quinta-feira, 9 de fevereiro de 2017

Notícia - Estimativa da NASA reduz número de asteróides perigosos para a Terra

São muitos, mas não são assim tantos, e o perigo que representam poderá ser mais remoto do que se pensava, disse a NASA nesta quinta-feira, depois de dar a conhecer uma nova estimativa dos asteróides que existem nas imediações da Terra, os corpos que aniquilaram os dinossauros e de quando em vez fazem estragos ao embater contra o nosso planeta. O estudo foi agora publicado na revista The Astrophysical Journal.

A Agência Espacial Norte Americana revelou ainda que já foram encontrados 93 por cento dos objectos com mais de um quilómetro de diâmetro, e que representam o maior perigo. “O risco de um grande asteróide chocar contra a Terra antes de sermos avisados foi reduzido substancialmente”, disse em comunicado Tim Spahr, director do Centro de Planetas Menores, que pertence ao Centro Smithsonian para Astrofísica de Harvard.

A análise foi feita pelo Wide-field Infrared Survey Explorer, também conhecido por WISE, um telescópio espacial que consegue ler luz infra-vermelha e assim detectar os asteróides através do calor que libertam. A missão, a que se chamou NEOWISE, estimou a existência de cerca de 19.500 asteróides com um tamanho médio. Anteriormente, as estimativas davam conta da existência de 35.000 corpos com o diâmetro entre os 100 e 1000 metros.

Estes corpos podem destruir uma área metropolitana. Embora ainda não se tenham encontrado todos os corpos, calcula-se que o perigo seja mais reduzido do que se pensava. Mais a mais, porque os asteróides maiores são os mais facilmente descobertos. Dos 15.600 corpos com um diâmetro entre os 100 e os 300 metros que foram estimados, só se encontraram dois mil. Mas a percentagem de objectos conhecidos sobe com o tamanho: dos 2400 objectos previstos com 300 a 500 metros encontraram-se 1100 e dos 1500 asteróides com tamanho entre 500 e 1000 metros, já se descobriram 1200.

“O NEOWISE permitiu fazer uma observação de uma fatia mais representativa dos números de asteróides que existem perto da Terra e fazer uma melhor estimativa de toda a população”, disse Amy Mainzer, autora do novo estudo e investigadora principal do projecto, que decorreu no laboratório Jet Propulsion, na Califórnia. “É como um censo à população, onde se olha para um pequeno grupo para tirar conclusões sobre todo o país”, disse em comunicado.

O aparelho observou mais de 100.000 asteróides na cintura de asteróides que se situa entre Marte e Júpiter e olhou para mais 585 objectos perto da Terra para tirar estas conclusões. Esta estimativa considera os asteróides que orbitam a menos de 195 milhões de quilómetros do Sol, um raio que termina entre a Terra e Marte.

Em relação aos grandes objectos, estima-se que existam ao todo 981 asteróides com mais de um quilómetro de diâmetro, menos 19 do que a última estimativa. Dos 981 já foram encontrados 911 e acredita-se que são conhecidos todos os asteróides com cerca de dez quilómetros de diâmetro – a classe de tamanho a que pertence o corpo que embateu na Terra no final do Cretácico e matou os dinossauros. “Nenhum representa um perigo para a humanidade nos próximos séculos”, diz o comunicado.

Em 1998, o Congresso dos Estados Unidos definiu o objectivo para a NASA de detectar mais de 90 por cento dos asteróides com um ou mais quilómetros de diâmetro.

quarta-feira, 8 de fevereiro de 2017

Notícia - Há um oceano salgado sob o gelo da sexta lua de Saturno

Encelado, a sexta lua de Saturno, gelada à superfície, deve esconder um oceano salgado sob o gelo. É o que concluíram os cientistas que estudaram a análise das partículas sólidas dos géisers gigantes que saem do pólo sul deste pequeno satélite do planeta dos anéis feita por instrumentos a bordo da sonda Cassini da NASA: são sobretudo grãos de sal.

Na verdade, 99 por cento dos materiais sólidos que são lançados para o espaço nesses jactos de vapor de água e gelo, que saem de fissuras na superfície conhecidas como Listas de Tigre, são partículas ricas em cálcio e potássio, diz um comunicado do Laboratório de Propulsão a Jacto da NASA. “Não há outra forma plausível de produzir um fluxo constante de grãos ricos em sal a partir de gelo sólido para além da existência de água salgada sob a superfície gelada de Encelado”, diz Frank Postberg, o cientista da Universidade de Heidelberg, na Alemanha e membro da equipa da Cassini que é o principal autor deste trabalho, publicado on-line na Nature.

Os jactos de gelo e vapor de água foram descobertos em 2005, e tem-se falado na possibilidade de existir um oceano subglacial desde então — se existisse mesmo, seria um bónus para a busca de vida no nosso sistema solar e algures no Universo. Se os grandes planetas não têm condições para que haver vida, por que não olhar para as suas luas?

O trabalho da equipa de Postberg aponta para um oceano salgado a cerca de 80 quilómetros de profundidade. Mas existe um outro reservatório de água salgada mais perto da superfície, que alimenta directamente as fracturas dos géisers. Calculam os cientistas que se perdem cerca de 200 quilos de vapor de água e gelo por segundo nestas plumas, que criam o anel E de Saturno, coincidente com a órbita de Encelado em torno do planeta dos anéis.

terça-feira, 7 de fevereiro de 2017

Notícia - O meridiano de Greenwich

A data de 11 de Agosto de 1675 corresponde à fundação do Observatório Astronómico de Greenwich, instituição que se tornaria fulcral na consolidação de um método rigoroso para estabelecer a longitude terrestre, coordenada pela qual é possível saber se um determinado lugar (em terra ou no mar) se encontra para Este ou para Oeste de um ponto (ou linha) considerado como referência.

Na verdade, a preocupação já era antiga, julgando-se terem sido Eratóstenes e, posteriormente, Hiparco (cerca de 150 anos antes do início da nossa era) os primeiros a proporem o uso de duas coordenadas para definir um lugar na superfície terrestre. Considerada a Terra como um globo, era relativamente fácil conhecer a latitude pela elevação da estrela polar mas, quanto à longitude, para além de imaginar um conjunto de linhas (meridianos) indo de um ao outro pólo, era indispensável tomar um desses meridianos como referência e possuir um método de, num local a Este ou a Oeste de tal referência, conhecer o deslocamento em relação a esse meridiano. No entanto, demorou algum tempo até se obter concordância acerca de tal "referência", tendo sido ultrapassado um período em que cada país produzia as suas cartas de navegação com base no seu "meridiano zero", razão por que ele foi admitido na ilha do Ferro (a mais ocidental do arquipélago das Canárias), nas ilhas de Cabo Verde, em Londres, Lisboa, Paris e na Madeira, tendo até a ilha do Pico sido sugerida para tal função.

Mais importante do que obter consenso quanto à localização da linha de "origem" da contagem da longitude, era conseguir um método rigoroso de a conhecer, o que gerou alguns esforços, nomeadamente o estabelecimento de prémios. Em 1598, Filipe III de Espanha propõe uma generosa quantia a que Galileu se candidata, oferecendo-se para "trabalhar em Lisboa", e, mais de 100 anos depois, é o governo inglês a tomar iniciativa idêntica, de que viria a surgir o primeiro "cronómetro de marinha", instrumento capaz de manter a hora (com rigor) à custa da sua capacidade de resistir aos balanços dos navios, a grandes diferenças de temperatura e a altos graus de humidade.

Acreditava-se então que bastaria, em alto mar, conhecer a hora de referência e – pela determinação do meio-dia solar (o momento em que o Sol atingia a sua altura máxima) – estabelecer a diferença de "horas" entre o local de referência e o local de "observação". A correspondência entre uma hora e 15 graus daria a diferença de longitude entre os dois lugares e, consequentemente, o valor correspondente ao local onde a avaliação era efectuada.

Na Conferência Internacional do Meridiano, realizada em Washington, em 1884, vinte e seis países concordaram em usar o meridiano que passa por Greenwich como referência, embora alguns, como França e Portugal, continuassem – por mais algum tempo – a usar os seus próprios meridianos, Paris e Lisboa, respectivamente. Só em 1911 se estabeleceu, em Portugal, a subordinação da hora legal ao meridiano de Greenwich.

O mês de Agosto, período de férias para a maioria dos cidadãos é, muito particularmente por isso, ocasião que permite afastar dos grandes centros urbanos (onde a forte poluição luminosas "apaga" a maioria das estrelas) e, simultaneamente, passar algum tempo a contemplar o céu, de modo mais ou menos descontraído.

Para além das "estrelas cadentes" que parecem "cair" da constelação de Perseu (daí a designação de "Perseidas"), bem visível ligeiramente abaixo de Cassiopeia, mas só a partir da meia-noite, este mês de Agosto oferece ainda a visão de um interessante "bailado" de planetas, em particular Vénus, Marte e Saturno. O primeiro (e mais brilhante), por se deslocar mais rapidamente, vai ultrapassar Saturno e Marte, estando também este último a passar pelo lento Saturno que, por mais alguns meses, "permanecerá" na constelação do Leão.

Em locais de pouca iluminação, a Via Láctea é bem visível durante toda a noite, pelo menos até meados do mês, ocasião em que o luar começará a tornar-se mais intenso e, por isso, a diminuir a visibilidade da mancha esbranquiçada que atravessa todo o céu, elevando-se desde a cauda do Escorpião (praticamente a Sul) e descendo depois para Norte, "passando" sobre a Cassiopeia e o Perseu.

A Lua encontrar-se-á com Mercúrio no dia 12 (dois dias depois de Lua Nova), ocasião em que se apresenta como um fino crescente, passando depois por Vénus, Marte e Saturno, enquanto Mercúrio será "apanhado" pelo Sol, deixando de ser observável. Perto da data de Quarto Crescente, a Lua "passear-se-á" pela Balança e pelo Escorpião, sendo então interessante a sua passagem nas "proximidades" da estrela Antares. Na noite de 17 de Agosto ver-se-á a Lua (se o céu estiver limpo) como que a roçar o brilhante ponto avermelhado que – segundo os antigos – marcava o coração do Escorpião. Naturalmente, na noite seguinte a situação ter-se-á alterado, dado que a Lua se apresentará francamente deslocada para a esquerda de Antares.

No lado norte, é bem evidente que a Ursa Maior se encontra bem mais "tombada" para Noroeste do que há um mês (feita a observação a uma mesma hora), enquanto que no outro lado (a Nordeste) a Cassiopeia se apresenta bem elevada, trazendo consigo o Perseu, constelação que se verá bem acima do horizonte a partir da meia-noite.

super interessante 148

segunda-feira, 6 de fevereiro de 2017

Notícia - Observações da sonda Messenger obrigam a repensar formação de Mercúrio

Não há nada como ver os objectos de perto para os conhecer melhor, e a última vez que se olhou com atenção para Mercúrio foi há 37 anos, com a sonda Mariner 10. Teorias sobre o planeta mais pequeno do Sistema Solar foram feitas a partir destes resultados, mas tudo mudou com a Messenger. A sonda lançada em 2004 começou a orbitar o planeta a 18 de Março deste ano e os dados dos primeiros 90 dias já obrigaram os cientistas a deitar fora aquelas teorias, de acordo com sete artigos publicados nesta quinta-feira na revista Science.

“A presença em abundância de enxofre e potássio na superfície de Mercúrio mostra que o planeta não sofreu as altas temperaturas no início da sua história que pareciam prováveis nas teorias sobre a formação de Mercúrio”, disse Sean Solomon, um dos vários autores dos sete artigos, que trabalha no Instituto Carnegie, em Washington, e que foi o cientista escolhido pela Science para comentar o trabalho, através de um podcast.

Solomon explica que o tamanho de Mercúrio e as forças gravíticas entre os planetas do Sistema Solar levaram gerações de cientistas a concluir que a quantidade de ferro presente no planeta tinha que ser muito maior do que a que existe nos outros planetas do interior do Sistema Solar - Vénus, Terra e Marte. Ou seja, Mercúrio é um planeta densíssimo, com um terço do diâmetro da Terra, com imenso ferro. Em 1974, a Mariner 10, que fez três aproximações a Mercúrio - mas que nunca orbitou o planeta como a Messenger - confirmou esta visão.

As teorias que foram nascendo sobre a sua formação envolviam ou altas temperaturas vindas do Sol, que queimaram uma parte mais externa e mais rochosa do planeta e deixaram a versão mais pequena e mais metálica que hoje conhecemos, ou um outro objecto com um tamanho semelhante ao de Mercúrio que embateu contra este e arrancou essa camada mais rochosa, com a ajuda de altas temperaturas. Em ambos os casos e de acordo com o que se sabe hoje, se isto realmente tivesse acontecido, grande parte do potássio e do enxofre que se encontrou agora à superfície do astro teria sido volatilizada. Por isso, o cientista é peremptório: há que “repensar todas as ideias sobre a formação de Mercúrio”.

Um espectrómetro de raio-X foi o instrumento que permitiu medir estes elementos na superfície do planeta e faz parte dos seis instrumentos principais da Messenger, cujo nome é uma espécie de acrónimo para Mercury Surface, Space Environment, Geochemistry and Raging.

Os instrumentos trouxeram mais surpresas. Os cientistas descobriram uma camada de lava solidificada que cobre seis por cento da área do planeta, o equivalente a três quintos dos Estados Unidos, e tem uma espessura de mais de um quilómetro. A lava brotou de rachas na superfície em grandes quantidades, num fenómeno de vulcanismo que durou pouco tempo e aconteceu entre 3,5 e quatro mil milhões de anos atrás. Esta lava seria tão quente que derretia a superfície, provocando sulcos.

A equipa também descobriu uma paisagem nunca vista, formada por muitos buracos sem bordas salientes, que ocorrem em zonas de substratos brilhantes no meio de crateras de impacto de meteoritos. “A melhor explicação é que há um material destes depósitos que sublimou”, defendeu Solomon. As altas temperaturas diurnas de Mercúrio podem ter volatilizado alguma substância, formando estas concavidades. Isto mostra que ainda “é possível que Mercúrio esteja geologicamente activo”, disse o cientista, acrescentando que a sua superfície pode estar a alterar-se pela perda de alguns materiais.

A sonda tem pelo menos mais seis meses de observação, se a NASA não quiser prolongar os trabalhos. Solomon espera que prolongue. O Sol está a atingir o pico do seu ciclo de actividade e, segundo o cientista, é um privilégio ter um observatório que testemunha esta interacção com o planeta mais próximo da sua estrela. Isto e tentar perceber como é que astros irmãos como Mercúrio, Vénus, Marte e Terra são hoje tão diferentes.

domingo, 5 de fevereiro de 2017

Notícia - XMM Newton - Uma década de descobertas

O satélite de observação de Raio-X XMM Newton da ESA celebra uma década de descobertas de astronomia, desde as estrelas que nos estão próximas aos buracos negros bastante afastados.


sábado, 4 de fevereiro de 2017

Notícia - A Terra sob ameaça ... o perigo de 20 mil asteróides

Será um pedregulho espacial a causar o fim do mundo? Conversámos com Richard Binzel, especialista em meteoritos e asteróides do MIT, que criou um método para calcular as probabilidades de eles colidirem com a Terra.

Rochas informes de estranhas órbitas e obscuras intenções, os asteróides têm sido tradicionalmente considerados cidadãos de quarta categoria do Sistema Solar. Porém, os planos de Obama de enviar astronautas para sobrevoar a sua superfície e o lançamento de outras missões não-tripuladas (como a europeia Don Quijote) para desviar os mais perigosos estão a mudar a perspectiva que tínhamos desses corpos celestes. O astrónomo Richard Binzel, do Instituto Tecnológico do Massachusetts, explica por que motivo os asteróides não são assim tão sinistros. Binzel e outros investigadores, como Pierre Vernazza, da ESA, adiantaram várias hipóteses que mostram as rochas espaciais (e os seus representantes na Terra, os meteoritos) a uma nova luz.

As observações que efectuou em telescópios de infravermelhos, complementadas por estudos comparativos de meteoritos em laboratório, proporcionam várias conclusões interessantes. A primeira é que a “pedreira” de origem da maioria dos fragmentos que caem sobre o nosso planeta é a longínqua Cintura de Asteróides, situada entre Marte e Júpiter. Alberga numerosos objectos que datam da formação do Sistema Solar, há 4550 milhões de anos, e que não chegaram a transformar-se em planetas devido às perturbações gravitacionais de Júpiter. A segunda conclusão é que essa localização afecta não apenas a composição interna dos asteróides como as probabilidades de virem a colidir com a Terra, o que poderá ajudar-nos a encontrar formas de nos defendermos de um impacto devastador. Finalmente, Binzel e os seus colegas provaram que a gravitação terrestre pode, por sua vez, deixar marcas na superfície dos asteróides.

“É o caso do homem que morde o cão”, explica o especialista do MIT, acrescentando: “Os telescópios forneceram-nos dados sobre os chamados ‘objectos próximos da Terra’ [NEO, da sigla inglesa para near Earth objects], os quais são asteróides que viajam a menos de 48 milhões de quilómetros, e conseguimos comprovar que, se algum deles chegar a aproximar-se até uma distância de 95 mil quilómetros, pode sofrer um sismo suficientemente intenso para fazer subir rególitos (fragmentos rochosos, minerais e outros materiais não consolidados) até à sua superfície”.

Do mesmo modo que a atracção de Júpiter altera a fisionomia da sua lua Europa, a força de gravidade terrestre pode transformar um asteróide. “O mais surpreendente é que esse poder se manifeste em objectos que estão a uma distância que é 16 vezes o raio terrestre. A nossa gravidade é um milhão de vezes superior à desses corpos, mas, para a Terra poder produzir essa alteração, o asteróide tem de possuir determinada estrutura. Verifica-se apenas com os rochosos (os que qualificamos de classe S), e não com os de ferro fundido (classe M)”, esclarece Binzel. “Esses pedregulhos transformados por influên­cia terrestre não se podem observar na Cintura de Asteróides, pois ficam obscurecidos pelo Sol; porém, quando se aproximam, tornam-se visíveis.”

A espectrografia dos asteróides modificados coincide com os meteoritos caídos no nosso planeta que foram estudados por Binzel em laboratório. Isso permitiu resolver um dilema, pois os astrónomos procuravam compreender por que motivo não se conseguia encontrar no espaço asteróides compatíveis com os meteoritos descobertos na Terra. Quem poderia imaginar que se tinham tornado irreconhecíveis por estarem bronzeados pela luz solar?

“Está a produzir-se uma revolução no estudo dos asteróides”, afirma o astrónomo Clark Chapman, do Southwest Research Institute, no Colorado. “Antigamente, pensava-se que eram as colisões que causavam as alterações. Agora, sabemos que há mais personagens envolvidas na história. Talvez esteja a nascer uma nova ciência que se poderia chamar ‘sísmica de asteróides’. ” Binzel, que criou, entre outras coisas, a chamada “Escala de Turim”, uma ferramenta para determinar as probabilidades de colisão destes corpos com a Terra, descobriu também a razão pela qual as marcas espectrais (o reflexo e absorção da radiação electromagnética) dos asteróides da Cintura coincidem com as dos meteoritos encontrados no nosso planeta, assim como o motivo para terem viajado de tão longe: “É o chamado ‘efeito Yarkovsky’, que modifica as órbitas dos corpos espaciais em rotação, pois as diferentes faces da sua superfície recebem a radiação solar de forma desigual, o que faz que acabem por alterar a trajectória ao longo do tempo. O fenómeno torna-se mais acentuado nos objectos de menor dimensão, e é por isso que exerce tanta influência nos asteróides.”

Binzel acrescenta: “Dois terços dos objectos da Cintura de Asteróides equivalem a uma classe de meteoritos designados por ‘condritos LL’, que representam apenas oito por cento dos que foram descobertos. Pareceu-nos estranho que, havendo tantos asteróides desse tipo, recebêssemos tão poucos meteoritos equivalentes, e descobrimos que a causa é o efeito Yarkovsky, que limita o tamanho das rochas provenientes da Cintura.”

Os condritos LL são meteoritos ricos em minerais, como piroxeno e olivina, e pobres em ferro. “Conhecer a sua composição é importante para saber como desviá-los da Terra, pois são uma das principais ameaças para nós”, adverte Binzel. O grupo dos condritos em geral, que inclui várias espécies além dos LL, engloba os meteoritos mais comuns: representam 80% dos que chegam ao nosso planeta, enquanto existem apenas cem fragmentos de rochas marcianas ou lunares em instituições científicas de todo o mundo. A análise dos condritos é igualmente fundamental para se estudar a origem da vida, pois trata-se de rochas que não foram derretidas ou passaram por um processo de fusão, pelo que contêm informação sobre a síntese de compostos orgânicos ou a existência de água na Terra.

Estima-se que a Cintura de Asteróides seja formada por 1,9 milhões destes objectos com mais de um quilómetro de diâmetro, e por vários milhões de exemplares mais pequenos. Mais além, nos limites do Sistema Solar, estão situados os asteróides da Cintura de Kuiper e os corpos transneptunianos da Nuvem de Oort, o principal depósito de cometas adormecidos, ou sem actividade. A maior parte dos asteróides é porosa, de modo que metade é quase oca, segundo Binzel. Alguns têm luas, enquanto outros ocupam sistemas binários ou viajam em grupo, superficialmente unidos pela gravidade. Por outro lado, descobriu-se recentemente a existência de alguns asteróides com água gelada nas suas entranhas, que poderiam ter transportado para a Terra em tempos remotos. Outros, mais densos, são compostos por ferro e não passam de resíduos de núcleos mortos de asteróides maiores.

Alguns desses corpos são tão escuros que passaram despercebidos durante anos. Contudo, o telescópio espacial infravermelho WISE, da NASA, foi desmascarando pouco a pouco os objectos carbonáceos, que emitem muito pouca luz, graças a um rastreio verdadeiramente exaustivo, explica Binzel. Os cientistas estimam que haja cerca de cem mil asteróides e cometas nas proximidades da Terra, dos quais 20 mil têm possibilidades de atingi-la. A NASA localizou cerca de um terço, mil dos quais em órbitas potencialmente ameaçadoras.

Actualmente, há várias missões não-tripuladas com o objectivo de estudar os asteróides. A nave japonesa Hayabusa regressou, recentemente, de uma visita destinada a recolher amostras do asteróide Itokawa. Dawn, uma sonda da NASA propulsada por iões, dirige-se para a Cintura de Asteróides a fim de se encontrar com Vesta, uma das maiores rochas do Sistema Solar. Depois, numa manobra sem precedentes na história dos voos espaciais, sairá da órbita desse corpo celeste para viajar até outro, o asteróide Ceres. Todavia, talvez a mais emocionante de todas seja a missão Don Quijote, da ESA, cujo objectivo é o asteróide Apophis, de 270 metros, que se aproximará muito da Terra em 2029. A ideia é dar-lhe um pequeno toque na direcção oposta ao seu movimento. O plano envolve duas naves espaciais: Sancho estudará a composição do asteróide antes e depois do impacto, enquanto Hidalgo se encarregará da investida para modificar a sua direcção e velocidade.

“Conhecer a microporosidade e a densidade de grânulos de Apophis ajudar-nos-ia a calcular a energia que teremos de lhe aplicar”, afirma Binzel: “Sabemos que se trata de um condrito LL e que poderá regressar em 2036. A probabilidade de colidir connosco nessa data é de 1 em 250 mil. Se se verificasse, não devastaria o planeta, pois não possui dimensões para isso, mas provocaria muitos danos.”

“O método para nos defendermos de um asteróide dependerá, também, do tempo que tivermos. Se for superior a 30 anos, o plano Don Quijote é válido. Noutros casos, poder-se-ia recorrer ao chamado ‘tractor de gravidade’, que consiste em colocar uma nave espacial ao lado do objecto, para o desviar da sua órbita. Contudo, se a rocha tiver mais de 2 km e se estimar que possa chegar dentro de ­duas décadas, a melhor opção é uma detonação nuclear para alterar a trajectória”, indica Binzel.

Entre os apocalípticos, 2012 constitui uma data fundamental (já se escreveram rios de tinta sobre a alegada profecia dos maias, que vaticina para esse ano o fim dos tempos), mas os asteróides não podem, desta vez, ser considerados suspeitos. Segundo o especialista, não foi detectado qualquer corpo celeste em órbita de intersecção terrestre para essa altura. No entanto, as colisões são uma realidade: a Terra possui 170 crateras de impacto. A maior, Vredefort, na África do Sul, tem 300 km de diâmetro. E os dinossauros talvez ainda cá estivessem se tivesse existido um programa espacial anti-asteróides no seu tempo.

Os sete magníficos
Estes são os principais asteróides, com a classificação dos especialistas:

Ceres. Foi o primeiro a ser descoberto, em 1801. Agora, foi reclassificado como um planeta anão. Com 950 quilómetros de diâmetro e cor escura, é o maior objecto da Cintura de Asteróides. Classe espectral C (carbonáceo).

Vesta. É o segundo asteróide em termos de massa, o terceiro maior da cintura e o mais brilhante do Sistema Solar. Tem 530 km de diâmetro e uma cratera no centro com 456 km2. A sonda Dawn deverá chegar a Vesta em 2011, e a Ceres em 2015. Classe espectral V (semelhante aos rochosos).

Ida. Tem 56 por 24 km. A sua idade é um mistério, mas a quantidade de crateras que contém indica que deve rondar os mil milhões de anos. Classe espectral S (rochoso).

Eros. Foi o primeiro NEO (objecto próximo da Terra) descoberto e é o segundo em tamanho: 33 por 13 km. A sua órbita cruza-se com a de Marte, mas não com a da Terra. Classe espectral S (rochoso).

Gaspra. Tem 19 por 12 km. Descoberto em 1916, foi fotografado pela sonda Galileo em 1991. É alongado e jovem, quase sem crateras. Classe espectral S (rochoso).

Cleópatra. Trata-se de um asteróide metálico, de classe espectral M, em forma de osso e com 124 km de extensão. Provém do nucleo derretido de outro asteróide maior.

Apophis. O mais falado actualmente, pois existe uma possibilidade em 250 mil de colidir com a Terra em 2036. De classe espectral S, tem 270 metros e vai ser visitado por missões da ESA e da Rússia.


A.P.S.
SUPER 149 - Setembro 2010

sexta-feira, 3 de fevereiro de 2017

Notícia - Satélites na coordenação da ajuda a desastres naturais

Muitas regiões do planeta sofreram recentemente catástrofes naturais. Em cada um dos casos as agências internacionais usaram dados de satélites para coordenar os esforços de busca e salvamento. Este video explica como a International Charter on Space and Major Disasters, da ESA, criada no ano 2000, ajudou no tremor de terra no Haiti de Janeiro de 2010.

quinta-feira, 2 de fevereiro de 2017

Notícia - Lua atrapalha observação da melhor chuva de estrelas do ano

A chuva de estrelas originada pelas Perseidas vai alcançar nesta madrugada de sábado a intensidade máxima. O único problema é a Lua, que por estar quase cheia, vai dificultar a observação dos meteoritos que atravessam a atmosfera da Terra.

Todos os anos o fenómeno das Perseidas acontece durante Agosto, quando a Terra atravessa uma região do espaço cheia de material deixado pelo cometa Swift-Tuttle, que faz uma órbita a cada 133 anos.

No céu, estes meteoritos pareciam cair inicialmente da constelação Perseus, que deu o nome a esta chuva de estrelas, actualmente o ponto de origem fica mais perto da Cassiopeia.

Há mais chuvas de estrelas em outros períodos do ano, mas a das Perseidas atinge uma frequência maior do que qualquer outra chuva, com uma média de 90 meteoritos a cair por hora, de acordo com o site Space.com.

Os conselhos para ir ver a chuva de estrelas são os mesmos de sempre: roupa para a noite, um encosto confortável, um local longe da poluição visual das cidades e paciência. Impossível vai ser fugir à luz da Lua que vai estar praticamente cheia e, por isso, vai dificultar a observação dos meteoritos.

segunda-feira, 30 de janeiro de 2017

Notícia - Planeta Vénus

Vénus é o segundo planeta mais próximo do Sol e o planeta mais próximo da Terra. Venha desvendar os seus enigmas...

sexta-feira, 27 de janeiro de 2017

Notícia - Existe um exoplaneta gigante mais negro do que carvão

O TrES-2b é o planeta mais negro alguma vez encontrado. O astro do tamanho de Júpiter foi descoberto em 2006 e fica a 750 anos-luz da Terra. Agora, com a ajuda do telescópio espacial Kepler, os cientistas determinaram que o gigante reflecte menos de um por cento da luz que recebe.

“É ridículo o quão escuro este planeta é, quão alienígena é comparado com tudo o que temos no nosso Sistema Solar”, disse ao Space.com David Kipping, astrónomo do Centro de Astrofísica Harvard-Smithsonian. “É mais escuro do que o pedaço mais preto de carvão, do que tinta escura acrílica. É bizarro como este planeta se tornou capaz de absorver toda a luz que o atinge”, disse o cientista, um dos autores do artigo sobre esta descoberta, a publicar na revista Monthly Notices of the Royal Astronomical Society.

O astro está apenas a cinco milhões de quilómetros de distância da estrela e ao contrário da Terra não tem movimento de rotação, por isso tem sempre a mesma face virada para a estrela. A temperatura da superfície atinge perto de 1000 graus.

Os cientistas sugerem que a atmosfera do TrES-2b poderá conter químicos que absorvam a luz como sódio e potássio vaporizado, ou óxido de titânio em estado gasoso. Mas nenhuma destas moléculas explica totalmente a cor do planeta. “É provável que haja outro químico exótico que nós ainda não nos tenhamos lembrado”, disse Kipping.

A temperatura da superfície do planeta faz com que este não seja completamente negro. “Está tão quente que emite um brilho vermelho muito fraco como uma brasa”, explicou em comunicado David Spiegel, co-autor do estudo e investigador da Universidade de Princeton.

Mas como é que o telescópio Kepler conseguiu medir a luz emitida pelo TrES-2b? Através das órbitas à volta da estrela. O Kepler mediu a luz vinda do lado escuro do planeta e depois a luz que era reflectida do lado que está sempre virado para a estrela. A diferença entre estes dois valores dá a quantidade de luz que o planeta reflecte, a que se chama de albedo.

“Detectámos a variação mais pequena de sempre no brilho vindo de um exo-planeta: só seis partes por milhão”, disse Kipping em comunicado. “Ou seja, o Kepler foi capaz de detectar luz visível vinda do próprio planeta.”

terça-feira, 24 de janeiro de 2017

Notícia - Possibilidade de vida em oito novos planetas

Há oito novos planetas com possibilidade de ter vida. Segundo o Harvard-Smithsonian Center for Astrophysics (centro de astrofísica, em português), os exoplanetas encontrados têm condições suficientes para terem actividade biológica, vida.

Os exoplanetas, esxo porque orbitam em torno de outra estrela que não o sol, encontram-se a uma boa distância da sua estrela fonte de calor e luz. Isto faz com que possam ter água em vez de gelo, se estivessem mais longe, ou vapor, caso estivessem mais perto. Para além disso, têm «mais ou menos o tamanho certo» e luz suficiente. 

«Grande parte destes planetas têm boas probabilidades de serem rochosos, como a Terra», afirmou Guillermo Torres do centro de astrofísica, numa nota. Com solo palpável, ao invés de gases, e água, a possibilidade de existência de vida é animadora. 

David Kipping, também do centro de astrofísica, é cauteloso, no entanto. «Não sabemos com certeza se estes planetas na nossa amostra são verdadeiramente habitáveis», afirmou Kipping, «apenas que são possíveis candidatos». 

Até agora as principais esperanças estavam depositadas nos exoplanetas Kepler-442b e Kepler-438b, os mais parecidos com o planeta Terra. Por outro lado, ainda é preciso mais desenvolvimento tecnológico para os ver e ainda por cima visitá-los, alerta Christine Pulliam, do centro de astrofísica. 

O Kepler-438b, que tem um diâmetro 12% maior do que a Terra e 70% de superfície rochosa, está a 470 anos-luz. O Kepler-442b, que é um terço maior do que o planeta azul e 60% rochoso, está a 1100 anos luz. Os cientistas acredita, que as hipóteses do último ser uma zona habitável são de 97%. 

Os nomes dos exoplanetas devem-se ao telescópio Kepler. Lançado em 2009, o Kepler, tecnologia de ponta, localizou 160 000 estrelas, o que conduziu aos oito planetas. 

É graças aos últimos avanços que a NASA (sigla em inglês, Administração Nacional da Aeronáutica e do Espaço) afirma estar «muito próxima em termos tecnológicos e científicos de realmente encontrar outra Terra».

sábado, 21 de janeiro de 2017

Notícia - Sonda da NASA prestes a chegar a Plutão

Uma sonda da NASA está a aproximar-se de Plutão. A «New Horizons» está perto do destino, depois de uma viagem de cinco mil milhões de quilómetros, que demorou quase nove anos. 

Descoberto em 1930, Plutão foi considerado o nono planeta do sistema solar com uma distância de, aproximadamente, 5,91 mil milhões de quilómetros em relação ao Sol. Em 2006, foi reclassificado assumindo o estatuto de «planeta anão» no cinturão de Kuiper – um grupo de objetos para além da região de planetas. 

A sonda, lançada a 19 de Janeiro de 2006, passou 1873 dias – cerca de dois terços do seu tempo de voo – «hibernada». Os 18 períodos de hibernação permitem evitar a possibilidade de falhas no sistema e o desgaste de sistemas elétricos. 

A 15 de janeiro a «New Horizons» iniciará as observações. O momento de maior proximidade com Plutão irá ocorrer a 14 de julho e permitirá que a sonda envie imagens com uma qualidade superior à do telescópio espacial Hube. 

Um dos cientistas do projeto, Hal Weaver, do Laboratório de Física Aplicada da Universidade Johns Hopkin, dos Estados Unidos, afirmou que agora sabe-se que Plutão é «realmente uma porta de entrada para uma região inteira de novos mundos no Cinturão de Kuiper e a "News Horizons" permitirá o primeiro olhar sobre eles».