quarta-feira, 22 de março de 2017

Biografia - Marie Curie


(1867 - 1934) Física polaca nascida em Varsóvia e naturalizada francesa, famosa pesquisadora e criadora do termo radioatividade, juntamente com o marido. Bela filha de um modesto professor secundarista, aos dezessete anos arranjou um emprego e, assim, conseguiu economizar para ir para Paris (1891), matriculando-se na Sorbone, onde dois anos mais tarde formou-se em física e em matemática (1894). Trabalhando no laboratório de pesquisas de Gabriel Lippmann, conheceu o cientista francês (1894) Pierre Curie, com quem casaria no ano seguinte, formando o mais famoso casal de cientistas da história. Com dois diplomas universitários (1897) e uma bolsa de estudos, publicou seu primeiro trabalho importante, Investigações sobre as propriedades magnéticas do aço temperado. Apresentou no Congresso de Física de Paris (1900) as suas descobertas do polônio e do rádio. Ganharam a medalha Davy da Sociedade Real de Londres (1903) e o Prêmio Nobel de Física, dividindo-o com Antoine Becquerel, por suas descobertas no campo da radioatividade.

Nasceu sua segunda filha (1904), Eva, que se tornaria sua biógrafa. Ganhou a cátedra de física (1906) da Faculdade de Ciências de Sorbonne, após a morte de Pierre em um acidente de trânsito, tornando-se a primeira mulher a ocupar tal cargo na França. Publicou Traité sur la radiografie (1910), em que sintetizou as pesquisas realizadas com seu marido, e seu aluno Langevin. Recebeu pela segunda vez (1911), um Prêmio Nobel, agora de Química, por conseguir isolar o rádio metálico puro. Foi eleita (1922) membro da Academia de Medicina de Paris, justa homenagem por suas atividades na medicina experimental.

Durante a primeira guerra mundial, com a ajuda da filha Irène, devotou-se ao desenvolvimento das técnicas da radiografia. Foi também ela quem primeiro percebeu a necessidade de acumular fontes de radioatividade intensa para o tratamento de doenças e para realizar pesquisas de física nuclear. A formação de reservas por ela incentivada foi decisiva até o aparecimento dos aceleradores de partículas (1930).

Morreu em 4 de julho (1934), perto de Sallanches, França, de leucemia provocada por anos de exposição à radioatividade sem nenhuma proteção. Em honra ao casal Curie, o elemento químico de número atômico 96 foi batizado com o nome de cúrio e a unidade de medida da radioatividade chamou-se curie. Sua primeira filha, Irène Joliot-Curie, nascida no segundo ano de casamento, que mais tarde se casaria com o físico Frédéric Joliot, e que começou colaborando na cátedra da mãe, posteriormente, junto com o marido Frederico Juliot, descobriu a radioatividade artificial. Isso valeu ao casal Joliot-Curie o Prémio Nobel de Química (1935).

domingo, 19 de março de 2017

Biografia - Michael Faraday

(1791 - 1867) Físico e reverenciado químico inglês, nascido em Newington, Surrey, subúrbio de Londres, descobridor da indução eletromagnética (1831) e cujos conceitos da física experimental e do eletromagnetismo abriram caminho para o progresso da eletrônica e da eletrotécnica. Suas concepções teóricas, entre as quais as que tratam das linhas de força, serviram de base aos trabalhos de Maxwell para o estabelecimento da moderna teoria das ondas eletromagnéticas. Filho de um pobre ferreiro, dos 13 aos 20 anos trabalhou como encadernador e, enquanto isso, autodidata, lia tudo que lhe era entregue para encadernação, principalmente os textos científicos, sobretudo os de química. Passou a freqüentar a Sociedade Filosófica e depois a Royal Instituition, onde chamou a atenção de Humphrey Davy, passando a ser seu assistente no laboratório da Royal Institution e também nas suas viagens ao exterior do país. Apesar de poucos conhecimentos teóricos, seu espírito de experimentação o levou a importantes descobertas para a química e a física. Publicou seu primeiro trabalho de notoriedade (1816), sobre análises químicas de determinados calcários.

Atraído pela experiência do físico dinamarquês Oersted, que demonstrou a propriedade da corrente elétrica de modificar a direção de uma agulha magnética, descobriu o efeito contrário dos magnetos sobre os condutores e com essa experiência, fundamental para o desenvolvimento tecnológico posterior, criou o primeiro motor eletromagnético (1821). Especialista na pesquisa com fluxo de eletricidade através dos líquidos, descobriu a eletrólise (1823). No mesmo ano conseguiu liquefazer o gás cloro com o abaixamento da temperatura e aumento da pressão, procedimento em que seu mestre havia fracassado anteriormente, causando-lhe até uma certa dose de ciúmes e, a partir daí, conseguiu liquefazer praticamente todos os gases conhecidos.

No ano seguinte (1824), graças à notoriedade conquistada por suas descobertas, entrou para a Royal Society. Prosseguindo em suas experiências, isolou o benzeno (1825) e, retomando os estudos sobre o eletromagnetismo, descobriu a indução eletromagnética (1831), um fenômeno, já entrevisto por Arago e por Ampère, mas que só então foi definitiva e cientificamente explicado. A formulação da lei da indução eletromagnética, demonstrou a possibilidade da transformação direta de energia mecânica em energia elétrica (quase que simultaneamente com Joseph Henry, nos EEUU). Através de experiências com limalhas de ferro, descobriu e designou as linhas de força (1831), e esclareceu a noção de energia eletrostática.

Foi o responsável pela introdução no Conselho de Whewell (1833) de uma nova terminologia na química, que é empregada até hoje, como eletrólise, íons, ânion, anodo, cátion, catodo, etc. Formulou as leis da eletrólise (1834) e, por isso, denominou-se faraday a quantidade de eletricidade necessária para libertar um equivalente-grama de qualquer substância. Definiu corrente elétrica como resultado da vibração provocada pelas rápidas alternâncias de tensão nas moléculas dos bons condutores (1838).

quinta-feira, 16 de março de 2017

Biografia - Max Ludwing Plank

Físico alemão (Kiel, 23-IV-1858 — Göttigen, 5-X-1937). Estudou nas universidades de Munique e Berlim, tendo-se doutorado pela primeira em 1879. Interessou-se inicialmente pela termodinâmica, estudando sob orientação de H. von Helmholtz e de G. R. Kirchhoff. Tentou esclarecer o conceito de entropia, cuja importância demonstrou. Sucedendo a Kirchhoff na universidade de Berlim, desenvolveu importantes estudos sobre a radiação do corpo negro.

Em 1900, apresentou à Sociedade Alemã de Ciência sua teoria dos quanta, que era uma hipótese para interpretar o problema dessa radiação. A observação experimental indicava uma relação entre a temperatura e a cor da radiação, resultado que não podia ser explicado pela física clássica. Planck determinou a expressão matemática correta da distribuição das freqüências e, em seguida, introduziu sua concepção revolucionária, segundo a qual a energia emitida por qualquer corpo só poderia realizar-se de forma descontínua, isto é, segundo múltiplos inteiros de uma quantidade mínima, que denominou 'quantum de energia'.

O quantum de energia de um oscilador de freqüência v é dado pela expressão E=hv, onde h é uma constante universal, hoje denominada constante de Planck, e cujo valor é de 6,6252 × 10-27 erg por segundo. Max Planck recebeu o prêmio Nobel de física de 1918. A Kaiser-Wilhelm-Gesellschaft, de Berlim, de que foi presidente a partir de 1930, tem seu nome desde a II Guerra Mundial e é hoje a Max-Planck-Gesellschaft, a mais importante das fundações alemãs dedicadas à pesquisa científica.

segunda-feira, 13 de março de 2017

Biografia - John Dalton


(1766 - 1844) Físico, químico e professor inglês, natural da vila de Eaglesfield, Cumberland, considerado o criador da primeira teoria atômica moderna. Filho de um tecelão de uma fábrica local, tornou-se um menino prodígio e, aos 12 anos de idade, substituiu seu professor, John Fletcher, na Quaker’s School de Eaglesfield. Estudou durante 12 anos em Kendal e, após concluir sua formação acadêmica, tornou-se professor de matemática e física do prestigiado New College de Manchester (1793-1799). Desenvolveu trabalhos significativos em vários campos: meteorologia, química, física, gramática e lingüística. Pioneiro em trabalhos sobre as propriedades dos gases, enunciou a lei da mistura dos gases (1801) e iniciou a formulação da teoria atômica. Seu nome passou à história da ciência tanto por suas teorias químicas quanto pela descoberta e descrição de uma anomalia congênita da visão das cores: o daltonismo, de que ele próprio sofria, cujas observações pessoais sobre o fenômeno foram publicadas no livro Extraordinary Facts Relating to the Vision of Colours (1794).

Percebeu, ainda jovem, sua cegueira para algumas cores e pesquisou o fenômeno em outras pessoas, observando que a anomalia mais comum era a impossibilidade de distinguir o vermelho e o verde. Em alguns casos, a cegueira cromática é mais acentuada para o campo do vermelho, chamada de protanopsia. Em outros, para o campo do verde, a deuteranopsia. Certas pessoas sofrem de daltonismo apenas em circunstâncias especiais, e poucas são cegas para todas as cores.

Assumiu a secretaria da Sociedade Literária e Filosófica de Manchester (1800), que posteriormente assumiu a presidência vitalícia em caráter honorífico (1817). Discípulo de Proust (1803-1807) criou o modelo atômico de Dalton e apresentou sua teoria atômica com o trabalho Absorption of Gases by Water and Other Liquids (1803) em uma série de conferências realizadas na Royal Institution de Londres (1803-1808). Para ele, toda matéria era constituída por partículas indivisíveis, os átomos. Retomando as definições dos antigos atomistas gregos, considerava os átomos como partículas maciças, indestrutíveis e intransformáveis, ou seja, não seriam alterados pelas reações químicas. Associou cada tipo de átomo a um determinado elemento químico. Os átomos de um mesmo elemento seriam todos iguais na massa, tamanho e demais qualidades e o peso (massa) de um composto seria igual à soma dos pesos dos átomos dos elementos que o constituíam. Idéia que prevaleceu até a descoberta dos isótopos (1921), quando foram descobertos átomos de um mesmo elemento com massas diferentes.

Explicava as reações químicas como resultado da separação ou da união entre átomos e usou o termo átomos compostos para designar as ligações entre essas partículas. Dedicou-se também à meteorologia, onde desenvolveu interessantes trabalhos sobre fenômenos atmosféricos, como a aurora boreal. Seu principal livro foi New System of Chemical Philosophy (1808-1810), onde incluiu teses importantes, como a lei das proporções múltiplas, conhecida como lei de Dalton, segundo a qual a pressão total de uma mistura de gases equivale à soma das pressões parciais dos gases que a constituem.

sexta-feira, 10 de março de 2017

Biografia - Abraão Ben Samuel Zacuto

n.      c. 1450.
f.       1510.

Sábio judeu, grande astrónomo. 
Nasceu em Salamanca em 1450, aproximadamente, e faleceu em 1510. 

Foi catedrático de astronomia na universidade da sua terra natal, e mais tarde na de Saragoça e em Cartagena. Quando os judeus foram expulsos do Espanha veio para Portugal, onde teve grande valimento junto de D. João II e principalmente de D. Manuel, de quem foi cronista e astrónomo. Atribui-se à sua influência para com o rei D. Manuel, a carta de alforria que este monarca no princípio do seu reinado, concedeu aos judeus. Auxiliou com os seus conselhos a expedição de Vasco da Gama, e inventou alguns instrumentos náuticos. Quando se deu a expulsão dos judeus em Portugal, procurou segurança em Tunis, mas viu-se mais tarde obrigado a fugir para a Turquia, onde morreu. 

Escreveu o Bi'ur Luhot que foi traduzido pelo seu discípulo José Vizinho com o nome do Almanach perpetuum. A sua obra mais importante, intitulada: Sepher Juchasin (Livro das linhagens), foi pela primeira vez impressa em Constantinopla, no ano de 1566, e nela se encontram curiosas notícias a respeito da história religiosa da nação dos israelitas e a respeito dos rabinos que viveram até 1500 e dos violentos ataques contra o cristianismo.

Informação retirada daqui


sexta-feira, 3 de março de 2017

Biografia - Albert Einstein

Albert Einstein (1879-1955) foi um físico alemão, famoso por desenvolver a teoria da relatividade; estabelecer a equivalência entre massa e energia; pela criação da teoria do movimento browniano e pela definição da teoria fotônica da luz. Quatro caminhos que conduziram à reviravolta de todos os conceitos científicos até então estabelecidos. "O mais incompreensível no universo é que ele é compreensível" diria Einstein. Com sua visão inteiramente nova do Universo, ganhou o Prêmio Nobel de Física em 1921. 

 O trabalho sobre a explicação do efeito fotoelétrico, possibilitou o desenvolvimento, por um grupo de físicos alemães, do processo de fissão nuclear e a consequente liberação de enormes quantidades de energia atômica. Formado na Escola Politécnica Federal da Suíça, em Física, conclui depois o doutorado. Lecionou e conferiu palestras em vários países. Foi diretor do Instituto Imperador Guilherme e Membro da Academia de Ciências da Rússia. Foi nomeado Diretor do Instituto Kaiser Wilhelm de Física e professor da Universidade de Berlim. Foi convidado pela Organização Sionista dos Estados Unidos, para propagar suas idéias. Einstein prevendo que o nazismo controlaria toda a Alemanha, partiu para os Estados Unidos, foi lecionar Física no Instituto de Estudos avançados de Princeton. Albert Einstein visitou o Brasil, onde foi recebido pelo presidente Artur Bernardes. Fez conferência, visitou universidades e Institutos de pesquisas. 

 Albert Einstein (1879- 1955) nasceu em Ulm, na Alemanha, em 14 de março, era filho de família judaica, não praticante. Em 21 de julho de 1880 mudou-se para Munique. Estudou na Escola Politécnica Federal da Suíça, onde conclui a graduação em Física, no ano de 1900. Em 1901 escreveu um artigo na mais prestigiada publicação científica em Física. Em fevereiro deste mesmo ano recebeu a naturalização suíça. Em 6 de janeiro de 1905 casou-se com Mileva Maric. O casal teve três filhos. 

Nesse mesmo ano concluiu o doutorado. Em 1919 separa-se e casa-se com sua prima Elsa. Em 1909 com 30 anos é professor na Universidade de Zurique e no ano seguinte leciona na Universidade de Praga. Em 1912 ocupa a cadeira da Escola Politécnica Federal da Suíça. Em 1913 é professor da Universidade de Berlim, diretor do Instituto Guilherme e Membro da Academia de Ciências da Rússia ensinando e criando nova geração de cientistas. Einstein se aprofunda em desvendar os segredos do universo. Em 1914 transfere-se definitivamente para Berlim. Em 1915 enuncia a Teoria Geral da Relatividade e em 1921, recebe o Prêmio Nobel de Física. Em 1925 visitou vários países da América do Sul, entre eles o Brasil. 

Foi recebido pelo presidente Artur Bernardes, fez conferências, visitou Institutos de pesquisas e Universidades. Em 1932 Einstein partiu de Berlim para uma visita a Califórnia, pois sabia que em breve o nazismo controlaria toda a Alemanha. Em 1933 renunciou o cargo em Berlim, seguiu para os Estados Unidos e ingressou no Instituto de Estudos Avançados de Princeton e ganha cidadania norte-americana em 1940. Em 1945 encerra sua carreira em universidades. Em 1946 apoiou projetos de formação de um governo mundial e a troca de segredos entre as grandes potências atômicas, almejando a paz mundial. Albert Einstein morreu no dia 18 de abril de 1955, em Princeton, de aneurisma, aos 76 anos.

quarta-feira, 1 de março de 2017

Biografia - Alessandro Volta

Alessandro Volta (1745-1827) foi físico italiano. O inventor da pilha voltaica. Recebeu de Napoleão Bonaparte o título de conde. Em 1893 o Congresso dos Eletricistas deu o nome de volt à unidade de força eletromotriz. Alessandro Volta (1745-1827) nasceu em Como, cidade às margens do lago do mesmo nome, no sopé dos alpes italianos, no dia 18 de fevereiro de 1745. Começou a falar aos quatro anos de idade. 

Com seis anos foi levado por alguns parentes influentes na igreja, para uma escola de jesuítas. Em 1759, resolve estudar física, e aos dezessete anos terminava o curso universitário. Passou a lecionar Física na Escola Real de Como, onde permaneceu até 1779. Nessa época aperfeiçoou o eletróforo, uma máquina que não tinha valor prático, mas se usava nas aulas de Ciências para explicar e demonstrar a eletricidade estática. Ainda esse ano tornou-se professor de Física na Universidade de Pavia, Itália, onde permaneceu por 25 anos. 

 Volta usou o eletróforo para descobrir muitas das leis que determinavam o funcionamento do hoje conhecido condensador ou capacitor. Empregou o dispositivo para aumentar o efeito de uma carga elétrica, a fim de operar os não muito sensíveis eletroscópios ou eletrômetros com que se media a eletricidade naquela época. Estudando as experiências de Luigi Galvani, professor de Biologia e Fisiologia da Universidade de Bolonha, não estava convencido da "eletricidade animal" e continuou seus estudos. 

No dia 20 de março de 1800, escreveu uma carta à Sociedade Real de Londres, descrevendo o que se conhece hoje como pilha voltaica. Com placas de prata, de zinco e de papelão encharcado de água salgada os empilhou em diversas camadas e obteve um fluxo continuo de eletricidade nos extremos da pilha. Volta fizera a primeira "célula" elétrica, precursora das baterias secas usadas hoje. Pela primeira vez na História da Ciência se produzira uma fonte contínua de eletricidade. Sua descoberta abriu novos rumos para a pesquisa elétrica e química. Alessandro Volta foi convidado por Napoleão, para ir falar no Instituto de Paris.

Em 1810 o nomeou conde. Cunhou-se uma medalha de ouro em sua homenagem. Em 1815, o imperador da Áustria deu-lhe o posto de diretor da Faculdade de Filosofia de Pádua. Em 1819, voltou para sua cidade natal. Em 1893, o Congresso dos Eletricistas deu o nome de volt à unidade de força eletromotriz. Alessandro Guiseppe Antonio Anastasio Volta morreu em Como, Itália, no dia 5 de março de 1827.

terça-feira, 21 de fevereiro de 2017

Biografia - Lise Meitner (1878-1968)


Química e investigadora austríaca, deu grande glória ao seu país de adopção (Suécia). Pelo facto de ser judia, foi uma das muitas pessoas forçadas ao exílio, como Fritz Lang, Albert Einstein, ou como a matemática Emmy Noether. Lise Meitner, em 1938, partiu para a Suécia, depois da Áustria ter sido anexada pela Alemanha. No seu país chegou a dirigir o Instituto Kaiser Wilhelme. Foi docente da Universidade de Berlim. Estudou e fez investigação com o químico Otto Hahm, que recebeu o Prémio Nobel da Química, em 1944, quando diversas vozes se levantaram, dizendo que o prémio deveria ter sido partilhado pelos dois. Estudou a fusão nuclear. Defendeu o uso da energia nuclear para fins de paz e progresso. Recebeu cinco vezes o doutoramento honoris causa. Concederam-lhe a prestigiada medalha de ouro de Max Plank (célebre físico alemão). As suas investigações despertaram grande apreço pela sociedade científica do Reino Unido, onde viveu e morreu.

Biografia retirada daqui

domingo, 19 de fevereiro de 2017

Biografia - Luís Pasteur


Hoje, quando tossimos em público, temos o hábito de colocar a mão na boca. Não é apenas por boa educação, esse pequeno gesto generalizou-se no início do séc. XX, depois do cientista Luís Pasteur ter descoberto anos antes que os micróbios se podem transmitir entre as pessoas apenas pela tosse. Pelo seu contributo para a cura de inúmeras doenças através de vacinas Pasteur podia ter sido o primeiro Prémio Nobel da Química e Medicina, porém, morreu um pouco cedo de mais e o seu contemporâneo sueco Alfredo Nobel só em 1896 decidiu criar esse prestigiado galardão, atribuído apenas a partir de 1901. 
             A segunda metade do séc. XIX foi o primeira grande época das descobertas científicas na química, medicina e princi-palmente biologia – e contou com um número considerável de grandes investi-gadores que transformaram o mundo, até aí pasto de mortíferas e inexplicáveis doenças, num planeta onde a mortalidade infantil começou a decrescer visivelmente. No séc. XX, as vacinas, os antibióticos e as anestesias permitiam que o sofrimento físico da humanidade fosse significativamente reduzido. Hoje esquecemos como eram comuns epidemias que devastavam números astronómicos de pessoas em vastas regiões dos continentes europeus, africano e asiático, às portas do séc. XX. Em finais de Setembro de 1892 grassava uma epidemia de cólera na Europa que abrangia a Alemanha, Áustria, Bélgica, França e parte da Rússia, ao ponto de ser notícia de primeira página no jornal português O Século. A população de Portugal, devido à situação geográfica e à pouca mobilidade das pessoas, não foi contaminada. 
             Na base da cura de doenças epidémicas estiveram investigações e estudos levados a cabo, na maior parte dos casos, não por médicos mas por químicos. A Europa de 1815 assistiu à derrota de Napoleão em Waterloo. Em1831 Charles Darwin partiu para a sua viagem à volta do mundo para estudar as origens das espécies. Entre estes dois acontecimentos, nasceu a 27 de Dezembro de 1822, em Dale, no Leste de França, Luís Pasteur, terceiro filho de Jean-Joseph Pasteur, industrial de peles. Luís frequentou a escola de Arbois e em 1839 entrou para o Colégio Real e Besançon para cursar Letras e Ciências, mas curiosamente não teve grande nota a Química, disciplina que o tornaria famoso e admirado. Seguiu-se a Escola Normal Superior, em 1843, tendo-se distinguido como bom aluno nas Cadeiras de Física, Matemática e Química. Os colegas admiravam a sua vontade indomável e as muitas horas que dedicava ao estudo. 
             Pasteur fez o doutoramento em Ciências, a 23 de Agosto de 1847, apenas com 25 anos. Nesse tempo a ignorância sobre as bactérias era grande e não se sabia que estavam espalhadas no ar, por todo o lado. O médico húngaro Ignaz Semmelweisse, nesse mesmo ano aconselhava todos os médicos a lavarem bem as mãos com água e sabão. Esse simples gesto fez decrescer significativamente o número de parturientes que sucumbia, devido a febres contraídas logo após o parto, provocadas por germes. Mais tarde Pasteur estudaria também os efeitos dos micróbios (termo que data de 1878) causadores das febres puerperais. 
             Um dos fundadores da química orgânica foi Jean-Baptiste Dumas, que Pasteur sempre considerou o seu pai espiritual, a cujas aulas assistiu na Sorbonne e que foram o incentivo para que o jovem Luís estudante se sentisse atraído em prosseguir os estudos da química do sangue. Depois, entre 1844 e 1847, Pasteur irá estudar os ácidos contidos nos frutos observando-os ao microscópio e expondo-os à luz polarizada, até chegar a conclusões inéditas. Foi o seu primeiro triunfo científico, que apresentou publicamente na Academia das Ciências de Paris. Já professor de Química em Estrasburgo, aos 27 anos, casa com Marie Laurent, filha do reitor da universidade dessa cidade, e tiveram cinco filhos, tendo apenas dois chegados à idade adulta. As mortes de dois filhos ainda muito pequenos com febre tifóide afectaram vivamente o casal Pasteur e foram decisivos para o prosseguimento dos estudos e investigações sobre as doenças causadas por micróbios. Porém Pasteur ficou sobretudo famoso pela descoberta da vacina contra a raiva, em particular pela circunstância de estar em risco a vida e uma criança.
             É mundialmente conhecido o caso do rapazinho alsaciano de nove anos, José Meister, que, em Julho de 1885 foi mordido catorze vezes por um cão com a doença da raiva. A mãe suplicou a Pasteur que lhe salvasse o filho. Até à data ninguém sobrevivera a estas mordeduras. O cientista esteve hesitante, porque ainda só testara a sua vacina em animais e era um risco enorme experimentá-lo num ser humano. Pasteur disse mesmo ao seu colega de investigação Emílio Roux que estava disposto a servir ele próprio de cobaia para poder testar a reacção. Porém surgiu esta emergência e Pasteur passou momentos de angústia até se decidir. E pensou: se o rapaz morre depois de vacinado? Como as hipóteses de sobrevivência sem vacina eram nulas, arriscou. Luís Pasteur era químico e hoje diríamos biólogo, mas não era médico, por isso não podia ser ele a ministrar a vacina sob pena de ser processado. Pediu então ao dr. Grancher, seu assistente que o fizesse. Sessenta horas depois de ter sido mordido, José Meister recebeu a primeira de 12 injecções anti-raiva, que lhe foram sendo injectadas uma após outra sob apertada vigilância. Família e cientistas aguardaram várias semanas. Por fim o jovem sobreviveu. Este jovem ficou para sempre agradecido a Pasteur e deu mesmo a vida por ele, já vamos saber como e quando. 
             A repercussão do sucesso da vacina anti-rábica foi tal que a Academia das Ciências desenvolveu um projecto para criar uma instituição de investigação (futuro Instituto Pasteur) que foi bem acolhido no estrangeiro, tendo o próprio czar Alexandre III contribuído com cem mil francos. O Instituto foi inaugurado em 1888, no mesmo ano em que Vicent Van Gogh pintava na Provença, a sequência dos «Girassóis». 
             Pasteur foi admitido como membro da Academia de Medicina, em 1873 e em 1882 na Academia Francesa, prestigiadas instituições. 
             Em 1940, na 2ª Guerra Mundial, quando as tropas de Hitler invadiram a França, um grupo de militares quís forçar a entrada do Instituto Pasteur – onde repousam, numa cripta os restos mortais de Pasteur. José Meister era o responsável pela segurança e, ao verificar que não conseguia impedir os nazis entrassem, suicidou-se (os cientistas nazis tinham a paranóia de estudar os cérebros de pessoas consideras génios). Mas o cérebro de Pasteur não foi roubado. 
             Luís Pasteur já entrara na História pela sua descoberta, mas o seu contributo para a Humanidade foi muito maior. O estudo da fermentação levá-lo-ia a descobrir o porquê dos vitivinicultores, de diversas zonas do seu país verificarem, com tanta frequência que os seus vinhos se transformavam em vinagre, sendo uma enorme perca para a economia francesa. E isto passou a ser particularmente grave a partir de 1860, depois de assinado o tratado comercial entre a França e a Grã-Bretanha, por se verificar que grande percentagem dos vinhos não resistiam à viagem, estragando-se irremediavelmente. Nessa época a França produzia 50 milhões de hectolitros de vinho por ano. A perda do precioso líquido era uma calamidade. O imperador Napoleão III (sobrinho de Napoleão Bonaparte) pediu a Pasteur que investigasse o porquê da fermentação do vinho e proporcionou-lhe as melhores condições de trabalho, equipando laboratórios para que o grande químico pudesse dedicar-se inteiramente a essa investigação. Foi criado, em 1867 o laboratório de físico-química expressamente para Pasteur, na Escola Normal Superior. Depois de aturados estudos o cientista descobriu que submetendo o vinho a um aquecimento elevado durante alguns segundos, e logo de seguida, a um repentino abaixamento da temperatura a menos de dez graus, matava os germes que alteravam os líquidos. Este sistema foi depois utilizado na cerveja e vinho, daí o termo «pasteurizado» que todos conhecemos.
             O cientista ao verificar a disseminação de germes no ar lançou as bases da microbiologia (1858-1864). Também estudou a doença que atacava os bichos-da-seda ainda em casulo. Como se sabe, a França tem uma centenária tradição de fabrico de seda natural e as descobertas de Pasteur tiveram uma imensa repercussão na economia do País. Modesto e simples Pasteur recusou receber cem mil francos pelos direitos da vacina contra o carbúnculo que até então dizimava os carneiros da África do Sul e recordava com pesar que o seu colega alemão Liebig tinha autorizado que o seu nome fosse comercializado nas famosas sopas enlatadas. Hoje poucos sabem que Justus von Liebig (1803-1873) foi um eminente químico alemão que estudou a fermentação dos frutos e legumes e foi o fundador da química orgânica, em 1840. 
             Na vida do casal Pasteur também havia convites irrecusáveis, como aquele que lhes foi feito pelo Imperador Napoleão III para irem passar uns dias com o casal imperial a Compiègne. Napoleão III foi casado com uma espanhola a imperatriz Eugénia do Montijo, extremamente bonita e que morreu com mais de 90 anos. 
             Pasteur aos 46 anos é vítima de uma trombose que lhe paralisou o lado esquerdo do corpo, mas continuou a trabalhar, mas sabe-se que o cientista era difícil no trato com os colaboradores. Um deles queixava-se. «É uma excelente pessoa, excepto quando trabalhamos com ele. Aí, é inflexível e autoritário».
             Por essa época o médico e cientista Robert Koch (1843-1910), prémio Nobel da Medicina em 1905, descobriram, com base nas investigações de Pasteur, que o germe do antraz (doença grave detectada primeiro nos animais e de fácil propagação aos humanos) poderia ser estudado em laboratórios. Koch descobre a cura da tuberculose, que foi conhecida como «bacilo de Koch.» Mas Pasteur também tinha as suas intolerâncias e não quís trabalhar com Koch, porque este, além de alemão, tinha sido militar e lutado contra a França na sangrenta guerra franco-prussiana entre 1870-1871. 
             Pasteur passou a usufruir de uma pensão dada pelo governo de Napoleão III, a partir de 1887. Sempre a trabalhar em 1882 descobre a cura do carbúnculo. Aos 70 anos recebeu da III República Francesa uma grandiosa homenagem, na Sorbonne, estando presentes representantes dos Governos de Itália, Rússia, Suécia, Alemanha e Turquia. Deve-se à rainha D. Amélia de Orleães e Bragança, de origem francesa teve a iniciativa de abrir em Portugal o primeiro Instituto Pasteur. 
             Luís Pasteur morreu a 28 de Setembro de 1895 e a viúva opôs-se a que fosse para o Panteón onde repousam os notáveis de França. No ano seguinte passou a repousar numa cripta especialmente concebida para ele no Instituto Pasteur. As cerimónias fúnebres ocorreram em 5 de Outubro no Palácio de Versalhes e tiveram as honras de um funeral de Estado. O cortejo fúnebre saiu da basílica de Nôtre-Dame e o presidente da República Feliz Faure esteve presente. O rei D. Carlos de Portugal fez-se representar pelo seu ajudante de campo e o elogio fúnebre coube a Poincaré, ministro da Instrução. Pasteur ocupa um lugar cimeiro na Ciência mundial do séc. XIX. 

Informação retirada daqui

quarta-feira, 15 de fevereiro de 2017

Biografia - Alfred Nobel

Alfred Nobel (1833-1896) foi o criador do Prémio Nobel. Inventou a dinamite, a balistite e outros detonantes. Era químico e industrial sueco. Usou sua fortuna para ajudar as organizações pacifistas e, antes de morrer, deixou seus bens para uma fundação que premiasse anualmente, cinco personalidades de destaque mundial da física, química, medicina, literatura e em especial a quem contribuísse de maneira notável para a paz entre os homens, receberia o Prémio Nobel da Paz.

Alfred Nobel (1833-1896) nasceu em Estocolmo, Suécia, em 21 de outubro. Seu pai modesto agricultor, resolveu estudar engenharia militar e já formado foi convidado pelo governo Russo a trabalhar na construção de engenhos militares. Partiram para a Rússia e em pouco tempo já possuíam jazidas petrolíferas em Baku, ao sul da Rússia.

Alfred e os irmãos Robert e Ludwig foram educados por professores particulares. Estudou em São Petersburgo e aos 16 anos já era um químico competente. Falava inglês, francês, alemão, russo, além de sueco. Foi mandado para os Estados Unidos, onde passou um ano trabalhando com Johan Ericsson, um engenheiro sueco. Voltou com capacidade para dirigir a exploração de petróleo, mas sua ambição era fazer experiências com explosivos, que mal se conhecia naquele tempo.

De volta à Suécia Alfred e seu pai montam um laboratório de pesquisas, na cidade de Helenborg, próximo a Estocolmo. Começam as pesquisas com nitroglicerina e em pouco tempo Alfred descobre a forma de fazer detonar essa substância. Uma explosão destruiu todo o laboratório, várias pessoas morreram entre elas, um irmão.

Proibido pelo governo de reconstruir a fábrica e estigmatizado como "cientista louco", Nobel instalou fábricas na Alemanha e Noruega. Os acidentes não cessaram, mas em 1866, Nobel descobre a maneira de minimizar o perigo de manusear a nitroglicerina, ao misturá-la com um material inerte e absorvente, que só explodia com um detonador especial. Nobel batizou o produto de dinamite.

O invento permitiu-lhe multiplicar suas fábricas. Em 1875 era dono de centros produtores de dinamite em vários países da Europa e nos Estados Unidos. Continuando suas pesquisas inventou a balistite, uma pólvora, que logo foi usada em vários países para fins militares.

Nobel acumulou grande fortuna com suas fábricas. Solitário, sem filhos e abalado com a utilização de seus inventos para fins bélicos, Usou parte de sua fortuna para ajudar as organizações pacifistas. Determinou que após sua morte, uma fundação patrocinasse anualmente, a entrega de cinco prêmios para quem se destacasse em física, química, medicina, literatura e quem contribuísse para a paz mundial.

Alfred Bernhard Nobel morreu em San Remo, Itália, em 10 de dezembro de 1896. A Fundação Nobel foi criada no dia 29 de junho de 1900. Desde 1902 quatro prêmios são entregues pelo Rei da Suécia e o Nobel da Paz é entregue em Oslo, na Noruega.

Biografia retirada de e-biografias

sexta-feira, 10 de fevereiro de 2017

Notícia - A deriva do efeito Doppler

O efeito Doppler é um dos pilares em que se baseia a aceleração e expansão do Universo, tal como descobriu Hubble. O Universo evolui de forma dinâmica, em vez de ser estático. Por isso, a grande descoberta, feita nos anos 90, acerca do aumento da velocidade de recessão das galáxias em tempos cosmológicos relativamente recentes, introduziu a energia escura como o constituinte largamente maioritário da totalidade da massa-energia do Universo.

As medições do desvio Dop­pler para o vermelho (simbolizado por z) de um objecto devido à expansão do espaço-tempo no Universo não serão constantes se a velocidade de recessão não for constante ao longo do tempo, como sabemos que não é! Medir directamente a evolução do z de um objecto permitiria descartar ou suportar diferentes modelos cosmológicos que sugerem diferentes dinâmicas, com todas as implicações que isso traz para a energia escura. Trata-se pois de cosmologia quase em tempo-real!

Terá sido A. Sandage o primeiro a propor tal ideia, em 1962, sendo hoje a deriva do efeito de Doppler conhecida por vezes como “efeito Sandage-Loeb”. Este último sugeriu, mais recentemente, o uso de linhas espectrais de quasares muito distantes para estudar a deriva do z de cada objecto. Ora, devido à desaceleração da expansão do Universo que se verifica nestes quasares a distâncias cosmológicas, pensa-se que o seu espectro tenha uma deriva, ao fim de uma década, associada a velocidades da ordem de alguns centímetros por segundo. Estes valores são extremamente pequenos e cerca de 10 a 20 vezes menores do que podem hoje medir os maiores telescópios do mundo equipados com os melhores espectrómetros disponíveis. Espera-se, porém, que os futuros telescópios, planeados para entrar em funcionamento em torno de 2020, como o Telescópio Europeu Extremamente Grande (EELT, na sigla inglesa), possam ter a sensibilidade e a capacidade para medir diferenças tão pequenas em espectros ultra-estáveis.

Quem diz desaceleração do Universo mais primitivo, mutatis mutandis, aplica o conceito da deriva do Doppler ao Universo a z<1, onde se observa uma expansão acelerada por maior influência da energia escura, cuja natureza é anti-gravítica.

Os construtores de espectrómetros estão confiantes na possibilidade de medir desvios espectrais associados a velocidades de 1 cm/s durante períodos muito longos. Há, por isso, quem não queira esperar pelo EELT e proponha já medidas feitas ao longo de uma década para medir efeitos tão pequenos. A procura de exoplanetas usando espectrómetros notáveis como o HARPS, instalado no telescópio de 3,6 metros de La Silla (onde se descobriu cerca de um terço dos exoplanetas conhecidos), tem mostrado o caminho a seguir neste domínio instrumental. Pensa-se, porém, que mesmo com o EELT, para conseguir resultados estatisticamente sólidos, será necessário conduzir observações ao longo de cerca de 15 anos. Ainda assim, será notável, no tempo de uma vida humana, conseguir medir a mudança da velocidade de expansão do Universo!

A descoberta de mais quasares brilhantes a z ainda mais elevado (tarefa que me ocupa dias e noites) contribuirá para melhorar os resultados destas futuras medições. O estudo das linhas espectrais destes quasares servirá ainda para testar a variação no tempo de “constantes” fundamentais em física, como a constante de estrutura fina. As técnicas espectroscópicas a empregar são as mesmas, testando-se então também modelos de super-cordas, novos campos escalares e energia escura associados a esta hipotética variação.

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quinta-feira, 9 de fevereiro de 2017

Notícia - Estimativa da NASA reduz número de asteróides perigosos para a Terra

São muitos, mas não são assim tantos, e o perigo que representam poderá ser mais remoto do que se pensava, disse a NASA nesta quinta-feira, depois de dar a conhecer uma nova estimativa dos asteróides que existem nas imediações da Terra, os corpos que aniquilaram os dinossauros e de quando em vez fazem estragos ao embater contra o nosso planeta. O estudo foi agora publicado na revista The Astrophysical Journal.

A Agência Espacial Norte Americana revelou ainda que já foram encontrados 93 por cento dos objectos com mais de um quilómetro de diâmetro, e que representam o maior perigo. “O risco de um grande asteróide chocar contra a Terra antes de sermos avisados foi reduzido substancialmente”, disse em comunicado Tim Spahr, director do Centro de Planetas Menores, que pertence ao Centro Smithsonian para Astrofísica de Harvard.

A análise foi feita pelo Wide-field Infrared Survey Explorer, também conhecido por WISE, um telescópio espacial que consegue ler luz infra-vermelha e assim detectar os asteróides através do calor que libertam. A missão, a que se chamou NEOWISE, estimou a existência de cerca de 19.500 asteróides com um tamanho médio. Anteriormente, as estimativas davam conta da existência de 35.000 corpos com o diâmetro entre os 100 e 1000 metros.

Estes corpos podem destruir uma área metropolitana. Embora ainda não se tenham encontrado todos os corpos, calcula-se que o perigo seja mais reduzido do que se pensava. Mais a mais, porque os asteróides maiores são os mais facilmente descobertos. Dos 15.600 corpos com um diâmetro entre os 100 e os 300 metros que foram estimados, só se encontraram dois mil. Mas a percentagem de objectos conhecidos sobe com o tamanho: dos 2400 objectos previstos com 300 a 500 metros encontraram-se 1100 e dos 1500 asteróides com tamanho entre 500 e 1000 metros, já se descobriram 1200.

“O NEOWISE permitiu fazer uma observação de uma fatia mais representativa dos números de asteróides que existem perto da Terra e fazer uma melhor estimativa de toda a população”, disse Amy Mainzer, autora do novo estudo e investigadora principal do projecto, que decorreu no laboratório Jet Propulsion, na Califórnia. “É como um censo à população, onde se olha para um pequeno grupo para tirar conclusões sobre todo o país”, disse em comunicado.

O aparelho observou mais de 100.000 asteróides na cintura de asteróides que se situa entre Marte e Júpiter e olhou para mais 585 objectos perto da Terra para tirar estas conclusões. Esta estimativa considera os asteróides que orbitam a menos de 195 milhões de quilómetros do Sol, um raio que termina entre a Terra e Marte.

Em relação aos grandes objectos, estima-se que existam ao todo 981 asteróides com mais de um quilómetro de diâmetro, menos 19 do que a última estimativa. Dos 981 já foram encontrados 911 e acredita-se que são conhecidos todos os asteróides com cerca de dez quilómetros de diâmetro – a classe de tamanho a que pertence o corpo que embateu na Terra no final do Cretácico e matou os dinossauros. “Nenhum representa um perigo para a humanidade nos próximos séculos”, diz o comunicado.

Em 1998, o Congresso dos Estados Unidos definiu o objectivo para a NASA de detectar mais de 90 por cento dos asteróides com um ou mais quilómetros de diâmetro.