domingo, 29 de novembro de 2015

NASA escolheu lua Europa para procurar formas de vida no sistema solar

Europa versus Titã. São duas luas do sistema solar exterior, ambas rodando em torno de gigantes gasosos, mas diferentes uma da outra quanto é possível duas coisas serem diferentes entre si. Uma está na órbita de Júpiter e tem uma crosta de gelo indicando a presença a grande profundidade de um oceano submarino. A outra está na órbita de Saturno e tem uma atmosfera espessa, um clima tempestuoso, lagos de hidrocarbonetos líquidos, chuvas de metano e dunas de material orgânico da cor de uma plantação de café.

Ambas foram celebradas pelo cinema e pela literatura de ficção científica: Europa tem um papel chave no filme 2010, a sequela menor do clássico "2001: Uma Odisseia no Espaço"; Titã aparece em "As Sereias de Titã" como o lar de um viajante do planeta Tralfamadore perdido no espaço.

Na vida real, ambas são objectivos primários na busca pela existência de vida para lá da Terra. O problema é que não é simples nem barato enviar uma sonda para esses mundos distantes. A agência espacial norte-americana, a NASA, tem enfrentado uma perplexidade burocrática: qual das duas luas devia ser explorada em primeiro lugar?

Há muitos meses e anos que dois campos científicos refinam as respectivas propostas, cada um deles na expectativa de que a sua lua venha a se sancionada oficialmente como a próxima missão de bandeira da NASA no sistema solar exterior. Na semana passada, a resposta finalmente chegou: Europa e consequentemente todo o sistema de Júpiter serão os primeiros.

2020 e 2025

A missão ainda se encontra numa fase muito preliminar. Não haverá qualquer lançamento até 2020 e uma sonda só chegará ao sistema de Júpiter em 2025. A NASA apressou-se em dizer que isto não significava um retrocesso relativamente a Titã e ao sistema de Saturno, que continuarão a ter prioridade alta na lista das missões futuras, mas Europa era agora uma missão tecnicamente mais fácil. A NASA vai estar associada à Agência Espacial Europeia (ESA), que nessa altura terá uma sonda sua focada noutra lua de Júpiter, Ganimedes.

Europa foi a escolha certa? Depende do que se quiser procurar

Sondas não tripuladas no passado – em particular a Pioneer, a Voyager, a Galileo e a Cassini, ao longo das quatro últimas décadas – trouxeram-nos uma visão mais próxima do sistema solar exterior, cada nova e deslumbrante imagem levando a que ainda mais questões fossem colocadas relativamente a esses mundos exóticos. Mas quatro séculos após Galileu ter visto pela primeira vez as luas de Júpiter, estas só foram sobrevoadas por missões de passagem. O mesmo acontece em relação às luas de Saturno. O próximo passo é estacionar uma nave na órbita de uma destas luas e analisá-la com todos os instrumentos possíveis.

É mais provável que Europa tenha vida como a conhecemos, mas é possível que Titã tenha processos químicos exóticos que representam a vida em formas que desconhecemos.

“Será que a vida precisa de água em estado líquido ou poderão outros líquidos servir de hóspedes, se não para a vida como a conhecemos para algum tipo de organização química?”, interroga Jonathan Lunine, um astrofísico da Universidade do Arizona e um dos membros da equipa que defende a missão a Titã. “Estaríamos a testar os limites do significado real da palavra 'vida’ no cosmos”. Titã é certamente um mundo mais dinâmico e um viveiro do tipo de moléculas baseadas em carbono que fascinam os cientistas.

Mais rico e mais vasto

“Titã é um objectivo científico mais rico e mais vasto”, diz Ralph Lorenz, da Johns Hopkins University. “É um mundo onde processos que nos são familiares ocorrem em condições muito exóticas... É um laboratório prodigioso para explorarmos a forma como os planetas funcionam.”

Outra lua de Saturno entrou na conversa: Enceladus. A sonda da NASA Cassini, que continua em órbita de Saturno, descobriu que Enceladus tem géisers de água congelada no hemisfério Sul. Os cientistas gostariam de ver isso mais de perto.

Mas Europa tem grandes vantagens comparativamente a Titã. De um ponto de vista burocrático, esta era apenas a vez de Europa. Esta lua deveria ter sido o objectivo de uma missão cancelada há uma década e em 2003 foi considerada principal prioridade num estudo sobre possíveis missões planetárias realizado pela Academia Nacional das Ciências norte-americana. Entretanto, Titã foi estudada recentemente pela Cassini.

Duas naves e um balão

A proposta para Titã era complexa e envolvia uma nave que permaneceria em órbita, outra que se despenharia num lago de hidratos de carbono e um balão que percorreria a atmosfera captando imagens. A proposta para Europa requer apenas uma nave que permanecerá em órbita após fazer uma viagem por algumas das outras luas de Júpiter.

Entretanto, os russos disseram estar interessados em fazer aterrar um veículo espacial em Europa. Mas a NASA rejeitou essa proposta por enquanto, alegando um escasso conhecimento da superfície desta lua.

“Podíamos aterrar em Europa, mas é uma operação de alto risco. O problema é que não temos boas imagens de alta resolução em número suficiente. Não temos uma ideia suficientemente boa de como será a superfície”, disse Karla Clark, a principal analista da missão Europa.

Ficção científica

Reta Beebe, uma astrofísica na Universidade estadual do Novo México, diz que o veículo espacial ideal seria uma espécie de “hopper” [saltitão], concebido para aterrar na superfície e descolar passados poucos instantes, continuando depois a saltitar entre os blocos de gelo e os vales que tornam a superfície desta lua provavelmente impossível de explorar por um “rover” [veículo robotizado como os que foram colocados na superfície de Marte]. “É como se fosse ficção científica”, avisou.

Europa, Ganimedes e Titã têm todas oceanos submarinos, mas os de Europa são os que estão mais próximo da superfície. É pura especulação admitir que alguma coisa possa viver nesses oceanos, mas é conhecido que a vida na Terra resiste nos locais mais improváveis, das fendas hidrotérmicas nas profundezas mais obscuras dos mares ou nos lagos permanentemente cobertos de gelo da Antárctida.

“A vida propriamente dita, a vida mais simples, parece ser muito resistente e muito comum em toda a parte”, diz Beebe. Mas sobre a possibilidade de existir vida em Europa ou nas outras luas do sistema solar exterior acrescenta: “Não vai ser fácil de encontrar. Não espero que esses organismos sejam encontrados durante a minha vida”.



Exclusivo: PÚBLICO/Washington Post

sexta-feira, 27 de novembro de 2015

NASA lança satélite para medir níveis de dióxido de carbono

Cerca de metade do total de dióxido de carbono produzido na Terra todos os anos permanece no ar, enquanto a outra metade desaparece. Para onde vai essa metade desaparecida é o que o satélite que a NASA lança amanhã pretende descobrir.

O Orbiting Carbon Observatory (OCO) será lançado a partir da base aérea de Vanderberg, na Califórnia, com o objectivo de medir as emissões de dióxido de carbono a um nível de detalhe sem precedentes. Com os dados recolhidos pelo satélite será possível fazer um mapeamento de todos os pontos terrestres de lançamento e absorção do principal gás responsável pelo aquecimento global.

Compreender melhor a circulação do dióxido de carbono entre a terra, o ar e o mar poderá ajudar os cientistas a fazer uma avaliação mais precisa do problema das alterações climáticas. Os oceanos e florestas são sumidouros naturais de uma grande parte deste gás, porém há anos em que o excesso de carbono permanece no espaço e outros em que, simplesmente, desaparece.

“Algo está a mudar dramaticamente”, revelou ao jornal “The New York Times” David Crisp, cientista do Jet Propulsion Laboratory da NASA e principal investigador da missão.

Antes da Revolução Industrial, os níveis de dióxido de carbono situavam-se nas 280 partes por milhão de moléculas de ar (unidade de medida utilizada para este gás). No entanto, hoje em dia os níveis subiram para as 387 partes por milhão e estima-se que aumentem consideravelmente nas próximas décadas.

Também os níveis de oxigénio serão medidos para que seja possível, por comparação, determinar as concentrações do dióxido de carbono no ar.

O OCO está equipado com três espectrómetros de alta resolução que permitirão fazer o rastreio dos pontos de emissão a 700 quilómetros de distância da Terra.

O lançamento do satélite para a órbita será feito no foguetão Taurus XL durante a madrugada de terça-feira, dia 24 de Fevereiro, e pode ser seguido em directo no blogue da NASA.

Patrícia Fernandes

quarta-feira, 25 de novembro de 2015

Água terá corrido à superfície de Marte há menos tempo do que se pensava

A água terá corrido na superfície de Marte há muito menos tempo do que se imaginava, adianta um estudo divulgado hoje. Com base em imagens captadas pela NASA, cientistas da Universidade de Brown localizaram um sistema de canais que se terá formado há cerca de 1,25 milhões de anos pela fusão de depósitos de gelo.

Os cientistas sabiam já que estes canais são estruturas relativamente jovens na superfície do Planeta Vermelho, mas não tinham ainda encontrado um método de datação eficaz e é aqui que o estudo divulgado na edição deste mês da “Geology” inova.

O sistema de canais, de dimensões “modestas”, foi encontrado dentro de uma cratera na Promethei Terra, uma zona montanhosa no hemisfério Sul de Marte. À primeira vista, as imagens captadas pelo Mars Reconaissance Orbiter mostram um único canal com vários metros de extensão, mas uma análise mais detalhada permitiu aos cientistas identificar quatro torrentes diferentes, cada uma delas transportando sedimentos para uma lagoa de retenção.

Analisando os sedimentos os cientistas concluíram que eles foram ali depositados em momentos diferentes: um dos agrupamentos apresenta pequenas crateras, que terão sido provocadas pelo impacto de fragmentos de meteoritos (que atingem a espaços regulares os planetas) enquanto os outros três surgem incólumes, o que indicia que são mais recentes.

Os cientistas acreditam que as marcas no agrupamento mais antigo foram provocadas pelo mesmo meteorito que gerou uma cratera maior, a mais de 80 quilómetros de distância e, usando técnicas de datação, concluíram que o impacto ocorreu há cerca de 1,25 milhões de anos. Ficou assim estabelecido que as torrentes de água mais recentes ocorreram depois daquela data. Isto significa que a água terá corrido à superfície de Marte muito depois do que se acreditava até agora.

A equipa concluiu ainda que as torrentes foram geradas pela fusão de depósitos de gelo que se terão formado longe dos pólos durante aquela que terá sido a mais recente era glaciar em Marte. Este arrefecimento foi provocado por uma maior inclinação do eixo do planeta e, quando há cerca de meio milhão de anos, a situação se alterou assistiu-se a pequenos degelos ou, na maioria dos casos, à sublimação da água (passagem do estado sólido ao estado gasoso).

A equipa estudou outras possibilidades para a formação destas canais – como a irrupção de águas subterrâneas – mas a hipótese foi afastada. “Não temos água suficiente para criar um lago onde se possam deitar peixes, mas temos água resultante de um degelo”, explicou Samuel Schon, primeiro autor do estudo, adiantando que este fenómeno “não durou muito, mas aconteceu”.

segunda-feira, 23 de novembro de 2015

Asteróide passa perto da Terra

Um pequeno asteróide passou ontem de “raspão” à Terra, de acordo com o Minor Planet Center (MPC) da União Internacional da Astonomia. O pequeno objecto passou a apenas 72 mil quilómetros da Terra, que representa um quinto da distância entre a Terra e a Lua e o dobro da distância da maioria de satélites de comunicações, segundo o site Sky and Telescope.

Esta pequena ameaça celeste, designada de 2009 DD45 - que se julga ter cerca de 30 metros - passou ontem por volta das 13h00 muito perto do nosso planeta.

O objecto foi detectado pela primeira vez no sábado por uma equipa de investigadores australianos e mais tarde confirmado pela MPC.

O mais recente objecto que se tinha avistado passar tão perto da Terra foi o 2004 FU162, um asteróide de seis metros que passou a mais de 6 mil quilómetros no nosso planeta, em Março de 2004.

Nos tempos recentes apenas um asteróide de dimensões semelhantes ao 2009 DD45 colidiu com a Terra. Há cem anos, a 30 de Julho de 1908, o Tunguska atingiu a terra na zona da Sibéria libertando força equivalente a 85 bombas como a de Hiroshima e derrubando 80 milhões de árvores.

Rafael Pereira

quarta-feira, 18 de novembro de 2015

Física e Química - Powerpoint sobre a Tabela Períodica


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segunda-feira, 16 de novembro de 2015

Física e Química - A radiação electromagnética


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sábado, 14 de novembro de 2015

Física e Química - Ficha de Avaliação - CEF


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quinta-feira, 12 de novembro de 2015

Física e Química - Powerpoint sobre Grandezas Físicas - Sistemas de Medida


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terça-feira, 10 de novembro de 2015

Física e Química - Powerpoint "O que é a Física"


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quinta-feira, 5 de novembro de 2015

"100 horas de Astronomia!" querem reunir o máximo de pessoas à volta do céu


Sair de casa, olhar através de um telescópio e sentir que fazemos parte de um planeta é o que se espera que as “100 Horas de Astronomia” consigam fazer. A partir de amanhã, dia 2 de Abril, e até domingo, 137 países, 80 observatórios mundiais e a Internet vão estar ligados nesta iniciativa para aproximar as pessoas da ciência que estuda o Universo.

A ideia é “levar a Astronomia a todo o mundo, em diversos eventos, para que as pessoas tenham oportunidade de vivê-la em várias vertentes, de uma forma concentrada”, disse por telefone ao PÚBLICO a co-coordenadora nacional do projecto, Nelma Alas Silva.

A iniciativa está integrada no Ano Internacional da Astronomia (AIA2009). Se as actividades ao longo do ano perfazem uma maratona para a divulgação e experimentação da Astronomia, os próximos quatro dias vão ser os “100 metros de velocidade”, revela Nelma Silva. Segundo Pedro Russo, português e coordenador internacional do AIA2009, o site internacional já reuniu mais de 2000 registos que anunciam iniciativas a decorrer em vários países. 

Por cá, a oferta atinge todo o continente e os Açores. “Temos observações [com telescópios] que vão desde Trás-os-Montes, Algarve, aos Açores. Localidades que não são centrais”, explicou a coordenadora.

Fotografar o espaço a partir de casa

“O nosso objectivo principal é pôr o máximo de pessoas possível a olhar para os telescópios”, sublinhou Pedro Russo ao PÚBLICO, por telefone. No site português do “100 Horas de Astronomia” estão descritas todas as iniciativas de observações telescópicas associadas a várias localidades do país. A observação do Sol, que é feita de dia, também vai ser uma aposta recorrente em vários locais. Mas quem preferir pode ir a palestras como a que decorre no sábado, no Porto, sobre a Astronomia nos Andes ou levar os filhos a passar a noite no planetário de Espinho. 

Para os que ficarem em casa, o serão não tem de ser menos activo. Estão reservados nove observatórios em todo o mundo exclusivamente para quem quiser tirar fotografias ao espaço. Basta fazer um registo e pode-se comandar os telescópios através da Internet. “Percebe-se o conceito de recolher imagens na Astronomia”, diz Pedro Russo, acrescentando que se tiver tempo, gostaria de fotografar uma galáxia, porque “são sempre objectos que escondem muitos segredos”. Mas a objectiva pode ficar apontada para bem mais perto e fotografar a Lua, Saturno ou o Sol.

Sexta-feira arranca a iniciativa "Volta ao Mundo em 80 Telescópios" que vai durar 24 horas sem parar. “A ideia principal é mostrar o que é trabalhar num telescópio, o que é o dia-a-dia dos astrónomos”, disse Pedro Russo. De 20 em 20 minutos, um destes 80 observatórios fica disponível na Internet, e mostra o que está a acontecer lá dentro, quem são os astrónomos, o que se observa, quais os instrumentos que se utilizam e que perguntas estão a tentar responder.

João Alves, director do Observatório de Calar Alto (que fica a 2150 metros de altitude, em Almeria, na Andaluzia, em Espanha) revelou que, durante a emissão, o observatório vai estar cheio de alunos. “Vamos ter um grupo de estudantes [dos últimos anos do ensino secundário na área de Ciências] que estão a fazer o trabalho de iniciação à investigação”, disse por telefone ao PÚBLICO, acrescentando que a ligação entre o observatório e o ensino é uma iniciativa recente que está a ter imensa adesão das escolas.

Durante os 15 minutos de emissão (em inglês), que se inicia às 23h00 (de Lisboa) de sexta-feira, os astrónomos vão responder a várias questões. “No fundo, é aproximar o observatório das pessoas. Como é o seu dia-a-dia, o que move as pessoas para passar uma semana no cimo da montanha”, reflectiu o português, que está surpreso com o envolvimento que o público tem tido durante o AIA2009.

O astrónomo revelou que vai estar “completamente ligado à Internet” durante a experiência. Segundo João Alves, ninguém se apercebe da poluição luminosa que vai aumentando e que está a “isolar-nos do Universo”. Estas iniciativas são importantes para “a nossa experiência humana, para as pessoas sentirem que fazem parte de um planeta”, assegurou.

terça-feira, 3 de novembro de 2015

Agência Espacial Europeia procura parceiros para detectar lixo espacial


A Agência Espacial Europeia (ESA) espera começar a vigiar o lixo em órbita da Terra nos próximos anos. “O objectivo é começar a oferecer serviços, nos próximos dois ou três anos, que dêem o alerta quando há riscos de colisão”, com satélites ou até com a Estação Espacial Internacional, adiantou Nicolas Bobrinsky, do Centro de Operações Espaciais da ESA em Darmstadt, na Alemanha. A ideia agora é tentar encontrar parceiros privados para investir nestes projectos.

Este é uma das notícias que saíram da V Conferência Europeia sobre Lixo Espacial, que decorreu em Darmstadt, juntando especialistas de 21 países. “Foi a maior conferência de sempre dedicada a este assunto”, diz um comunicado da ESA. Talvez tenham contribuído para esta assistência recorde o alerta recentemente lançado para a Estação Espacial Internacional (ISS), em que os três astronautas a bordo se refugiaram na cápsula Soiuz, devido à aproximação de um pedaço de lixo orbital que poderia fazer estragos, até à colisão entre satélites em órbita, um norte-americano e outro russo.

O lixo em órbita é um pouco de tudo o que os homens mandaram para o espaço, desde que o primeiro satélite artificial, o Sputnik, foi lançado pela União Soviética, a 4 de Outubro de 1957. Há até uma luva de astronauta em órbita, mas muitos destes detritos são pedaços de satélites, e até fragmentos de ferrugem. Alguns detritos são muito pequeninos, mas mesmo assim colocam um grande risco: um buraquinho numa parede de um dos módulos da estação espacial russa Mir, destruída a 23 de Março 2001 (foi deixada cair no Pacífico), obrigou a encerrar essa parte da plataforma orbital durante meses, até que pudesse ser remendado o furo. Para o fazer, teve de entrar lá um cosmonauta russo, fardado como se estivesse a fazer uma saída para o espaço, armado com ferramentas e material para tratar do estrago.

Os cientistas e engenheiros espaciais estão cada vez mais preocupados com esta poeira de lixo que rodeia o planeta. 

Hoje em dia, os alertas sobre fragmentos que passam demasiado próximo de satélites e da ISS são dados pelos Estados Unidos, que vigiam o lixo espacial através de radares em terra. A precisão dos seus alertas é de cerca de 100 metros, e conseguem detectar detritos que têm até um centímetro – “o que é o limite que suportam as protecções nas naves e satélites”, comentou Heiner Klinkrad, o principal especialista em lixo espacial da ESA, citado pela agência noticiosa AFP. 

A capacidade da ESA é hoje em dia muito mais limitada: não consegue detectar fragmentos de lixo com menos de um metro de diâmetro, e a precisão é de apenas um quilómetro. Mas a agência europeia quer mesmo investir em melhorar as suas capacidades.

Durante o último ano, têm-se feito testes em três laboratórios ligados à ESA: num radar em Wachtberg, no noroeste da Alemanha, num radiotelescópio de 100 metros em Effelsberg, também na Alemanha, e numa rede de estações de radar, chamada Eiscat, na Finlândia, na Noruega e na Suécia. “Usando as capacidades destas instalações, poderíamos detectar objectos com um centímetro de diâmetro em órbitas baixas e seguir a rota daqueles que tivessem quatro centímetros ou mais”, disse Klinkrad, citado pela AFP. 

Existem cerca de 600 mil objectos com mais que um centímetro em órbita do planeta, dos quais 13 mil têm mais que dez centímetros, diz a ESA. Estes detritos podem levar anos, décadas ou até mais até que a gravidade da Terra os puxe para entrarem na atmosfera, onde ardem. As piores zonas de poluição espacial são a da órbita baixa (entre 800 e 1500 quilómetros de altitude), e na zona da órbita geoestacionária (35 mil quilómetros de altitude). A ISS, em princípio, não fica na zona pior: orbita a cerca de 350 quilómetros de altitude. 


domingo, 1 de novembro de 2015

Sonda da ESA lançada com sucesso a partir de cosmódromo russo

A sonda Goce, da Agência Espacial Europeia (ESA), foi lançada hoje com sucesso e já se separou do foguetão que a enviou para o espaço. A Goce saiu do Cosmódromo russo de Plesetsk, no Norte do país, às 14h21 (hora de Lisboa).

A Goce vai analisar as variações gravitacionais da Terra, permitindo aos cientistas aprofundar o conhecimento da estrutura do planeta e proporcionar detalhes acerca dos movimentos oceânicos. O satélite faz parte de um conjunto de sondas que vão estudar a Terra.

“Temos financiamento para 24 satélites preparados para serem lançados durante a próxima década, algo como mil milhões de euros a despender por ano”, disse Stephen Briggs, o director do departamento de ciências de observação terrestre da ESA. “Isto permite-nos ter um papel maior, a nível mundial, em proporcionar um sistema global de observação da Terra”, disse o cientista à BBC News.

A Goce vai ficar a 263 quilómetros de altitude para medir as pequenas variações na gravidade terrestre. Ao ficar a conhecer as mudanças gravitacionais do planeta poderá seguir a direcção e a velocidade das correntes oceânicas e assim perceber como é que os oceanos transportam o calor pelo globo. Com esta informação é possível melhorar-se os modelos informáticos que prevêem as alterações climáticas.

As medições vão ter início em Agosto.
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