segunda-feira, 4 de janeiro de 2016

Notícia - Minerais dão provas de vida em Marte

A Sonda 'Phoenix' permitiu descobrir carbonetos que provam a existência de condições para a formação de vida no planeta vermelho.
A existência de vida em Marte está cada vez mais próxima de ser provada. Cientistas da Universidade de Brown descobriram vestígios de carbonetos que permitem concluir que o Planeta Vermelho acolheu diversos ambientes aquosos e que, apesar do banho ácido, alguns ambientes ficaram ilesos, permitindo a formação de vida.

Assim, Bethany Ehlmann, cientista da Universidade de Brown e autora do artigo publicado hoje na revista Science, não tem dúvidas ao afirmar que "a vida primitiva teria gostado deste ambiente", tal como adianta o site EurekAlert. Para chegar a esta conclusão foram usadas as imagens da sonda Phoenix, que mostram que o planeta ainda tem vastos depósitos de água gelada nos pólos e nas latitudes médias.

Os carbonetos encontrados indicam que Marte teve águas neutras que passaram a alcalinas, quando os minerais se formaram há mais de 3,6 milhões de anos. Os carbonetos agora descobertos dissolvem-se rapidamente nos ácidos, por isso é que os cientistas acreditam que alguns ambientes se mantiveram imunes ao ácido. O mineral foi descoberto num sistema conhecido por Fossas Nili, de 667 quilómetros. Mas as rochas de carbonetos foram vistas em diversos locais.

Esta descoberta não responde a todas as perguntas. Pelo contrário, cria novas dúvidas. "Sabemos que houve água por todo o lado, mas com que frequência existiram condições para abrigar vida?" A questão foi levantada pelo co--autor do artigo da Universidade de Brown, o professor de Ciências Geológicas John Mustard. Mas "podemos dizer com grande confiança que quando a água esteve nos ambientes que estamos a estudar, teria havido um ambiente ideal para a formação de vida", acrescentou o geólogo.

Provar a existência de vida em Marte não é consensual, tal como explicar a origem das rochas de carbonetos agora descobertas e da água que as moldou. Por isso, cientistas da NASA, da Universidade de Brown ou da Universidade de Nevada, por exemplo, apresentam diferentes teorias.

As marcas de erosão nas rochas podem ter sido formadas por águas quentes subterrâneas, que vieram à superfície através de fendas nas rochas. Outra teoria aponta para a formação das rochas à superfície, sendo alteradas pela água corrente. Por fim, alguns peritos acreditam que as rochas se formam em pequenos lagos superficiais. Numa coisa estão de acordo: qualquer um destes ambientes criou as condições ideais para que formas de vida primitiva pudessem emergir.

Agora, falta saber o que aconteceu em Marte desde a existência de água na sua superfície até aos dias de hoje. Para já, existe a convicção que ocorreu uma grande seca.
ANA BELA FERREIRA

segunda-feira, 21 de dezembro de 2015

Notícia - Aurora misteriosa em pólo de Saturno


Ao estudar o pólo norte de Saturno, a sonda ‘Cassini’ fez uma descoberta surpreendente, usando imagens no infravermelho: Saturno tem uma aurora própria, diferente de tudo o que se conhece dos outros planetas do Sistema Solar.




As auroras são causadas por partículas carregadas electricamente que entram no campo magnético dos planetas. As partículas fluem pelas linhas de campo magnético e dão um espectáculo multicolorido para quem estiver em latitudes altas o suficiente. Auroras desse tipo não são raras e são observadas na Terra, em Júpiter e em Saturno, mas agora essa descoberta cria uma nova categoria de auroras.

As teorias actuais dizem que esta região de Saturno não deveria formar auroras, mas ao observar o seu pólo norte, justamente sobre o famoso e misterioso hexágono formado pelas nuvens da atmosfera, a ‘Cassini’ descobriu uma formação circular que praticamente acompanha as nuvens.

Esse comportamento leva a uma hipótese: além de causada pelo campo magnético de Saturno, esta nova aurora deve interagir também (de uma maneira ainda desconhecida) com a atmosfera local.

sábado, 19 de dezembro de 2015

Notícia - Japão lançou satélite que vai monitorizar gases com efeito de estufa

A fotografia dos gases com efeito de estufa concentrados na atmosfera do planeta poderá ser tirada em cem minutos, o tempo que leva o satélite lançado hoje pelo Japão, do Centro Espacial Tanegashima, em Kagoshima, a orbitar a Terra. O Ibuki (GOSAT: Greenhouse Gases Observing Satellite) vai monitorizar a concentração, distribuição e ciclos de absorção dos gases com efeito de estufa a partir do espaço, anunciou hoje a agência espacial japonesa (Jaxa). Dito de outra forma: Ibuti vai ver a respiração do planeta.

Quando perguntaram a Takashi Hamazaki, cientista coordenador do projecto, o que esperava do satélite, o cientista respondeu: "Eu gostava de ver a Terra respirar. Gostava de ter um modelo visual da Terra e da inalação e emissão de dióxido de carbono e metano dos seus vários ecossistemas".

Talvez por isso, o satélite lançado hoje pelo foguetão H-IIA F15, foi chamado Ibuki ("respirar", em japonês). O nome foi escolhido pelos cidadãos, chamados a participar num concurso aberto entre Julho e Setembro de 2008 para se tornarem "padrinhos" do projecto, iniciativa da Jaxa, do Instituto japonês de Estudos Ambientais e do Ministério do Ambiente.

A Jaxa acredita que o projecto que tem em mãos, com capacidade para medir os níveis de absorção e emissão de gases por continente ou país com dimensão significativa, é pioneiro. "Não temos um método comum para medir, com precisão, os gases com efeito de estufa" do planeta, comenta a agência em comunicado. "O Ibuki é o primeiro satélite do mundo que pode criar esses critérios comuns", passíveis de serem partilhados por todos os que lutam contra as alterações climáticas.

Equipado com dois sensores, o Ibuki vai seguir os raios infravermelhos da Terra, o que vai ajudar a calcular as densidades do dióxido de carbono e metano porque estes dois gases absorvem os raios em determinados comprimentos de onda.

A partir da sua órbita em redor da Terra, o Ibuki vai medir as densidades de dióxido de carbono e metano em quase toda a superfície do planeta. Será possível recolher dados de 56 mil locais à superfície da Terra, incluindo a atmosfera sobre o mar aberto. A actualização será feita de três em três dias. Até ao final de Outubro existiam apenas 282 locais de observação terrestre, a maioria nos Estados Unidos, Europa e outras regiões industrializadas, explicou a Jaxa.

Mas a fotografia da "respiração da Terra" não ficará pronta tão cedo. Segundo Takashi Hamazaki, durante os primeiros três meses, "todas as funções do satélite serão testadas. Nos três meses seguintes, a informação será recolhida e calibrada com os dados observados na Terra. Só depois de termos verificado o seu rigor é que o GOSAT começará, finalmente, a cumprir a sua missão".

As autoridades esperam que a informação a recolher reforce a investigação sobre os gases com efeito de estufa, incluindo os relatórios elaborados pelo Painel Intergovernamental para as Alterações Climáticas (IPCC), das Nações Unidas.

O satélite “vai contribuir para aumentar as certezas do IPCC de que os gases com efeito de estufa estão a aumentar”, comentou Yasushi Tadami, vice-director da investigação e informação do Ministério do Ambiente, citado pela Reuters. Além disso, as novas informações vão “fazer avançar a investigação sobre o mecanismo dos ciclos de carbono”.

A agência espacial norte-americana (NASA) está a preparar o lançamento, este ano, do Orbiting Carbon Observatory para medir o dióxido de carbono na atmosfera terrestre.

Ambos os satélites surgem quando cerca de 190 países estão a negociar o sucessor do Protocolo de Quioto, que termina em 2012, para combater as alterações climáticas.

Mas a informação sobre as densidades dos gases com efeito de estufa podem não estar prontas para a conferência de Copenhaga (30 de Novembro a 11 de Dezembro), de onde deverá sair o substituto de Quioto. Apesar disso, Tadami salienta que os dados serão preciosos para delinear políticas climáticas futuras. “O satélite vai estar em órbita cinco anos e esperamos que, durante esse tempo, os dados conduzam a políticas climáticas mais detalhadas”, comentou Tadami.

Na semana passada, Yvo de Boer, director da Convenção Quadro da ONU para as Alterações Climáticas, comentou que “sermos capazes de medir o que está a acontecer é incrivelmente importante para desenvolver uma robusta resposta internacional às alterações climáticas”.

Helena Geraldes

quinta-feira, 17 de dezembro de 2015

Notícia - Via Láctea em rota de colisão

A Via Láctea é maior, mais rápida, mais pesada e corre maior risco de colisão com galáxias vizinhas do que se imaginava. Segundo um novo estudo, feito por um grupo internacional de cientistas, a velocidade de rotação da galáxia é aproximadamente 165 mil quilómetros por hora superior à estimada em medições anteriores.


A diferença de velocidade é suficiente para fazer com que a massa da Via Láctea seja 50% maior, aproximando-a ainda mais da vizinha galáxia de Andrómeda, que se encontra a uma distância de 2,5 milhões de anos-luz, segundo a pesquisa apresentada no último encontro da Sociedade Astronómica dos Estados Unidos, em Long Beach, na Califórnia, que se realizou recentemente.

O Sistema Solar está a cerca de 28 mil anos-luz do centro da Via Láctea. Segundo as novas observações, o sistema desloca-se a cerca de 990 mil km/h na órbita galáctica, mais do que a velocidade estimada até então, de 825 mil km/h. Os cientistas estão a utilizar o VLBA, Very Long Baseline Array, sistema de dez radiotelescópios espalhados pela América do Norte que, juntos, permitem um grau de resolução sem precedentes na Astronomia, capaz de produzir imagens extremamente detalhadas, para refazer o mapa da Via Láctea.

Os resultados indicam que a Via Láctea é cerca de 15% mais larga e terá mais 50% de massa do que se pensava, o que a equipara a Andrómeda, considerada até hoje a maior galáxia do nosso grupo local de galáxias. A massa maior aumenta a força da gravidade da Via Láctea, sugerindo que colisões com a Andrómeda e outras galáxias vizinhas possam acontecer muito antes do que se calculava, ainda assim, dentro de milhares de milhões de anos.

O facto de as observações científicas terem sido feitas do interior da galáxia dificulta as medições e o estudo da sua estrutura, algo mais simples para as restantes, das quais se pode obter uma imagem geral.

Até agora, o valor das magnitudes da Via Láctea era calculado por medições indirectas. No entanto, os radiotelescópios VLBA registam imagens de alta qualidade e medidas directas de distâncias e movimentos que não dependem de outras propriedades, como o brilho.

A Via Láctea, a Andrómeda e cerca de 40 outras galáxias mais pequenas constituem a nossa vizinhança galáctica, com o nome de Grupo Local, com dez milhões de anos-luz de diâmetro.


Por este Grupo Local de galáxias estar unido pela gravidade, há quebra de uma regra geral: as galáxias por todo esse Universo estão a afastar-se umas das outras.


Recentemente, foram descobertas novas evidências de que Andrómeda não é tão grande por acaso. O seu tamanho teria sido conquistado à custa da massa de galáxias vizinhas.


Uma colisão fundirá ambas numa imensa galáxia elíptica. De qualquer forma, isso levará não menos do que três mil milhões de anos – podendo coincidir com a morte do Sol.


Através de simulações de computador, os cientistas descobriram que há uma possibilidade entre 37 de acabarmos por viver na outra galáxia – a majestosa Andrómeda.


Finalmente, quando as estrelas acharem o seu lugar na nova casa, após um processo dinâmico, qualquer alusão do que foram a Via Láctea ou a Andrómeda terá desaparecido.


A Via Láctea e Andrómeda (em cima) aproximam-se a cerca de 480 000 km/h, mas ainda não se sabe com certeza se haverá uma colisão frontal ou apenas uma interacção (ao lado). Uma colisão fundirá ambas numa imensa galáxia elíptica.


Mário Gil

terça-feira, 15 de dezembro de 2015

Notícia - Colisão no espaço: satélite norte-americano e satélite russo em primeiro acidente do género

Um satélite de comunicações norte-americano e um satélite “morto” russo colidiram no espaço – o primeiro acidente do género –, a quase 800 quilómetros de distância da Terra, algures sobre a Sibéria, revelou hoje a NASA. O acidente, que ocorreu na terça-feira, não inspira receios de ameaça à Estação Espacial Internacional (ISS).

Os dois engenhos, o norte-americano propriedade da empresa privada Iridium Satellite LLC e o russo, também de comunicações, já fora de operacionalidade há mais de dez anos, embateram a uma velocidade de 670 quilómetros por minuto. O Pentágono e a NASA crêem que serão necessárias “várias semanas” para determinar a total magnitude da colisão e dos seus efeitos.

“Cremos que esta foi a primeira vez que dois satélites colidiram em órbita”, sublinhou em conferência de imprensa o coronel Les Kodlick, porta-voz do Comando Estratégico dos Estados Unidos. A mesma fonte notou que a nuvem de detritos resultante do choque pode criar problemas potenciais para as operações no espaço, mas que não ameaça a integridade da ISS.

domingo, 13 de dezembro de 2015

Notícia - Descoberto o mais pequeno exoplaneta de que há registo

Cientistas da Agência Espacial Francesa descobriram o mais pequeno exoplaneta (planeta fora do sistema solar) de que até agora existe registo. O exoplaneta mede menos do dobro da terra e está na órbita de uma estrela semelhante ao sol.

De acordo com os cientistas franceses, o corpo celeste que agora foi descoberto pode ser rochoso como a terra, porém as suas temperaturas são tão altas que possivelmente está coberto por lava ou por vapor de água.

“Esta descoberta é um passo muito importante no caminho de perceber a formação e evolução do nosso planeta”, referiu Malcolm Fridlund, da Agência Espacial Europeia, que também participa na missão.

“Pela primeira vez, detectámos inequivocamente um planeta que é ‘rochoso’, no mesmo sentido, que a Terra”, assegurou Fridlund.

Cerca de 330 exoplanetas foram já encontrados na órbita de outras estrelas, que não o Sol, muitos dos quais são gigantes de gás com características idênticas a Júpiter ou Neptuno.

A nova descoberta, chamada de COROT-Exo-7b, é diferente. Orbita muito próximo da sua estrela em cada 20 horas, com temperaturas máximas que vão dos 1000 aos 1500 graus Célsius.

Os astrónomos, usando um telescópio orbital, acharam o planeta, quando este passou em frente ao seu sol, diminuindo a luz.

A maior parte dos exoplanetas tem sido descoberta com o recurso a medidas indirectas, na sua maioria olhando aos efeitos que têm nos campos gravitacionais dos seus sóis.


Reuters

sexta-feira, 11 de dezembro de 2015

Notícia - Irão coloca satélite em órbita

O Irão conseguiu colocar em órbita o seu primeiro satélite Ormid, transportado para o Espaço num foguetão Safir-2, anunciou esta terça-feira a agência noticiosa iraniana Fars.


'É o primeiro satélite na História da nossa nação a ser lançado e foi transportado pelo foguetão Safir-2', precisou uma fonte citada pela agência Fars. A agência oficial Irna indicou que o lançamento do satélite para o Espaço ocorreu segunda-feira à noite.

Já no final de Novembro, o regime iraniano havia anunciado que tinha lançado com êxito para o Espaço o foguetão Kavoshgar-2 e recuperado a sonda que ele transportava.

A França já mostrou "preocupação" com o lançamento deste primeiro satélite iraniano, com o Ministério dos Negócios Estrangeiros a sublinhar que "a tecnologia utilizada é muito semelhante às capacidades dos mísseis balísticos". Público

quarta-feira, 9 de dezembro de 2015

Notícia - Marte dá sinal de vida

Observações da atmosfera de Marte, entre 2003 e 2008, feitas por três telescópios no Havai, mostram uma grande quantidade de metano – gás tipicamente envolvido em processos biológicos – misturado com vapor de água, produzido por fontes existentes em áreas aquecidas no hemisfério Norte.


O metano – cuja molécula é formada por quatro átomos de hidrogénio ligados a um átomo de carbono – é de grande interesse para os cientistas que procuram vida fora da Terra, porque os organismos vivos libertam grandes quantidades de metano quando digerem nutrientes.

Contudo, processos puramente geológicos também podem liberar o gás, como é o caso da oxidação do ferro ou actividade vulcânica. Mas não há qualquer evidência da existência actual de vulcões no planeta. O metano pode ter ficado aprisionado em ‘cavernas’ de gelo por milhares de milhões de anos e agora estar a ser libertado.

Na Terra, 90% do metano é produzido por bactérias e a descoberta deixa-nos ainda mais esperançados porque o próximo robô, em 2011, terá a capacidade de detectar metano e até micróbios que se alimentam dele.

Se organismos marcianos estiverem a produzir metano, provavelmente residem muito abaixo da superfície, onde é quente o suficiente para que a água permaneça em estado líquido. A água em estado líquido, assim como uma fonte de energia e um suprimento adequado de carbono, são necessários para manter todas as formas de vida conhecidas pelo homem.

Mário Gil

sábado, 5 de dezembro de 2015

Notícia - Futuro robô espacial terá só duas rodas

A experiência de cinco anos dos robôs ‘Spirit’ e ‘Opportunity’ em Marte ditaram novo objectivo: construir um robô pequeno e versátil, capaz de subir ladeiras íngremes, andar sem problemas por terrenos altamente irregulares e entrar e sair de crateras profundas.


Assim, engenheiros da NASA e do Instituto de Tecnologia da Califórnia criaram o ‘Axel Rover’, o mais recente e leve robô espacial, que tem apenas três motores, um para cada uma das duas rodas e um terceiro para controlar uma espécie de braço, que se estende a partir do centro do corpo cilíndrico onde se encontra todo o seu "cérebro electrónico".

O aparelho tem ainda sistemas de comunicação sem fios e um sistema de sensores inerciais, que o tornam capaz de cumprir o trajecto autonomamente, quaisquer que sejam as características do relevo.
C.M.

quinta-feira, 3 de dezembro de 2015

Notícia - À procura do tradutor cósmico

A Ciência também procura extraterrestres – os astrónomos fazem-no movidos pelo mesmo tipo de convicções do que aqueles que acreditam que não estamos sós no Universo. Até recentemente, a noção de vida extraterrestre – e muito menos de inteligência – era completamente especulativa porque não podia ser examinada por métodos científicos.


Mas progressos científicos numa ampla frente durante as últimas décadas convergiram para uma certeza: com a descoberta de mais de 300 planetas extrassolares é mais provável que exista vida extraterrestre do que não, onde as condições são favoráveis; de que a vida possa estar amplamente espalhada pelo Universo; e de que existem sérias possibilidades de que a humanidade possa ser capaz de comunicar com outras civilizações técnicas.

Muitos sinais poderão estar a viajar no espaço sideral a caminho do nosso planeta, mas há que encontrar um sistema de tradução que decifre o que querem dizer.

Uma experiência a bordo de um balão estratosférico da NASA detectou recentemente um sinal cósmico misterioso em frequência de rádio. A descoberta foi anunciada durante a 213ª Reunião da Sociedade Astronómica Americana, por cientistas que participam no projecto ARCADE (Absolute Radiometer for Cosmology, Astrophysics, and Diffuse Emission). A equipa detectou o sinal quando realizava medidas em microondas à procura da energia emitida pelas primeiras estrelas.

A imensa maioria dos objectos cósmicos emite ondas de rádio, mas não existe um número suficiente de galáxias no Universo que possa explicar a intensidade do sinal detectado. As galáxias teriam de estar praticamente coladas umas às outras, não havendo nenhum espaço entre elas para que o sinal dessas fontes pudesse ser medido com essa intensidade. Será uma mensagem de uma remota civilização extraterrestre?


MENSAGENS RECEBIDAS

1.Geralmente são as antenas parabólicas gigantes que detectam ondas de rádio provenientes de estrelas longínquas mas, desta vez, um misterioso sinal cósmico foi registado por um balão estratosférico

2. Chips capazes de realizar 50 mil milhões de cálculos por segundo identificam as ondas de rádio que podem ter origem em civilizações extraterrestres e separam-nas do ruído de fundo do Universo

3. O computador analisa os dados facilitados pelos chips e avisa os cientistas quando detecta um sinal que pode corresponder a vida inteligente extraterrestre



LINGUAGEM MATEMÁTICA

Segundo alguns cientistas, se existem extraterrestres inteligentes, estes deviam entender a matemática já que toda a forma de vida inteligente necessita de tratar com constantes de espaço, tempo e matéria

RAIOS LASER

Alguns dos projectos SETI procuram outro tipo de sinais diferentes dos das ondas rádio. Se os extraterrestres utilizassem, por exemplo, raios laser, seria possível detectar a sua luz mesmo a 50 anos-luz. Um método simples para comunicar

MÚSICA

A música como veículo de comunicação é uma velha teoria . Se uma inteligência extraterrestre desenvolveu música esta deveria partilhar características com a nossa pois as escalas que se podem utilizar universalmente só podem ter de 5 a 31 tons

MENSAGENS EMITIDAS

CARTÕES-DE-VISITA CÓSMICOS

As sondas 'Pioneer' 10 e 11 já abandonaram o sistema solar com cartões- de-visita cósmicos: uma placa a bordo nas quais estão gravadas mensagens gráficas. Indica como é o ser humano, o seu tamanho em relação às sondas e a posição da Terra no nosso Sistema Solar

LP PARA EXTRATERRESTRES

Os cientistas da missão 'Voyager' decidiram enviar informações sobre o nosso Mundo e a nossa civilização. A solução óbvia foi fazer uso de uma tecnologia muito conhecida na época: a dos discos LP, capazes de armazenar informação em gravura que uma agulha traduz em sinais electromagnéticos

CONVERSANDO COM O ESPAÇO

É de cientistas do SETI a autoria da emissão da mensagem de Arecibo, enviada em 1974 pelo maior radiotelescópio do Mundo para o agrupamento de estrelas M13, na constelação de Hércules e levará 25 mil anos até ao destino.

Mário Gil

terça-feira, 1 de dezembro de 2015

Notícia - Foguetão da NASA falha lançamento de satélite

Um satélite da NASA que devia ter sido ontem colocado em órbita para medir os níveis de dióxido de carbono na atmosfera caiu no mar, junto à Antárctica, após uma falha no lançamento. Três minutos após a descolagem, às 09h55 de Lisboa, da base de Vandenberg, Califórnia, o ‘Taurus XL’ despenhou-se. "O revestimento do satélite não se separou como devia e o peso extra foi fatal", explicou Chuck Dovale, da NASA, que anunciou a abertura de uma investigação. Esta foi a primeira vez que a NASA utilizou o ‘Taurus XL’, um foguetão de 27 metros que se estreou em 1994 e que ontem registou o segundo acidente em oito lançamentos.


O satélite OCO (Observatório de Carbono em Órbita) representou um investimento de 210 milhões de euros, demorou nove anos a ser construído e era o primeiro destinado a medir o CO2 da atmosfera. O objectivo era perceber em que pontos do Globo o dióxido de carbono é produzido e absorvido. Actualmente não se sabe como é absorvido 20% do CO2 produzido pelo homem, descoberta que pode ajudar a perceber as alterações climáticas futuras.

B.E.

domingo, 29 de novembro de 2015

Notícia - NASA escolheu lua Europa para procurar formas de vida no sistema solar

Europa versus Titã. São duas luas do sistema solar exterior, ambas rodando em torno de gigantes gasosos, mas diferentes uma da outra quanto é possível duas coisas serem diferentes entre si. Uma está na órbita de Júpiter e tem uma crosta de gelo indicando a presença a grande profundidade de um oceano submarino. A outra está na órbita de Saturno e tem uma atmosfera espessa, um clima tempestuoso, lagos de hidrocarbonetos líquidos, chuvas de metano e dunas de material orgânico da cor de uma plantação de café.

Ambas foram celebradas pelo cinema e pela literatura de ficção científica: Europa tem um papel chave no filme 2010, a sequela menor do clássico "2001: Uma Odisseia no Espaço"; Titã aparece em "As Sereias de Titã" como o lar de um viajante do planeta Tralfamadore perdido no espaço.

Na vida real, ambas são objectivos primários na busca pela existência de vida para lá da Terra. O problema é que não é simples nem barato enviar uma sonda para esses mundos distantes. A agência espacial norte-americana, a NASA, tem enfrentado uma perplexidade burocrática: qual das duas luas devia ser explorada em primeiro lugar?

Há muitos meses e anos que dois campos científicos refinam as respectivas propostas, cada um deles na expectativa de que a sua lua venha a se sancionada oficialmente como a próxima missão de bandeira da NASA no sistema solar exterior. Na semana passada, a resposta finalmente chegou: Europa e consequentemente todo o sistema de Júpiter serão os primeiros.

2020 e 2025

A missão ainda se encontra numa fase muito preliminar. Não haverá qualquer lançamento até 2020 e uma sonda só chegará ao sistema de Júpiter em 2025. A NASA apressou-se em dizer que isto não significava um retrocesso relativamente a Titã e ao sistema de Saturno, que continuarão a ter prioridade alta na lista das missões futuras, mas Europa era agora uma missão tecnicamente mais fácil. A NASA vai estar associada à Agência Espacial Europeia (ESA), que nessa altura terá uma sonda sua focada noutra lua de Júpiter, Ganimedes.

Europa foi a escolha certa? Depende do que se quiser procurar

Sondas não tripuladas no passado – em particular a Pioneer, a Voyager, a Galileo e a Cassini, ao longo das quatro últimas décadas – trouxeram-nos uma visão mais próxima do sistema solar exterior, cada nova e deslumbrante imagem levando a que ainda mais questões fossem colocadas relativamente a esses mundos exóticos. Mas quatro séculos após Galileu ter visto pela primeira vez as luas de Júpiter, estas só foram sobrevoadas por missões de passagem. O mesmo acontece em relação às luas de Saturno. O próximo passo é estacionar uma nave na órbita de uma destas luas e analisá-la com todos os instrumentos possíveis.

É mais provável que Europa tenha vida como a conhecemos, mas é possível que Titã tenha processos químicos exóticos que representam a vida em formas que desconhecemos.

“Será que a vida precisa de água em estado líquido ou poderão outros líquidos servir de hóspedes, se não para a vida como a conhecemos para algum tipo de organização química?”, interroga Jonathan Lunine, um astrofísico da Universidade do Arizona e um dos membros da equipa que defende a missão a Titã. “Estaríamos a testar os limites do significado real da palavra 'vida’ no cosmos”. Titã é certamente um mundo mais dinâmico e um viveiro do tipo de moléculas baseadas em carbono que fascinam os cientistas.

Mais rico e mais vasto

“Titã é um objectivo científico mais rico e mais vasto”, diz Ralph Lorenz, da Johns Hopkins University. “É um mundo onde processos que nos são familiares ocorrem em condições muito exóticas... É um laboratório prodigioso para explorarmos a forma como os planetas funcionam.”

Outra lua de Saturno entrou na conversa: Enceladus. A sonda da NASA Cassini, que continua em órbita de Saturno, descobriu que Enceladus tem géisers de água congelada no hemisfério Sul. Os cientistas gostariam de ver isso mais de perto.

Mas Europa tem grandes vantagens comparativamente a Titã. De um ponto de vista burocrático, esta era apenas a vez de Europa. Esta lua deveria ter sido o objectivo de uma missão cancelada há uma década e em 2003 foi considerada principal prioridade num estudo sobre possíveis missões planetárias realizado pela Academia Nacional das Ciências norte-americana. Entretanto, Titã foi estudada recentemente pela Cassini.

Duas naves e um balão

A proposta para Titã era complexa e envolvia uma nave que permaneceria em órbita, outra que se despenharia num lago de hidratos de carbono e um balão que percorreria a atmosfera captando imagens. A proposta para Europa requer apenas uma nave que permanecerá em órbita após fazer uma viagem por algumas das outras luas de Júpiter.

Entretanto, os russos disseram estar interessados em fazer aterrar um veículo espacial em Europa. Mas a NASA rejeitou essa proposta por enquanto, alegando um escasso conhecimento da superfície desta lua.

“Podíamos aterrar em Europa, mas é uma operação de alto risco. O problema é que não temos boas imagens de alta resolução em número suficiente. Não temos uma ideia suficientemente boa de como será a superfície”, disse Karla Clark, a principal analista da missão Europa.

Ficção científica

Reta Beebe, uma astrofísica na Universidade estadual do Novo México, diz que o veículo espacial ideal seria uma espécie de “hopper” [saltitão], concebido para aterrar na superfície e descolar passados poucos instantes, continuando depois a saltitar entre os blocos de gelo e os vales que tornam a superfície desta lua provavelmente impossível de explorar por um “rover” [veículo robotizado como os que foram colocados na superfície de Marte]. “É como se fosse ficção científica”, avisou.

Europa, Ganimedes e Titã têm todas oceanos submarinos, mas os de Europa são os que estão mais próximo da superfície. É pura especulação admitir que alguma coisa possa viver nesses oceanos, mas é conhecido que a vida na Terra resiste nos locais mais improváveis, das fendas hidrotérmicas nas profundezas mais obscuras dos mares ou nos lagos permanentemente cobertos de gelo da Antárctida.

“A vida propriamente dita, a vida mais simples, parece ser muito resistente e muito comum em toda a parte”, diz Beebe. Mas sobre a possibilidade de existir vida em Europa ou nas outras luas do sistema solar exterior acrescenta: “Não vai ser fácil de encontrar. Não espero que esses organismos sejam encontrados durante a minha vida”.



Exclusivo: PÚBLICO/Washington Post

sexta-feira, 27 de novembro de 2015

Notícia - NASA lança satélite para medir níveis de dióxido de carbono

Cerca de metade do total de dióxido de carbono produzido na Terra todos os anos permanece no ar, enquanto a outra metade desaparece. Para onde vai essa metade desaparecida é o que o satélite que a NASA lança amanhã pretende descobrir.

O Orbiting Carbon Observatory (OCO) será lançado a partir da base aérea de Vanderberg, na Califórnia, com o objectivo de medir as emissões de dióxido de carbono a um nível de detalhe sem precedentes. Com os dados recolhidos pelo satélite será possível fazer um mapeamento de todos os pontos terrestres de lançamento e absorção do principal gás responsável pelo aquecimento global.

Compreender melhor a circulação do dióxido de carbono entre a terra, o ar e o mar poderá ajudar os cientistas a fazer uma avaliação mais precisa do problema das alterações climáticas. Os oceanos e florestas são sumidouros naturais de uma grande parte deste gás, porém há anos em que o excesso de carbono permanece no espaço e outros em que, simplesmente, desaparece.

“Algo está a mudar dramaticamente”, revelou ao jornal “The New York Times” David Crisp, cientista do Jet Propulsion Laboratory da NASA e principal investigador da missão.

Antes da Revolução Industrial, os níveis de dióxido de carbono situavam-se nas 280 partes por milhão de moléculas de ar (unidade de medida utilizada para este gás). No entanto, hoje em dia os níveis subiram para as 387 partes por milhão e estima-se que aumentem consideravelmente nas próximas décadas.

Também os níveis de oxigénio serão medidos para que seja possível, por comparação, determinar as concentrações do dióxido de carbono no ar.

O OCO está equipado com três espectrómetros de alta resolução que permitirão fazer o rastreio dos pontos de emissão a 700 quilómetros de distância da Terra.

O lançamento do satélite para a órbita será feito no foguetão Taurus XL durante a madrugada de terça-feira, dia 24 de Fevereiro, e pode ser seguido em directo no blogue da NASA.

Patrícia Fernandes

quarta-feira, 25 de novembro de 2015

Notícia - Água terá corrido à superfície de Marte há menos tempo do que se pensava

A água terá corrido na superfície de Marte há muito menos tempo do que se imaginava, adianta um estudo divulgado hoje. Com base em imagens captadas pela NASA, cientistas da Universidade de Brown localizaram um sistema de canais que se terá formado há cerca de 1,25 milhões de anos pela fusão de depósitos de gelo.

Os cientistas sabiam já que estes canais são estruturas relativamente jovens na superfície do Planeta Vermelho, mas não tinham ainda encontrado um método de datação eficaz e é aqui que o estudo divulgado na edição deste mês da “Geology” inova.

O sistema de canais, de dimensões “modestas”, foi encontrado dentro de uma cratera na Promethei Terra, uma zona montanhosa no hemisfério Sul de Marte. À primeira vista, as imagens captadas pelo Mars Reconaissance Orbiter mostram um único canal com vários metros de extensão, mas uma análise mais detalhada permitiu aos cientistas identificar quatro torrentes diferentes, cada uma delas transportando sedimentos para uma lagoa de retenção.

Analisando os sedimentos os cientistas concluíram que eles foram ali depositados em momentos diferentes: um dos agrupamentos apresenta pequenas crateras, que terão sido provocadas pelo impacto de fragmentos de meteoritos (que atingem a espaços regulares os planetas) enquanto os outros três surgem incólumes, o que indicia que são mais recentes.

Os cientistas acreditam que as marcas no agrupamento mais antigo foram provocadas pelo mesmo meteorito que gerou uma cratera maior, a mais de 80 quilómetros de distância e, usando técnicas de datação, concluíram que o impacto ocorreu há cerca de 1,25 milhões de anos. Ficou assim estabelecido que as torrentes de água mais recentes ocorreram depois daquela data. Isto significa que a água terá corrido à superfície de Marte muito depois do que se acreditava até agora.

A equipa concluiu ainda que as torrentes foram geradas pela fusão de depósitos de gelo que se terão formado longe dos pólos durante aquela que terá sido a mais recente era glaciar em Marte. Este arrefecimento foi provocado por uma maior inclinação do eixo do planeta e, quando há cerca de meio milhão de anos, a situação se alterou assistiu-se a pequenos degelos ou, na maioria dos casos, à sublimação da água (passagem do estado sólido ao estado gasoso).

A equipa estudou outras possibilidades para a formação destas canais – como a irrupção de águas subterrâneas – mas a hipótese foi afastada. “Não temos água suficiente para criar um lago onde se possam deitar peixes, mas temos água resultante de um degelo”, explicou Samuel Schon, primeiro autor do estudo, adiantando que este fenómeno “não durou muito, mas aconteceu”.

segunda-feira, 23 de novembro de 2015

Notícia - Asteróide passa perto da Terra

Um pequeno asteróide passou ontem de “raspão” à Terra, de acordo com o Minor Planet Center (MPC) da União Internacional da Astonomia. O pequeno objecto passou a apenas 72 mil quilómetros da Terra, que representa um quinto da distância entre a Terra e a Lua e o dobro da distância da maioria de satélites de comunicações, segundo o site Sky and Telescope.

Esta pequena ameaça celeste, designada de 2009 DD45 - que se julga ter cerca de 30 metros - passou ontem por volta das 13h00 muito perto do nosso planeta.

O objecto foi detectado pela primeira vez no sábado por uma equipa de investigadores australianos e mais tarde confirmado pela MPC.

O mais recente objecto que se tinha avistado passar tão perto da Terra foi o 2004 FU162, um asteróide de seis metros que passou a mais de 6 mil quilómetros no nosso planeta, em Março de 2004.

Nos tempos recentes apenas um asteróide de dimensões semelhantes ao 2009 DD45 colidiu com a Terra. Há cem anos, a 30 de Julho de 1908, o Tunguska atingiu a terra na zona da Sibéria libertando força equivalente a 85 bombas como a de Hiroshima e derrubando 80 milhões de árvores.

Rafael Pereira