira. Três anos mais tarde, diplomou-se em ciências físicas e regressou à Polónia. Obteve a bolsa Alexandrovitch e em Outubro viajou de novo para Paris, com o objectivo de terminar a licenciatura em matemática. Acabou o curso de matemática e nesse mesmo ano conheceu Pierre Curie, através do Físico Polaco Joseph Kovalski.
O casamento foi uma cerimónia civil, pois como Marie Curie referiu na sua biografia: "Pierre não tinha religião e eu não praticava". Apesar da diferença de idades, os dois tinham muito em comum: um amor muito grande pela natureza e pelo campo, pouca ambição financeira e uma grande paixão pela pesquisa. Dois anos após o casamento, em 1897 nasceu Írene, a primeira filha do casal.

1898-1902 Descoberta do Rádio e do Polónio

O casal Curie começou o seu trabalho com a uranita (minério utilizado para extrair o urânio), através da sua análise numa câmara de condensação; verificaram que a uranita produzia uma corrente mais forte que aquela apenas produzida pelo urânio. Realizaram ainda mais estudos mas os resultados foram sempre idênticos.
Durante o mesmo ano fizeram análises com o esquinita, minério que contém o tório, e verificaram que este era também mais activo do que o urânio. Concluíram que os "raios" que Becquerel denominava de "urânicos" não eram simplesmente uma anomalia do urânio: faziam parte de algum tipo de fenómeno mais geral, que requeria uma designação e explicação.
Com diferentes tratamentos químicos conseguiram separar produtos que eram até 300 vezes mais activos que o urânio puro. As experiências realizadas sugeriram que a uranita continha dois elementos desconhecidos altamente activos: um acompanhava o bismuto (polónio) na decomposição da uranita e outro acompanhava o bário (rádio). No relatório destas descobertas, o casal Curie referia que: "não encontramos uma forma de separar a substância do bismuto... não era favorável à ideia de existência de um novo metal... mas obtivemos uma substância 400 vezes mais activa que o urânio". Após a obtenção destes resultados pediram que este novo elemento fosse denominado de polónio. Neste mesmo relatório foi pela primeira vez utilizada a expressão radioactividade.
No final do ano de 1898, iniciaram as pesquisas com o bário, fizeram novas separações e chegaram a uma substância 900 vezes mais activa que o urânio, mas desta vez as linhas espectrais indicavam um novo elemento. Após estas descobertas, faltava apenas isolar o elemento como prova definitiva da sua existência, assim como determinar o seu peso atómico. O que eles desconheciam era que a percentagem de rádio no bário é inferior a 0.0001%.
No início do ano de 1899, foi-lhes cedido, para o tratamento e isolamento do rádio, um cavernoso hangar, que servia como sala de dissecação para estudantes de medicina. Como descreveu Marie Curie na sua biografia: "um abrigo de madeira, com telhado de vidro que não impedia a entrada de chuva, e sem quaisquer instalações internas... não havia chaminés para dar vazão aos gases venenosos provocados pelos nossos trabalhos químicos".
Apesar de terem obtido resultados correctos, serem extremamente meticulosos e não se precipitarem na divulgação de resultados, os Curie cometeram um erro ao pensarem que a radiação violava a primeira lei da termodinâmica, pois aparentemente os elementos radioactivos não sofriam nenhuma variação de forma, peso ou diminuição de energia.

1903 Nobel da Física

Marie, Pierre e Becquerel receberam o prémio Nobel da Física, pelo seu trabalho com a radioactividade. O casal não compareceu à cerimónia devido a problemas de saúde, causados pelas grandes quantidades de radiação a que estavam expostos, e a um estranho sentimento que tinham em relação a prémios.

1904 Pierre é nomeado Professor da Sorbone

Nasceu a segunda filha, Ève Denise, e Pierre finalmente foi nomeado professor da Sorbonne, onde tinha um laboratório com equipamento moderno. Marie ocupou o lugar de assistente-chefe.
O rádio, a grande descoberta de Marie, tornou-se famoso tanto por ser um elemento novo e misterioso, como por uma das suas propriedades ser a de brilhar no escuro; por isso o seu valor crescia vertiginosamente.

1906 Morte de Pierre Curie

No dia 19 de Abril, ao entardecer, enquanto Pierre ia distraidamente em direcção à universidade, foi atropelado por uma carroça ao atravessar a rua, sendo esmagado pelas rodas do veículo.
Marie ficou arrasada com a morte de Pierre e escreveu-lhe várias cartas de amor enquanto o corpo era velado em casa. Como uma espécie de fuga voltou ao trabalho no mês seguinte. Aceitou o cargo que era de Pierre e tornou-se na primeira mulher a dar cursos na Sorbone, mas só um ano mais tarde foi nomeada professora efectiva na Sorbone.

1911 Prémio Nobel da Química

Marie recebeu o prémio Nobel da Química, concedido unicamente a ela por ter produzido rádio puro, que ela tinha isolado no ano anterior pelo método electrolítico de Gruntz. Torna-se na primeira pessoa a receber dois prémios Nobel. O congresso de radiologia em Bruxelas aprovou como unidade de radioactividade o "Curie" (Ci), em homenagem a Pierre Curie.

1914 I Guerra Mundial

Marie empenhou-se totalmente no esforço de guerra. Arrecadou fundos e instalou equipamentos de raios X em 200 hospitais e veículos especiais.

1918 Instituto de Rádio de Paris

Curie tornou-se directora do Instituto de Rádio de Paris. Irène, que recebeu anos mais tarde um prémio Nobel da química, começou a trabalhar junto da mãe, estudando as partículas emitidas pelo polónio. O Instituto tornou-se um centro mundial de estudos de radiação física e química.
Aos 52 anos, Marie, com a ajuda de uma jornalista americana, fez um circuito de palestras e viagens pelos Estados Unidos, com a intenção de arrecadar fundos para o Instituto de Rádio, apesar da sua audição e visão estarem muito fracas. O circuito não foi completado devido ao estado de saúde de Marie.

1922 Academia Francesa de Medicina

Em 1922, foi finalmente eleita para a Academia Francesa de Medicina. Marie continuou a supervisionar o trabalho no laboratório em Paris, apesar das operações a que foi submetida. Pioneira na pesquisa da radioactividade, primeira mulher cientista que adquiriu fama mundial, ficou exposta aos efeitos da radiação por mais de metade da vida; sofria agora os seus efeitos mais severos.

1934 Morte de Marie Curie

A 4 de Julho, morreu Marie Curie em Sancellemoz, Suiça, vítima de leucemia. Os seus restos mortais foram colocados sob a mais famosa abóbada do Panthéon em Paris. Recebeu na totalidade: 2 prémios Nobel, 15 medalhas de ouro, 19 graus e muitas outras honras.
Glória Almeida

quarta-feira, 22 de março de 2017

Marie Curie


(1867 - 1934) Física polaca nascida em Varsóvia e naturalizada francesa, famosa pesquisadora e criadora do termo radioatividade, juntamente com o marido. Bela filha de um modesto professor secundarista, aos dezessete anos arranjou um emprego e, assim, conseguiu economizar para ir para Paris (1891), matriculando-se na Sorbone, onde dois anos mais tarde formou-se em física e em matemática (1894). Trabalhando no laboratório de pesquisas de Gabriel Lippmann, conheceu o cientista francês (1894) Pierre Curie, com quem casaria no ano seguinte, formando o mais famoso casal de cientistas da história. Com dois diplomas universitários (1897) e uma bolsa de estudos, publicou seu primeiro trabalho importante, Investigações sobre as propriedades magnéticas do aço temperado. Apresentou no Congresso de Física de Paris (1900) as suas descobertas do polônio e do rádio. Ganharam a medalha Davy da Sociedade Real de Londres (1903) e o Prêmio Nobel de Física, dividindo-o com Antoine Becquerel, por suas descobertas no campo da radioatividade.

Nasceu sua segunda filha (1904), Eva, que se tornaria sua biógrafa. Ganhou a cátedra de física (1906) da Faculdade de Ciências de Sorbonne, após a morte de Pierre em um acidente de trânsito, tornando-se a primeira mulher a ocupar tal cargo na França. Publicou Traité sur la radiografie (1910), em que sintetizou as pesquisas realizadas com seu marido, e seu aluno Langevin. Recebeu pela segunda vez (1911), um Prêmio Nobel, agora de Química, por conseguir isolar o rádio metálico puro. Foi eleita (1922) membro da Academia de Medicina de Paris, justa homenagem por suas atividades na medicina experimental.

Durante a primeira guerra mundial, com a ajuda da filha Irène, devotou-se ao desenvolvimento das técnicas da radiografia. Foi também ela quem primeiro percebeu a necessidade de acumular fontes de radioatividade intensa para o tratamento de doenças e para realizar pesquisas de física nuclear. A formação de reservas por ela incentivada foi decisiva até o aparecimento dos aceleradores de partículas (1930).

Morreu em 4 de julho (1934), perto de Sallanches, França, de leucemia provocada por anos de exposição à radioatividade sem nenhuma proteção. Em honra ao casal Curie, o elemento químico de número atômico 96 foi batizado com o nome de cúrio e a unidade de medida da radioatividade chamou-se curie. Sua primeira filha, Irène Joliot-Curie, nascida no segundo ano de casamento, que mais tarde se casaria com o físico Frédéric Joliot, e que começou colaborando na cátedra da mãe, posteriormente, junto com o marido Frederico Juliot, descobriu a radioatividade artificial. Isso valeu ao casal Joliot-Curie o Prémio Nobel de Química (1935).
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