segunda-feira, 27 de fevereiro de 2017

Biografia de Albert Einstein

sábado, 25 de fevereiro de 2017

Grandes biografias - Thomas Edison

quinta-feira, 23 de fevereiro de 2017

Biografia de Hawking

terça-feira, 21 de fevereiro de 2017

Lise Meitner (1878-1968)


Química e investigadora austríaca, deu grande glória ao seu país de adopção (Suécia). Pelo facto de ser judia, foi uma das muitas pessoas forçadas ao exílio, como Fritz Lang, Albert Einstein, ou como a matemática Emmy Noether. Lise Meitner, em 1938, partiu para a Suécia, depois da Áustria ter sido anexada pela Alemanha. No seu país chegou a dirigir o Instituto Kaiser Wilhelme. Foi docente da Universidade de Berlim. Estudou e fez investigação com o químico Otto Hahm, que recebeu o Prémio Nobel da Química, em 1944, quando diversas vozes se levantaram, dizendo que o prémio deveria ter sido partilhado pelos dois. Estudou a fusão nuclear. Defendeu o uso da energia nuclear para fins de paz e progresso. Recebeu cinco vezes o doutoramento honoris causa. Concederam-lhe a prestigiada medalha de ouro de Max Plank (célebre físico alemão). As suas investigações despertaram grande apreço pela sociedade científica do Reino Unido, onde viveu e morreu.

Biografia retirada daqui

domingo, 19 de fevereiro de 2017

Luís Pasteur


Hoje, quando tossimos em público, temos o hábito de colocar a mão na boca. Não é apenas por boa educação, esse pequeno gesto generalizou-se no início do séc. XX, depois do cientista Luís Pasteur ter descoberto anos antes que os micróbios se podem transmitir entre as pessoas apenas pela tosse. Pelo seu contributo para a cura de inúmeras doenças através de vacinas Pasteur podia ter sido o primeiro Prémio Nobel da Química e Medicina, porém, morreu um pouco cedo de mais e o seu contemporâneo sueco Alfredo Nobel só em 1896 decidiu criar esse prestigiado galardão, atribuído apenas a partir de 1901. 
             A segunda metade do séc. XIX foi o primeira grande época das descobertas científicas na química, medicina e princi-palmente biologia – e contou com um número considerável de grandes investi-gadores que transformaram o mundo, até aí pasto de mortíferas e inexplicáveis doenças, num planeta onde a mortalidade infantil começou a decrescer visivelmente. No séc. XX, as vacinas, os antibióticos e as anestesias permitiam que o sofrimento físico da humanidade fosse significativamente reduzido. Hoje esquecemos como eram comuns epidemias que devastavam números astronómicos de pessoas em vastas regiões dos continentes europeus, africano e asiático, às portas do séc. XX. Em finais de Setembro de 1892 grassava uma epidemia de cólera na Europa que abrangia a Alemanha, Áustria, Bélgica, França e parte da Rússia, ao ponto de ser notícia de primeira página no jornal português O Século. A população de Portugal, devido à situação geográfica e à pouca mobilidade das pessoas, não foi contaminada. 
             Na base da cura de doenças epidémicas estiveram investigações e estudos levados a cabo, na maior parte dos casos, não por médicos mas por químicos. A Europa de 1815 assistiu à derrota de Napoleão em Waterloo. Em1831 Charles Darwin partiu para a sua viagem à volta do mundo para estudar as origens das espécies. Entre estes dois acontecimentos, nasceu a 27 de Dezembro de 1822, em Dale, no Leste de França, Luís Pasteur, terceiro filho de Jean-Joseph Pasteur, industrial de peles. Luís frequentou a escola de Arbois e em 1839 entrou para o Colégio Real e Besançon para cursar Letras e Ciências, mas curiosamente não teve grande nota a Química, disciplina que o tornaria famoso e admirado. Seguiu-se a Escola Normal Superior, em 1843, tendo-se distinguido como bom aluno nas Cadeiras de Física, Matemática e Química. Os colegas admiravam a sua vontade indomável e as muitas horas que dedicava ao estudo. 
             Pasteur fez o doutoramento em Ciências, a 23 de Agosto de 1847, apenas com 25 anos. Nesse tempo a ignorância sobre as bactérias era grande e não se sabia que estavam espalhadas no ar, por todo o lado. O médico húngaro Ignaz Semmelweisse, nesse mesmo ano aconselhava todos os médicos a lavarem bem as mãos com água e sabão. Esse simples gesto fez decrescer significativamente o número de parturientes que sucumbia, devido a febres contraídas logo após o parto, provocadas por germes. Mais tarde Pasteur estudaria também os efeitos dos micróbios (termo que data de 1878) causadores das febres puerperais. 
             Um dos fundadores da química orgânica foi Jean-Baptiste Dumas, que Pasteur sempre considerou o seu pai espiritual, a cujas aulas assistiu na Sorbonne e que foram o incentivo para que o jovem Luís estudante se sentisse atraído em prosseguir os estudos da química do sangue. Depois, entre 1844 e 1847, Pasteur irá estudar os ácidos contidos nos frutos observando-os ao microscópio e expondo-os à luz polarizada, até chegar a conclusões inéditas. Foi o seu primeiro triunfo científico, que apresentou publicamente na Academia das Ciências de Paris. Já professor de Química em Estrasburgo, aos 27 anos, casa com Marie Laurent, filha do reitor da universidade dessa cidade, e tiveram cinco filhos, tendo apenas dois chegados à idade adulta. As mortes de dois filhos ainda muito pequenos com febre tifóide afectaram vivamente o casal Pasteur e foram decisivos para o prosseguimento dos estudos e investigações sobre as doenças causadas por micróbios. Porém Pasteur ficou sobretudo famoso pela descoberta da vacina contra a raiva, em particular pela circunstância de estar em risco a vida e uma criança.
             É mundialmente conhecido o caso do rapazinho alsaciano de nove anos, José Meister, que, em Julho de 1885 foi mordido catorze vezes por um cão com a doença da raiva. A mãe suplicou a Pasteur que lhe salvasse o filho. Até à data ninguém sobrevivera a estas mordeduras. O cientista esteve hesitante, porque ainda só testara a sua vacina em animais e era um risco enorme experimentá-lo num ser humano. Pasteur disse mesmo ao seu colega de investigação Emílio Roux que estava disposto a servir ele próprio de cobaia para poder testar a reacção. Porém surgiu esta emergência e Pasteur passou momentos de angústia até se decidir. E pensou: se o rapaz morre depois de vacinado? Como as hipóteses de sobrevivência sem vacina eram nulas, arriscou. Luís Pasteur era químico e hoje diríamos biólogo, mas não era médico, por isso não podia ser ele a ministrar a vacina sob pena de ser processado. Pediu então ao dr. Grancher, seu assistente que o fizesse. Sessenta horas depois de ter sido mordido, José Meister recebeu a primeira de 12 injecções anti-raiva, que lhe foram sendo injectadas uma após outra sob apertada vigilância. Família e cientistas aguardaram várias semanas. Por fim o jovem sobreviveu. Este jovem ficou para sempre agradecido a Pasteur e deu mesmo a vida por ele, já vamos saber como e quando. 
             A repercussão do sucesso da vacina anti-rábica foi tal que a Academia das Ciências desenvolveu um projecto para criar uma instituição de investigação (futuro Instituto Pasteur) que foi bem acolhido no estrangeiro, tendo o próprio czar Alexandre III contribuído com cem mil francos. O Instituto foi inaugurado em 1888, no mesmo ano em que Vicent Van Gogh pintava na Provença, a sequência dos «Girassóis». 
             Pasteur foi admitido como membro da Academia de Medicina, em 1873 e em 1882 na Academia Francesa, prestigiadas instituições. 
             Em 1940, na 2ª Guerra Mundial, quando as tropas de Hitler invadiram a França, um grupo de militares quís forçar a entrada do Instituto Pasteur – onde repousam, numa cripta os restos mortais de Pasteur. José Meister era o responsável pela segurança e, ao verificar que não conseguia impedir os nazis entrassem, suicidou-se (os cientistas nazis tinham a paranóia de estudar os cérebros de pessoas consideras génios). Mas o cérebro de Pasteur não foi roubado. 
             Luís Pasteur já entrara na História pela sua descoberta, mas o seu contributo para a Humanidade foi muito maior. O estudo da fermentação levá-lo-ia a descobrir o porquê dos vitivinicultores, de diversas zonas do seu país verificarem, com tanta frequência que os seus vinhos se transformavam em vinagre, sendo uma enorme perca para a economia francesa. E isto passou a ser particularmente grave a partir de 1860, depois de assinado o tratado comercial entre a França e a Grã-Bretanha, por se verificar que grande percentagem dos vinhos não resistiam à viagem, estragando-se irremediavelmente. Nessa época a França produzia 50 milhões de hectolitros de vinho por ano. A perda do precioso líquido era uma calamidade. O imperador Napoleão III (sobrinho de Napoleão Bonaparte) pediu a Pasteur que investigasse o porquê da fermentação do vinho e proporcionou-lhe as melhores condições de trabalho, equipando laboratórios para que o grande químico pudesse dedicar-se inteiramente a essa investigação. Foi criado, em 1867 o laboratório de físico-química expressamente para Pasteur, na Escola Normal Superior. Depois de aturados estudos o cientista descobriu que submetendo o vinho a um aquecimento elevado durante alguns segundos, e logo de seguida, a um repentino abaixamento da temperatura a menos de dez graus, matava os germes que alteravam os líquidos. Este sistema foi depois utilizado na cerveja e vinho, daí o termo «pasteurizado» que todos conhecemos.
             O cientista ao verificar a disseminação de germes no ar lançou as bases da microbiologia (1858-1864). Também estudou a doença que atacava os bichos-da-seda ainda em casulo. Como se sabe, a França tem uma centenária tradição de fabrico de seda natural e as descobertas de Pasteur tiveram uma imensa repercussão na economia do País. Modesto e simples Pasteur recusou receber cem mil francos pelos direitos da vacina contra o carbúnculo que até então dizimava os carneiros da África do Sul e recordava com pesar que o seu colega alemão Liebig tinha autorizado que o seu nome fosse comercializado nas famosas sopas enlatadas. Hoje poucos sabem que Justus von Liebig (1803-1873) foi um eminente químico alemão que estudou a fermentação dos frutos e legumes e foi o fundador da química orgânica, em 1840. 
             Na vida do casal Pasteur também havia convites irrecusáveis, como aquele que lhes foi feito pelo Imperador Napoleão III para irem passar uns dias com o casal imperial a Compiègne. Napoleão III foi casado com uma espanhola a imperatriz Eugénia do Montijo, extremamente bonita e que morreu com mais de 90 anos. 
             Pasteur aos 46 anos é vítima de uma trombose que lhe paralisou o lado esquerdo do corpo, mas continuou a trabalhar, mas sabe-se que o cientista era difícil no trato com os colaboradores. Um deles queixava-se. «É uma excelente pessoa, excepto quando trabalhamos com ele. Aí, é inflexível e autoritário».
             Por essa época o médico e cientista Robert Koch (1843-1910), prémio Nobel da Medicina em 1905, descobriram, com base nas investigações de Pasteur, que o germe do antraz (doença grave detectada primeiro nos animais e de fácil propagação aos humanos) poderia ser estudado em laboratórios. Koch descobre a cura da tuberculose, que foi conhecida como «bacilo de Koch.» Mas Pasteur também tinha as suas intolerâncias e não quís trabalhar com Koch, porque este, além de alemão, tinha sido militar e lutado contra a França na sangrenta guerra franco-prussiana entre 1870-1871. 
             Pasteur passou a usufruir de uma pensão dada pelo governo de Napoleão III, a partir de 1887. Sempre a trabalhar em 1882 descobre a cura do carbúnculo. Aos 70 anos recebeu da III República Francesa uma grandiosa homenagem, na Sorbonne, estando presentes representantes dos Governos de Itália, Rússia, Suécia, Alemanha e Turquia. Deve-se à rainha D. Amélia de Orleães e Bragança, de origem francesa teve a iniciativa de abrir em Portugal o primeiro Instituto Pasteur. 
             Luís Pasteur morreu a 28 de Setembro de 1895 e a viúva opôs-se a que fosse para o Panteón onde repousam os notáveis de França. No ano seguinte passou a repousar numa cripta especialmente concebida para ele no Instituto Pasteur. As cerimónias fúnebres ocorreram em 5 de Outubro no Palácio de Versalhes e tiveram as honras de um funeral de Estado. O cortejo fúnebre saiu da basílica de Nôtre-Dame e o presidente da República Feliz Faure esteve presente. O rei D. Carlos de Portugal fez-se representar pelo seu ajudante de campo e o elogio fúnebre coube a Poincaré, ministro da Instrução. Pasteur ocupa um lugar cimeiro na Ciência mundial do séc. XIX. 

Informação retirada daqui

quarta-feira, 15 de fevereiro de 2017

Alfred Nobel

Alfred Nobel (1833-1896) foi o criador do Prémio Nobel. Inventou a dinamite, a balistite e outros detonantes. Era químico e industrial sueco. Usou sua fortuna para ajudar as organizações pacifistas e, antes de morrer, deixou seus bens para uma fundação que premiasse anualmente, cinco personalidades de destaque mundial da física, química, medicina, literatura e em especial a quem contribuísse de maneira notável para a paz entre os homens, receberia o Prémio Nobel da Paz.

Alfred Nobel (1833-1896) nasceu em Estocolmo, Suécia, em 21 de outubro. Seu pai modesto agricultor, resolveu estudar engenharia militar e já formado foi convidado pelo governo Russo a trabalhar na construção de engenhos militares. Partiram para a Rússia e em pouco tempo já possuíam jazidas petrolíferas em Baku, ao sul da Rússia.

Alfred e os irmãos Robert e Ludwig foram educados por professores particulares. Estudou em São Petersburgo e aos 16 anos já era um químico competente. Falava inglês, francês, alemão, russo, além de sueco. Foi mandado para os Estados Unidos, onde passou um ano trabalhando com Johan Ericsson, um engenheiro sueco. Voltou com capacidade para dirigir a exploração de petróleo, mas sua ambição era fazer experiências com explosivos, que mal se conhecia naquele tempo.

De volta à Suécia Alfred e seu pai montam um laboratório de pesquisas, na cidade de Helenborg, próximo a Estocolmo. Começam as pesquisas com nitroglicerina e em pouco tempo Alfred descobre a forma de fazer detonar essa substância. Uma explosão destruiu todo o laboratório, várias pessoas morreram entre elas, um irmão.

Proibido pelo governo de reconstruir a fábrica e estigmatizado como "cientista louco", Nobel instalou fábricas na Alemanha e Noruega. Os acidentes não cessaram, mas em 1866, Nobel descobre a maneira de minimizar o perigo de manusear a nitroglicerina, ao misturá-la com um material inerte e absorvente, que só explodia com um detonador especial. Nobel batizou o produto de dinamite.

O invento permitiu-lhe multiplicar suas fábricas. Em 1875 era dono de centros produtores de dinamite em vários países da Europa e nos Estados Unidos. Continuando suas pesquisas inventou a balistite, uma pólvora, que logo foi usada em vários países para fins militares.

Nobel acumulou grande fortuna com suas fábricas. Solitário, sem filhos e abalado com a utilização de seus inventos para fins bélicos, Usou parte de sua fortuna para ajudar as organizações pacifistas. Determinou que após sua morte, uma fundação patrocinasse anualmente, a entrega de cinco prêmios para quem se destacasse em física, química, medicina, literatura e quem contribuísse para a paz mundial.

Alfred Bernhard Nobel morreu em San Remo, Itália, em 10 de dezembro de 1896. A Fundação Nobel foi criada no dia 29 de junho de 1900. Desde 1902 quatro prêmios são entregues pelo Rei da Suécia e o Nobel da Paz é entregue em Oslo, na Noruega.

Biografia retirada de e-biografias

sexta-feira, 10 de fevereiro de 2017

A deriva do efeito Doppler

O efeito Doppler é um dos pilares em que se baseia a aceleração e expansão do Universo, tal como descobriu Hubble. O Universo evolui de forma dinâmica, em vez de ser estático. Por isso, a grande descoberta, feita nos anos 90, acerca do aumento da velocidade de recessão das galáxias em tempos cosmológicos relativamente recentes, introduziu a energia escura como o constituinte largamente maioritário da totalidade da massa-energia do Universo.

As medições do desvio Dop­pler para o vermelho (simbolizado por z) de um objecto devido à expansão do espaço-tempo no Universo não serão constantes se a velocidade de recessão não for constante ao longo do tempo, como sabemos que não é! Medir directamente a evolução do z de um objecto permitiria descartar ou suportar diferentes modelos cosmológicos que sugerem diferentes dinâmicas, com todas as implicações que isso traz para a energia escura. Trata-se pois de cosmologia quase em tempo-real!

Terá sido A. Sandage o primeiro a propor tal ideia, em 1962, sendo hoje a deriva do efeito de Doppler conhecida por vezes como “efeito Sandage-Loeb”. Este último sugeriu, mais recentemente, o uso de linhas espectrais de quasares muito distantes para estudar a deriva do z de cada objecto. Ora, devido à desaceleração da expansão do Universo que se verifica nestes quasares a distâncias cosmológicas, pensa-se que o seu espectro tenha uma deriva, ao fim de uma década, associada a velocidades da ordem de alguns centímetros por segundo. Estes valores são extremamente pequenos e cerca de 10 a 20 vezes menores do que podem hoje medir os maiores telescópios do mundo equipados com os melhores espectrómetros disponíveis. Espera-se, porém, que os futuros telescópios, planeados para entrar em funcionamento em torno de 2020, como o Telescópio Europeu Extremamente Grande (EELT, na sigla inglesa), possam ter a sensibilidade e a capacidade para medir diferenças tão pequenas em espectros ultra-estáveis.

Quem diz desaceleração do Universo mais primitivo, mutatis mutandis, aplica o conceito da deriva do Doppler ao Universo a z<1, onde se observa uma expansão acelerada por maior influência da energia escura, cuja natureza é anti-gravítica.

Os construtores de espectrómetros estão confiantes na possibilidade de medir desvios espectrais associados a velocidades de 1 cm/s durante períodos muito longos. Há, por isso, quem não queira esperar pelo EELT e proponha já medidas feitas ao longo de uma década para medir efeitos tão pequenos. A procura de exoplanetas usando espectrómetros notáveis como o HARPS, instalado no telescópio de 3,6 metros de La Silla (onde se descobriu cerca de um terço dos exoplanetas conhecidos), tem mostrado o caminho a seguir neste domínio instrumental. Pensa-se, porém, que mesmo com o EELT, para conseguir resultados estatisticamente sólidos, será necessário conduzir observações ao longo de cerca de 15 anos. Ainda assim, será notável, no tempo de uma vida humana, conseguir medir a mudança da velocidade de expansão do Universo!

A descoberta de mais quasares brilhantes a z ainda mais elevado (tarefa que me ocupa dias e noites) contribuirá para melhorar os resultados destas futuras medições. O estudo das linhas espectrais destes quasares servirá ainda para testar a variação no tempo de “constantes” fundamentais em física, como a constante de estrutura fina. As técnicas espectroscópicas a empregar são as mesmas, testando-se então também modelos de super-cordas, novos campos escalares e energia escura associados a esta hipotética variação.

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quinta-feira, 9 de fevereiro de 2017

Estimativa da NASA reduz número de asteróides perigosos para a Terra

São muitos, mas não são assim tantos, e o perigo que representam poderá ser mais remoto do que se pensava, disse a NASA nesta quinta-feira, depois de dar a conhecer uma nova estimativa dos asteróides que existem nas imediações da Terra, os corpos que aniquilaram os dinossauros e de quando em vez fazem estragos ao embater contra o nosso planeta. O estudo foi agora publicado na revista The Astrophysical Journal.

A Agência Espacial Norte Americana revelou ainda que já foram encontrados 93 por cento dos objectos com mais de um quilómetro de diâmetro, e que representam o maior perigo. “O risco de um grande asteróide chocar contra a Terra antes de sermos avisados foi reduzido substancialmente”, disse em comunicado Tim Spahr, director do Centro de Planetas Menores, que pertence ao Centro Smithsonian para Astrofísica de Harvard.

A análise foi feita pelo Wide-field Infrared Survey Explorer, também conhecido por WISE, um telescópio espacial que consegue ler luz infra-vermelha e assim detectar os asteróides através do calor que libertam. A missão, a que se chamou NEOWISE, estimou a existência de cerca de 19.500 asteróides com um tamanho médio. Anteriormente, as estimativas davam conta da existência de 35.000 corpos com o diâmetro entre os 100 e 1000 metros.

Estes corpos podem destruir uma área metropolitana. Embora ainda não se tenham encontrado todos os corpos, calcula-se que o perigo seja mais reduzido do que se pensava. Mais a mais, porque os asteróides maiores são os mais facilmente descobertos. Dos 15.600 corpos com um diâmetro entre os 100 e os 300 metros que foram estimados, só se encontraram dois mil. Mas a percentagem de objectos conhecidos sobe com o tamanho: dos 2400 objectos previstos com 300 a 500 metros encontraram-se 1100 e dos 1500 asteróides com tamanho entre 500 e 1000 metros, já se descobriram 1200.

“O NEOWISE permitiu fazer uma observação de uma fatia mais representativa dos números de asteróides que existem perto da Terra e fazer uma melhor estimativa de toda a população”, disse Amy Mainzer, autora do novo estudo e investigadora principal do projecto, que decorreu no laboratório Jet Propulsion, na Califórnia. “É como um censo à população, onde se olha para um pequeno grupo para tirar conclusões sobre todo o país”, disse em comunicado.

O aparelho observou mais de 100.000 asteróides na cintura de asteróides que se situa entre Marte e Júpiter e olhou para mais 585 objectos perto da Terra para tirar estas conclusões. Esta estimativa considera os asteróides que orbitam a menos de 195 milhões de quilómetros do Sol, um raio que termina entre a Terra e Marte.

Em relação aos grandes objectos, estima-se que existam ao todo 981 asteróides com mais de um quilómetro de diâmetro, menos 19 do que a última estimativa. Dos 981 já foram encontrados 911 e acredita-se que são conhecidos todos os asteróides com cerca de dez quilómetros de diâmetro – a classe de tamanho a que pertence o corpo que embateu na Terra no final do Cretácico e matou os dinossauros. “Nenhum representa um perigo para a humanidade nos próximos séculos”, diz o comunicado.

Em 1998, o Congresso dos Estados Unidos definiu o objectivo para a NASA de detectar mais de 90 por cento dos asteróides com um ou mais quilómetros de diâmetro.

quarta-feira, 8 de fevereiro de 2017

Há um oceano salgado sob o gelo da sexta lua de Saturno

Encelado, a sexta lua de Saturno, gelada à superfície, deve esconder um oceano salgado sob o gelo. É o que concluíram os cientistas que estudaram a análise das partículas sólidas dos géisers gigantes que saem do pólo sul deste pequeno satélite do planeta dos anéis feita por instrumentos a bordo da sonda Cassini da NASA: são sobretudo grãos de sal.

Na verdade, 99 por cento dos materiais sólidos que são lançados para o espaço nesses jactos de vapor de água e gelo, que saem de fissuras na superfície conhecidas como Listas de Tigre, são partículas ricas em cálcio e potássio, diz um comunicado do Laboratório de Propulsão a Jacto da NASA. “Não há outra forma plausível de produzir um fluxo constante de grãos ricos em sal a partir de gelo sólido para além da existência de água salgada sob a superfície gelada de Encelado”, diz Frank Postberg, o cientista da Universidade de Heidelberg, na Alemanha e membro da equipa da Cassini que é o principal autor deste trabalho, publicado on-line na Nature.

Os jactos de gelo e vapor de água foram descobertos em 2005, e tem-se falado na possibilidade de existir um oceano subglacial desde então — se existisse mesmo, seria um bónus para a busca de vida no nosso sistema solar e algures no Universo. Se os grandes planetas não têm condições para que haver vida, por que não olhar para as suas luas?

O trabalho da equipa de Postberg aponta para um oceano salgado a cerca de 80 quilómetros de profundidade. Mas existe um outro reservatório de água salgada mais perto da superfície, que alimenta directamente as fracturas dos géisers. Calculam os cientistas que se perdem cerca de 200 quilos de vapor de água e gelo por segundo nestas plumas, que criam o anel E de Saturno, coincidente com a órbita de Encelado em torno do planeta dos anéis.

terça-feira, 7 de fevereiro de 2017

O meridiano de Greenwich

A data de 11 de Agosto de 1675 corresponde à fundação do Observatório Astronómico de Greenwich, instituição que se tornaria fulcral na consolidação de um método rigoroso para estabelecer a longitude terrestre, coordenada pela qual é possível saber se um determinado lugar (em terra ou no mar) se encontra para Este ou para Oeste de um ponto (ou linha) considerado como referência.

Na verdade, a preocupação já era antiga, julgando-se terem sido Eratóstenes e, posteriormente, Hiparco (cerca de 150 anos antes do início da nossa era) os primeiros a proporem o uso de duas coordenadas para definir um lugar na superfície terrestre. Considerada a Terra como um globo, era relativamente fácil conhecer a latitude pela elevação da estrela polar mas, quanto à longitude, para além de imaginar um conjunto de linhas (meridianos) indo de um ao outro pólo, era indispensável tomar um desses meridianos como referência e possuir um método de, num local a Este ou a Oeste de tal referência, conhecer o deslocamento em relação a esse meridiano. No entanto, demorou algum tempo até se obter concordância acerca de tal "referência", tendo sido ultrapassado um período em que cada país produzia as suas cartas de navegação com base no seu "meridiano zero", razão por que ele foi admitido na ilha do Ferro (a mais ocidental do arquipélago das Canárias), nas ilhas de Cabo Verde, em Londres, Lisboa, Paris e na Madeira, tendo até a ilha do Pico sido sugerida para tal função.

Mais importante do que obter consenso quanto à localização da linha de "origem" da contagem da longitude, era conseguir um método rigoroso de a conhecer, o que gerou alguns esforços, nomeadamente o estabelecimento de prémios. Em 1598, Filipe III de Espanha propõe uma generosa quantia a que Galileu se candidata, oferecendo-se para "trabalhar em Lisboa", e, mais de 100 anos depois, é o governo inglês a tomar iniciativa idêntica, de que viria a surgir o primeiro "cronómetro de marinha", instrumento capaz de manter a hora (com rigor) à custa da sua capacidade de resistir aos balanços dos navios, a grandes diferenças de temperatura e a altos graus de humidade.

Acreditava-se então que bastaria, em alto mar, conhecer a hora de referência e – pela determinação do meio-dia solar (o momento em que o Sol atingia a sua altura máxima) – estabelecer a diferença de "horas" entre o local de referência e o local de "observação". A correspondência entre uma hora e 15 graus daria a diferença de longitude entre os dois lugares e, consequentemente, o valor correspondente ao local onde a avaliação era efectuada.

Na Conferência Internacional do Meridiano, realizada em Washington, em 1884, vinte e seis países concordaram em usar o meridiano que passa por Greenwich como referência, embora alguns, como França e Portugal, continuassem – por mais algum tempo – a usar os seus próprios meridianos, Paris e Lisboa, respectivamente. Só em 1911 se estabeleceu, em Portugal, a subordinação da hora legal ao meridiano de Greenwich.

O mês de Agosto, período de férias para a maioria dos cidadãos é, muito particularmente por isso, ocasião que permite afastar dos grandes centros urbanos (onde a forte poluição luminosas "apaga" a maioria das estrelas) e, simultaneamente, passar algum tempo a contemplar o céu, de modo mais ou menos descontraído.

Para além das "estrelas cadentes" que parecem "cair" da constelação de Perseu (daí a designação de "Perseidas"), bem visível ligeiramente abaixo de Cassiopeia, mas só a partir da meia-noite, este mês de Agosto oferece ainda a visão de um interessante "bailado" de planetas, em particular Vénus, Marte e Saturno. O primeiro (e mais brilhante), por se deslocar mais rapidamente, vai ultrapassar Saturno e Marte, estando também este último a passar pelo lento Saturno que, por mais alguns meses, "permanecerá" na constelação do Leão.

Em locais de pouca iluminação, a Via Láctea é bem visível durante toda a noite, pelo menos até meados do mês, ocasião em que o luar começará a tornar-se mais intenso e, por isso, a diminuir a visibilidade da mancha esbranquiçada que atravessa todo o céu, elevando-se desde a cauda do Escorpião (praticamente a Sul) e descendo depois para Norte, "passando" sobre a Cassiopeia e o Perseu.

A Lua encontrar-se-á com Mercúrio no dia 12 (dois dias depois de Lua Nova), ocasião em que se apresenta como um fino crescente, passando depois por Vénus, Marte e Saturno, enquanto Mercúrio será "apanhado" pelo Sol, deixando de ser observável. Perto da data de Quarto Crescente, a Lua "passear-se-á" pela Balança e pelo Escorpião, sendo então interessante a sua passagem nas "proximidades" da estrela Antares. Na noite de 17 de Agosto ver-se-á a Lua (se o céu estiver limpo) como que a roçar o brilhante ponto avermelhado que – segundo os antigos – marcava o coração do Escorpião. Naturalmente, na noite seguinte a situação ter-se-á alterado, dado que a Lua se apresentará francamente deslocada para a esquerda de Antares.

No lado norte, é bem evidente que a Ursa Maior se encontra bem mais "tombada" para Noroeste do que há um mês (feita a observação a uma mesma hora), enquanto que no outro lado (a Nordeste) a Cassiopeia se apresenta bem elevada, trazendo consigo o Perseu, constelação que se verá bem acima do horizonte a partir da meia-noite.

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segunda-feira, 6 de fevereiro de 2017

Observações da sonda Messenger obrigam a repensar formação de Mercúrio

Não há nada como ver os objectos de perto para os conhecer melhor, e a última vez que se olhou com atenção para Mercúrio foi há 37 anos, com a sonda Mariner 10. Teorias sobre o planeta mais pequeno do Sistema Solar foram feitas a partir destes resultados, mas tudo mudou com a Messenger. A sonda lançada em 2004 começou a orbitar o planeta a 18 de Março deste ano e os dados dos primeiros 90 dias já obrigaram os cientistas a deitar fora aquelas teorias, de acordo com sete artigos publicados nesta quinta-feira na revista Science.

“A presença em abundância de enxofre e potássio na superfície de Mercúrio mostra que o planeta não sofreu as altas temperaturas no início da sua história que pareciam prováveis nas teorias sobre a formação de Mercúrio”, disse Sean Solomon, um dos vários autores dos sete artigos, que trabalha no Instituto Carnegie, em Washington, e que foi o cientista escolhido pela Science para comentar o trabalho, através de um podcast.

Solomon explica que o tamanho de Mercúrio e as forças gravíticas entre os planetas do Sistema Solar levaram gerações de cientistas a concluir que a quantidade de ferro presente no planeta tinha que ser muito maior do que a que existe nos outros planetas do interior do Sistema Solar - Vénus, Terra e Marte. Ou seja, Mercúrio é um planeta densíssimo, com um terço do diâmetro da Terra, com imenso ferro. Em 1974, a Mariner 10, que fez três aproximações a Mercúrio - mas que nunca orbitou o planeta como a Messenger - confirmou esta visão.

As teorias que foram nascendo sobre a sua formação envolviam ou altas temperaturas vindas do Sol, que queimaram uma parte mais externa e mais rochosa do planeta e deixaram a versão mais pequena e mais metálica que hoje conhecemos, ou um outro objecto com um tamanho semelhante ao de Mercúrio que embateu contra este e arrancou essa camada mais rochosa, com a ajuda de altas temperaturas. Em ambos os casos e de acordo com o que se sabe hoje, se isto realmente tivesse acontecido, grande parte do potássio e do enxofre que se encontrou agora à superfície do astro teria sido volatilizada. Por isso, o cientista é peremptório: há que “repensar todas as ideias sobre a formação de Mercúrio”.

Um espectrómetro de raio-X foi o instrumento que permitiu medir estes elementos na superfície do planeta e faz parte dos seis instrumentos principais da Messenger, cujo nome é uma espécie de acrónimo para Mercury Surface, Space Environment, Geochemistry and Raging.

Os instrumentos trouxeram mais surpresas. Os cientistas descobriram uma camada de lava solidificada que cobre seis por cento da área do planeta, o equivalente a três quintos dos Estados Unidos, e tem uma espessura de mais de um quilómetro. A lava brotou de rachas na superfície em grandes quantidades, num fenómeno de vulcanismo que durou pouco tempo e aconteceu entre 3,5 e quatro mil milhões de anos atrás. Esta lava seria tão quente que derretia a superfície, provocando sulcos.

A equipa também descobriu uma paisagem nunca vista, formada por muitos buracos sem bordas salientes, que ocorrem em zonas de substratos brilhantes no meio de crateras de impacto de meteoritos. “A melhor explicação é que há um material destes depósitos que sublimou”, defendeu Solomon. As altas temperaturas diurnas de Mercúrio podem ter volatilizado alguma substância, formando estas concavidades. Isto mostra que ainda “é possível que Mercúrio esteja geologicamente activo”, disse o cientista, acrescentando que a sua superfície pode estar a alterar-se pela perda de alguns materiais.

A sonda tem pelo menos mais seis meses de observação, se a NASA não quiser prolongar os trabalhos. Solomon espera que prolongue. O Sol está a atingir o pico do seu ciclo de actividade e, segundo o cientista, é um privilégio ter um observatório que testemunha esta interacção com o planeta mais próximo da sua estrela. Isto e tentar perceber como é que astros irmãos como Mercúrio, Vénus, Marte e Terra são hoje tão diferentes.

domingo, 5 de fevereiro de 2017

XMM Newton - Uma década de descobertas

O satélite de observação de Raio-X XMM Newton da ESA celebra uma década de descobertas de astronomia, desde as estrelas que nos estão próximas aos buracos negros bastante afastados.


sábado, 4 de fevereiro de 2017

A Terra sob ameaça ... o perigo de 20 mil asteróides

Será um pedregulho espacial a causar o fim do mundo? Conversámos com Richard Binzel, especialista em meteoritos e asteróides do MIT, que criou um método para calcular as probabilidades de eles colidirem com a Terra.

Rochas informes de estranhas órbitas e obscuras intenções, os asteróides têm sido tradicionalmente considerados cidadãos de quarta categoria do Sistema Solar. Porém, os planos de Obama de enviar astronautas para sobrevoar a sua superfície e o lançamento de outras missões não-tripuladas (como a europeia Don Quijote) para desviar os mais perigosos estão a mudar a perspectiva que tínhamos desses corpos celestes. O astrónomo Richard Binzel, do Instituto Tecnológico do Massachusetts, explica por que motivo os asteróides não são assim tão sinistros. Binzel e outros investigadores, como Pierre Vernazza, da ESA, adiantaram várias hipóteses que mostram as rochas espaciais (e os seus representantes na Terra, os meteoritos) a uma nova luz.

As observações que efectuou em telescópios de infravermelhos, complementadas por estudos comparativos de meteoritos em laboratório, proporcionam várias conclusões interessantes. A primeira é que a “pedreira” de origem da maioria dos fragmentos que caem sobre o nosso planeta é a longínqua Cintura de Asteróides, situada entre Marte e Júpiter. Alberga numerosos objectos que datam da formação do Sistema Solar, há 4550 milhões de anos, e que não chegaram a transformar-se em planetas devido às perturbações gravitacionais de Júpiter. A segunda conclusão é que essa localização afecta não apenas a composição interna dos asteróides como as probabilidades de virem a colidir com a Terra, o que poderá ajudar-nos a encontrar formas de nos defendermos de um impacto devastador. Finalmente, Binzel e os seus colegas provaram que a gravitação terrestre pode, por sua vez, deixar marcas na superfície dos asteróides.

“É o caso do homem que morde o cão”, explica o especialista do MIT, acrescentando: “Os telescópios forneceram-nos dados sobre os chamados ‘objectos próximos da Terra’ [NEO, da sigla inglesa para near Earth objects], os quais são asteróides que viajam a menos de 48 milhões de quilómetros, e conseguimos comprovar que, se algum deles chegar a aproximar-se até uma distância de 95 mil quilómetros, pode sofrer um sismo suficientemente intenso para fazer subir rególitos (fragmentos rochosos, minerais e outros materiais não consolidados) até à sua superfície”.

Do mesmo modo que a atracção de Júpiter altera a fisionomia da sua lua Europa, a força de gravidade terrestre pode transformar um asteróide. “O mais surpreendente é que esse poder se manifeste em objectos que estão a uma distância que é 16 vezes o raio terrestre. A nossa gravidade é um milhão de vezes superior à desses corpos, mas, para a Terra poder produzir essa alteração, o asteróide tem de possuir determinada estrutura. Verifica-se apenas com os rochosos (os que qualificamos de classe S), e não com os de ferro fundido (classe M)”, esclarece Binzel. “Esses pedregulhos transformados por influên­cia terrestre não se podem observar na Cintura de Asteróides, pois ficam obscurecidos pelo Sol; porém, quando se aproximam, tornam-se visíveis.”

A espectrografia dos asteróides modificados coincide com os meteoritos caídos no nosso planeta que foram estudados por Binzel em laboratório. Isso permitiu resolver um dilema, pois os astrónomos procuravam compreender por que motivo não se conseguia encontrar no espaço asteróides compatíveis com os meteoritos descobertos na Terra. Quem poderia imaginar que se tinham tornado irreconhecíveis por estarem bronzeados pela luz solar?

“Está a produzir-se uma revolução no estudo dos asteróides”, afirma o astrónomo Clark Chapman, do Southwest Research Institute, no Colorado. “Antigamente, pensava-se que eram as colisões que causavam as alterações. Agora, sabemos que há mais personagens envolvidas na história. Talvez esteja a nascer uma nova ciência que se poderia chamar ‘sísmica de asteróides’. ” Binzel, que criou, entre outras coisas, a chamada “Escala de Turim”, uma ferramenta para determinar as probabilidades de colisão destes corpos com a Terra, descobriu também a razão pela qual as marcas espectrais (o reflexo e absorção da radiação electromagnética) dos asteróides da Cintura coincidem com as dos meteoritos encontrados no nosso planeta, assim como o motivo para terem viajado de tão longe: “É o chamado ‘efeito Yarkovsky’, que modifica as órbitas dos corpos espaciais em rotação, pois as diferentes faces da sua superfície recebem a radiação solar de forma desigual, o que faz que acabem por alterar a trajectória ao longo do tempo. O fenómeno torna-se mais acentuado nos objectos de menor dimensão, e é por isso que exerce tanta influência nos asteróides.”

Binzel acrescenta: “Dois terços dos objectos da Cintura de Asteróides equivalem a uma classe de meteoritos designados por ‘condritos LL’, que representam apenas oito por cento dos que foram descobertos. Pareceu-nos estranho que, havendo tantos asteróides desse tipo, recebêssemos tão poucos meteoritos equivalentes, e descobrimos que a causa é o efeito Yarkovsky, que limita o tamanho das rochas provenientes da Cintura.”

Os condritos LL são meteoritos ricos em minerais, como piroxeno e olivina, e pobres em ferro. “Conhecer a sua composição é importante para saber como desviá-los da Terra, pois são uma das principais ameaças para nós”, adverte Binzel. O grupo dos condritos em geral, que inclui várias espécies além dos LL, engloba os meteoritos mais comuns: representam 80% dos que chegam ao nosso planeta, enquanto existem apenas cem fragmentos de rochas marcianas ou lunares em instituições científicas de todo o mundo. A análise dos condritos é igualmente fundamental para se estudar a origem da vida, pois trata-se de rochas que não foram derretidas ou passaram por um processo de fusão, pelo que contêm informação sobre a síntese de compostos orgânicos ou a existência de água na Terra.

Estima-se que a Cintura de Asteróides seja formada por 1,9 milhões destes objectos com mais de um quilómetro de diâmetro, e por vários milhões de exemplares mais pequenos. Mais além, nos limites do Sistema Solar, estão situados os asteróides da Cintura de Kuiper e os corpos transneptunianos da Nuvem de Oort, o principal depósito de cometas adormecidos, ou sem actividade. A maior parte dos asteróides é porosa, de modo que metade é quase oca, segundo Binzel. Alguns têm luas, enquanto outros ocupam sistemas binários ou viajam em grupo, superficialmente unidos pela gravidade. Por outro lado, descobriu-se recentemente a existência de alguns asteróides com água gelada nas suas entranhas, que poderiam ter transportado para a Terra em tempos remotos. Outros, mais densos, são compostos por ferro e não passam de resíduos de núcleos mortos de asteróides maiores.

Alguns desses corpos são tão escuros que passaram despercebidos durante anos. Contudo, o telescópio espacial infravermelho WISE, da NASA, foi desmascarando pouco a pouco os objectos carbonáceos, que emitem muito pouca luz, graças a um rastreio verdadeiramente exaustivo, explica Binzel. Os cientistas estimam que haja cerca de cem mil asteróides e cometas nas proximidades da Terra, dos quais 20 mil têm possibilidades de atingi-la. A NASA localizou cerca de um terço, mil dos quais em órbitas potencialmente ameaçadoras.

Actualmente, há várias missões não-tripuladas com o objectivo de estudar os asteróides. A nave japonesa Hayabusa regressou, recentemente, de uma visita destinada a recolher amostras do asteróide Itokawa. Dawn, uma sonda da NASA propulsada por iões, dirige-se para a Cintura de Asteróides a fim de se encontrar com Vesta, uma das maiores rochas do Sistema Solar. Depois, numa manobra sem precedentes na história dos voos espaciais, sairá da órbita desse corpo celeste para viajar até outro, o asteróide Ceres. Todavia, talvez a mais emocionante de todas seja a missão Don Quijote, da ESA, cujo objectivo é o asteróide Apophis, de 270 metros, que se aproximará muito da Terra em 2029. A ideia é dar-lhe um pequeno toque na direcção oposta ao seu movimento. O plano envolve duas naves espaciais: Sancho estudará a composição do asteróide antes e depois do impacto, enquanto Hidalgo se encarregará da investida para modificar a sua direcção e velocidade.

“Conhecer a microporosidade e a densidade de grânulos de Apophis ajudar-nos-ia a calcular a energia que teremos de lhe aplicar”, afirma Binzel: “Sabemos que se trata de um condrito LL e que poderá regressar em 2036. A probabilidade de colidir connosco nessa data é de 1 em 250 mil. Se se verificasse, não devastaria o planeta, pois não possui dimensões para isso, mas provocaria muitos danos.”

“O método para nos defendermos de um asteróide dependerá, também, do tempo que tivermos. Se for superior a 30 anos, o plano Don Quijote é válido. Noutros casos, poder-se-ia recorrer ao chamado ‘tractor de gravidade’, que consiste em colocar uma nave espacial ao lado do objecto, para o desviar da sua órbita. Contudo, se a rocha tiver mais de 2 km e se estimar que possa chegar dentro de ­duas décadas, a melhor opção é uma detonação nuclear para alterar a trajectória”, indica Binzel.

Entre os apocalípticos, 2012 constitui uma data fundamental (já se escreveram rios de tinta sobre a alegada profecia dos maias, que vaticina para esse ano o fim dos tempos), mas os asteróides não podem, desta vez, ser considerados suspeitos. Segundo o especialista, não foi detectado qualquer corpo celeste em órbita de intersecção terrestre para essa altura. No entanto, as colisões são uma realidade: a Terra possui 170 crateras de impacto. A maior, Vredefort, na África do Sul, tem 300 km de diâmetro. E os dinossauros talvez ainda cá estivessem se tivesse existido um programa espacial anti-asteróides no seu tempo.

Os sete magníficos
Estes são os principais asteróides, com a classificação dos especialistas:

Ceres. Foi o primeiro a ser descoberto, em 1801. Agora, foi reclassificado como um planeta anão. Com 950 quilómetros de diâmetro e cor escura, é o maior objecto da Cintura de Asteróides. Classe espectral C (carbonáceo).

Vesta. É o segundo asteróide em termos de massa, o terceiro maior da cintura e o mais brilhante do Sistema Solar. Tem 530 km de diâmetro e uma cratera no centro com 456 km2. A sonda Dawn deverá chegar a Vesta em 2011, e a Ceres em 2015. Classe espectral V (semelhante aos rochosos).

Ida. Tem 56 por 24 km. A sua idade é um mistério, mas a quantidade de crateras que contém indica que deve rondar os mil milhões de anos. Classe espectral S (rochoso).

Eros. Foi o primeiro NEO (objecto próximo da Terra) descoberto e é o segundo em tamanho: 33 por 13 km. A sua órbita cruza-se com a de Marte, mas não com a da Terra. Classe espectral S (rochoso).

Gaspra. Tem 19 por 12 km. Descoberto em 1916, foi fotografado pela sonda Galileo em 1991. É alongado e jovem, quase sem crateras. Classe espectral S (rochoso).

Cleópatra. Trata-se de um asteróide metálico, de classe espectral M, em forma de osso e com 124 km de extensão. Provém do nucleo derretido de outro asteróide maior.

Apophis. O mais falado actualmente, pois existe uma possibilidade em 250 mil de colidir com a Terra em 2036. De classe espectral S, tem 270 metros e vai ser visitado por missões da ESA e da Rússia.


A.P.S.
SUPER 149 - Setembro 2010

sexta-feira, 3 de fevereiro de 2017

Satélites na coordenação da ajuda a desastres naturais

Muitas regiões do planeta sofreram recentemente catástrofes naturais. Em cada um dos casos as agências internacionais usaram dados de satélites para coordenar os esforços de busca e salvamento. Este video explica como a International Charter on Space and Major Disasters, da ESA, criada no ano 2000, ajudou no tremor de terra no Haiti de Janeiro de 2010.

quinta-feira, 2 de fevereiro de 2017

Lua atrapalha observação da melhor chuva de estrelas do ano

A chuva de estrelas originada pelas Perseidas vai alcançar nesta madrugada de sábado a intensidade máxima. O único problema é a Lua, que por estar quase cheia, vai dificultar a observação dos meteoritos que atravessam a atmosfera da Terra.

Todos os anos o fenómeno das Perseidas acontece durante Agosto, quando a Terra atravessa uma região do espaço cheia de material deixado pelo cometa Swift-Tuttle, que faz uma órbita a cada 133 anos.

No céu, estes meteoritos pareciam cair inicialmente da constelação Perseus, que deu o nome a esta chuva de estrelas, actualmente o ponto de origem fica mais perto da Cassiopeia.

Há mais chuvas de estrelas em outros períodos do ano, mas a das Perseidas atinge uma frequência maior do que qualquer outra chuva, com uma média de 90 meteoritos a cair por hora, de acordo com o site Space.com.

Os conselhos para ir ver a chuva de estrelas são os mesmos de sempre: roupa para a noite, um encosto confortável, um local longe da poluição visual das cidades e paciência. Impossível vai ser fugir à luz da Lua que vai estar praticamente cheia e, por isso, vai dificultar a observação dos meteoritos.
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