sexta-feira, 15 de setembro de 2017

Notícia - NASA quer caçar cometas com arpões

A agência espacial norte-americana NASA está a preparar um sistema que permita capturar e trazer para a Terra amostras do núcleo de cometas utilizando um arpão especial.O sistema - que está actualmente a ser testado em laboratório - prevê a utilização de um arpão que, lançado de uma sonda espacial, se prenda ao núcleo do cometa e depois seja capaz de capturar uma amostra do material, que será depois transportado de volta à Terra para ser analisado.
Aterrar um aparelho na superfície de um cometa revela-se muito complicado, dado esta ser essencialmente composta por pó e gelo - que se derrete quando o corpo celeste passa próximo do Sol (o que forma a 'cauda', soprada pelo vento solar, que estamos habituados a associar a estes objectos).
A melhor solução, defendem os cientistas do Goddard Space Flight Center, é usar um arpão para prender uma sonda ao corpo celeste.
Os cometas são dos objectos mais antigos do sistema solar, alguns datando mesmo da época da sua formação. O seu estudo é assim considerado essencial para melhor compreender como se formaram o Sol e os os planetas que o rodeiam, incluindo a Terra.


quarta-feira, 13 de setembro de 2017

Notícia - Finalmente está provado que Mercúrio tem água


As pistas e indícios da existência de água no planeta mais próximo do Sol acumulavam-se, mas a sonda Messenger finalmente provou que existe mesmo água em Mercúrio.

As primeiras pistas da existência de água em Mercúrio foram obtidas por sinais de rádio há duas décadas atrás. A sonda Messenger depois de lançada rapidamente detectou indícios da existência de água e agora confirmou finalmente que as pistas estavam certas. Mercúrio tem água gelada no seu pólo Norte!

A comunidade científica pode agora afirmar que o planeta Mercúrio alberga toneladas de água gelada. Esta água encontra-se depositada em crateras com sombra constante e grande parte desta água gelada encontra-se por baixo de uma camada de material negro rico em moléculas voláteis.

Fonte: Nuno Leitão / BBC

segunda-feira, 11 de setembro de 2017

Notícia - ESA - Venus Express

A ESA chega a Vénus com a sua primeira missão, a Venus Express. Enviada para ser colocar na órbita de Vénus, efectua estudos da estrutura, composição química e dinâmica da atmosfera.

sábado, 9 de setembro de 2017

Notícia - Segundo maior buraco negro conhecido está numa pequena galáxia


Uma descoberta surpresa, um gigantesco buraco negro numa pequena galáxia, leva os investigadores a colocar em causa modelos existentes sobre desenvolvimento de buracos negros.

Foi descoberto um buraco negro gigantesco, o segundo maior que agora se conhece, mas que se encontra numa pequena galáxia, a NGC 1277, com apenas um quarto da dimensão da Via Láctea.

Este buraco negro é 4000 vezes maior do que o buraco negro que se encontra no centro da nossa galáxia, o Sagittarius A, e uma massa 17 biliões de vezes maior do que a do Sol. 

Segundo os modelos existentes, os buracos negros vão evoluindo e expandindo-se em conjunto com a galáxia que os alberga. Esta descoberta acaba por surpreender os investigadores tornando difícil conciliar as teorias desenvolvidas com este caso, onde o buraco negro é tão desenvolvido para uma galáxia tão pequena. 

Fonte: Nuno Leitão/BBC

quinta-feira, 7 de setembro de 2017

Notícia - ESA - Mars Express

A Mars Express é sonda não tripulada destinada a estudar o planeta Marte. Esta foi lançada a 2 de Junho de 2003. A 19 de Setembro de 2005 a ESA decidiu prorrogar a missão por mais um ano marciano (23 meses terrestres).

terça-feira, 5 de setembro de 2017

Notícia - Estrela que irá ter 100 vezes a massa do Sol apanhada a nascer


Como nascem as estrelas de grande massa, aquelas que têm pelo menos dez vezes a massa do Sol? Uma equipa internacional, que inclui a astrofísica portuguesa Ana Duarte Cabral, apanhou o maior embrião de uma estrela alguma vez visto a formar-se na nossa galáxia e que já deu pistas aos cientistas sobre o assunto.

A estrela é uma das que estão a nascer na Via Láctea, dentro da Nuvem Escura de Spitzer 335.579-0.292, um grande aglomerado de poeiras e gases que não deixa passar a luz visível. A zona da nuvem escura onde esta estrela se encontra em formação é como um grande útero estelar, com 500 vezes a massa do Sol, e é aí que a estrela está a alimentar-se vorazmente enquanto cresce. No final da sua formação, deverá atingir 100 vezes a massa do Sol, o que é muito invulgar. Não se conhecem estrelas com muito mais de 100 massas solares e mesmo com mais de 50 já são raras.

Ora, para conseguir ver o interior desta nuvem escura, como se de uma ecografia se tratasse, a equipa utilizou o maior radiotelescópio da Terra, o ALMA, inaugurado no Chile em Março. Tudo porque o ALMA, da sigla em inglês de Atacama Large Millimeter/submillimeter Array, observa outro tipo de radiação, com comprimentos de onda maiores do que a luz visível, por volta do milímetro, o que permitiu observar o interior desta nuvem opaca, situada a cerca de 11.000 anos-luz de distância da Terra.

Outros telescópios espaciais, o Spitzer, da NASA, e o Herschel, da Agência Espacial Europeia, já tinham antes dado a ver que o ambiente dentro da nuvem era conturbado, com filamentos de gás escuros e densos. Mas o poder do ALMA permitiu observações mais minuciosas, quer ao nível da quantidade de poeiras quer do gás a deslocar-se dentro da nuvem, sublinha um comunicado do Observatório Europeu do Sul (ESO), organização intergovernamental de astronomia a que Portugal pertence e que é um dos parceiros do radiotelescópio.

Estas observações trazem agora novas pistas sobre a formação de estrelas de grande massa. Há duas hipóteses, explica ainda o comunicado. Uma sugere que a nuvem escura progenitora se fragmenta, criando vários núcleos pequenos de matéria, que entra em colapso sobre si própria, acabando por formar várias estrelas. A outra hipótese sugere que a nuvem inteira entrará em colapso, com o material a deslocar-se rapidamente para o centro da nuvem, criando nessa região uma ou mais estrelas de massa muito elevada.

“As observações do ALMA permitiram-nos ver pela primeira vez com todo o pormenor o que se passa no interior desta nuvem,” diz o coordenador da equipa, Nicolas Peretto, da Universidade de Cardiff, no Reino Unido. “Queríamos ver como é que estrelas monstruosas se formam e crescem, e conseguimos! Uma das fontes que encontrámos é um verdadeiro gigante – o maior núcleo proto-estelar alguma vez encontrado na Via Láctea.”

Neste núcleo, o útero da estrela embrionária, muita matéria continua a juntar-se. A gravidade fará o seu trabalho e todo esse material cairá sobre si próprio, formando uma estrela com uma quantidade de matéria invulgar. “As observações do ALMA revelam os detalhes espectaculares dos movimentos da rede de filamentos de gás e poeiras e mostram que uma enorme quantidade de gás está a deslocar-se para a região central compacta”, explica por sua vez Ana Duarte Cabral, 28 anos, actualmente no Laboratório de Astrofísica da Universidade de Bordéus, em França, como pós-doutorada.

Estas observações apoiam assim a hipótese do colapso global para a formação de estrelas de grande massa, em vez da hipótese da fragmentação, remata o comunicado.

“Embora já soubéssemos que esta região era uma boa candidata a ter uma nuvem a formar estrelas de grande massa, não esperávamos encontrar uma estrela embrionária tão grande no seu centro. De todas as estrelas da Via Láctea, apenas uma em cada dez mil atinge este tipo de massa [100 massas solares]!”, sublinha Peretto.

Com esse “tamanho”, se a colocássemos no nosso sistema solar, até onde chegaria ela? “Para já, o que observámos foi o núcleo que poderá dar origem a uma tal estrela, que neste momento ainda está em crescimento. O núcleo em si tem cerca de 10.000 unidades astronómicas, ou seja, 10 mil vezes a distância da Terra ao Sol, pelo que o tamanho deste núcleo é maior do que o sistema solar inteiro”, responde ao PÚBLICO Ana Duarte Cabral. “No entanto, quando a estrela for adulta e parar de crescer, se atingir as tais 100 massas solares, terá um raio que será cerca de 30 vezes maior que o raio do Sol. Mesmo assim, esta distância corresponde a menos do que a distância entre Mercúrio e o Sol. Seria uma estrela 30 vezes maior (em raio) do que o Sol, mas não chegaria a nenhum dos planetas.”

Mas estrelas como esta nascem, crescem e morrem depressa. “Não são apenas raras, o seu nascimento é também extremamente rápido e a sua infância muito curta. É por isso que encontrar um objecto com tanta massa numa fase tão inicial da sua evolução é um resultado espectacular”, acrescenta outro elemento da equipa, Gary Fuller, da Universidade de Manchester, no Reino Unido, que foi o orientador da tese de doutoramento de Ana Duarte Cabral.

Esta fase precoce do nascimento de uma estrela maciça demora cerca de um milhão de anos. “Uma vez adulta, penso que viverá qualquer coisa como cinco milhões de anos. Pode parecer muito para nós, mas comparado com estrelas como o Sol, que duram cerca de 9000 milhões de anos, é muito curto”, diz-nos ainda a astrofísica portuguesa. “O facto de as estrelas maciças serem raras e evoluírem tão depressa é que as torna tão difíceis de observar.”

Quando o seu fim chegar, ela tornar-se-á um buraco negro, refere Ana Duarte Cabral. “Só as estrelas maciças acabam a vida de forma tão dramática.”

Noticia retirada daqui

domingo, 3 de setembro de 2017

Notícia - E se houvesse dois sóis?



Embora a vida que conhecemos tivesse poucas probabilidades de êxito num mundo que orbitasse em redor de duas estrelas, talvez pudesse haver uma humanidade mais bem adaptada à luz e à temperatura extrema.

No pior dos casos, o mundo seria habitado por bactérias, baratas e aqueles organismos extremófilos que se adaptam a tudo. Haveria mais estações no ano, com tempestades gigantescas e dias abrasadores, seguidas de outras com temperaturas insuportavelmente frias. Teríamos igualmente noites pouco escuras, como se estivéssemos a viver na Antárctida ou no Árctico durante o Verão. Se os sóis estivessem próximos, não notaríamos muita diferença na luz diurna, mas o pôr-do-sol seria duplamente espectacular. Mais drásticos ainda seriam os efeitos sobre a órbita da Terra, pois a força de gravidade de cada estrela tentaria puxá-la em direcções opostas. Talvez o planeta descrevesse um oito entre ambas.

No conto Anoitecer, Isaac Asimov imaginou um planeta iluminado por seis astros. Todos se punham em simultâneo cada mil anos. Quando isso acontecia, a população entrava em pânico: nunca experimentara a escuridão total. Além disso, os cientistas não suspeitavam que o céu pudesse estar tão cheio de estrelas. Num sistema com vários sóis, haveria mais luz, mas também seríamos privados da poesia da noite. Nesta infografia, imaginámos um cenário agradável e favorável à vida humana.

SUPER 154 - Fevereiro 2011

sexta-feira, 1 de setembro de 2017

Notícia - E a 14ª lua de Neptuno foi descoberta


É tão pequena que a sonda Voyager 2 não deu por ela, quando passou perto de Neptuno em 1989, na sua viagem pelo sistema solar e agora a caminho do espaço interestelar. A 14ª lua descoberta em órbita de Neptuno tem apenas 19 quilómetros de diâmetro. Nome?Os cientistas chamaram-lhe S/2004 N 1.

Mark Showalter, do Instituto SETI, em Mountain View, na Califórnia, estava a analisar imagens de arquivo do telescópio espacial Hubble, para estudar os ténues anéis de Neptuno. Como as luas de Neptuno e anéis orbitam muito rapidamente o planeta, foi preciso gizar uma maneira de seguir o seu movimento para fazer sobressair os pormenores deste sistema, conta o investigador, num comunicado da NASA. “É o que acontece com um fotógrafo desportivo que segue um atleta a correr – o atleta fica focado, mas o ambiente à volta está desfocado.”

O investigador decidiu alargar a análise das imagens do Hubble a regiões muito para lá do sistema de anéis de Neptuno – e foi então que a 1 de Julho último detectou um minúsculo ponto branco, a cerca de 150 mil quilómetros do planeta, entre as luas Larissa e Proteu.

O mesmo ponto branco aparecia repetidamente em imagens do Hubble tiradas entre 2004 e 2009, como pôde verificar. Quando a Voyager 2 visitou Neptuno, viu uma tempestade do tamanho da Terra, encontrou seis novas luas e visitou Tritão, a maior lua de Neptuno, quase do tamanho da nossa Lua e onde descobriu géisers de azoto, mas a S/2004 N 1 passou-lhe despercebida.

Agora sabemos que faz parte do séquito de Neptuno como a sua mais pequena lua conhecida, que completa uma volta ao planeta em apenas 23 horas.
 
Noticia retirada daqui

segunda-feira, 3 de julho de 2017

Notícia - Frenesim solar



A nossa estrela enlouqueceu?
A ciência está de olhos postos na estrela que nos aquece. O principal objectivo é saber a que se devem as suas repentinas e inquietantes mudanças de humor.

A cada segundo que passa, uma sucessão de potentes reacções nuclea­res no coração do Sol transforma um pouco mais de 667 milhões de toneladas de hidrogénio em um pouco menos de 663 milhões de toneladas de hélio. O processo liberta 4,5 milhões de toneladas de energia na forma de luz (isto é, calor), o que permite, por exemplo, que a vida prospere na Terra. Graças à decomposição do espectro luminoso nas suas mais ínfimas partes, os astrónomos conseguem determinar a composição da nossa estrela, a qual inclui, além dos já referidos hidrogénio (72 por cento da massa) e hélio (26%), outros 65 elementos mais pesados: o grosso destes dois por cento restantes é formado por oxigénio, carbono, néon, azoto, magnésio, ferro e silício. Conhecer com exactidão estes pormenores químicos é fundamental, pois só assim podemos saber como funcionam outros astros e mesmo o nosso próprio planeta.

Efectivamente, todos esses dados são inseridos em complexos modelos informáticos para verificar as previsões sobre a evolução das galáxias, compreender a transformação de átomos leves em pesados e determinar a frequência com que estes últimos se condensam em grãos de pó, um processo fundamental para a génese das estrelas. Os astrofísicos estudam igualmente a quantidade de raios cósmicos, assim como a densidade dos elementos, a fim de desvendar as interacções entre as velozes partículas e o meio interestelar.

“De qualquer modo, o mais importante é compreender a nossa própria estrela”, escreve o especialista Jim Kaler na revista Astronomy. “A velocidade do som no seu interior depende da composição química; e foi através disso que detectámos discrepâncias com os antigos modelos.”

Que tempo (solar) vai fazer?
Observada de perto, a superfície solar é como uma caldeira a ferver, em constante estado de convecção, termo físico que define a propagação do calor por um fluido através do movimento das partículas. O incessante remoinho de gases quentes a elevar-se e de gases frios a submergir cria línguas de fogo e partículas radioactivas, um bombardeamente que se intensifica periodicamente. Durante séculos, contemplámos o astro-rei pelos olhos da religião e da cultura; agora que a nossa civilização se tornou mais vulnerável do que nunca às alterações do clima espacial, a ciência procura aprender a conviver com os seus ímpetos.

“O Sol está a despertar de uma sesta profunda e, durante os próximos anos, deveremos observar níveis muito mais elevados de actividade”, vaticina Richard Fisher, da Divisão de Heliofísica da NASA. “Além disso, a nossa sociedade tecnológica desenvolveu uma sensibilidade sem precedentes às tempestades solares. Qualquer uma poderia inutilizar as redes de electricidade, a navegação por GPS, os transportes aéreos, os serviços financeiros ou as comunicações de emergência por rádio.”

Os ciclos de bom e mau humor do astro sucedem-se a cada onze anos, com uma precisão quase matemática mas ainda incompreendida. Estão relacionados com as escuras e frias manchas que surgem na superfície solar, e a próxima temporada de fúria terá provavelmente início em 2012 ou 2013. “Grande parte dos danos poderiam ser atenuados se soubéssemos quando se aproxima uma tempestade”, explica Fisher. “Nesse caso, poderíamos pôr os satélites a dormir e desligar os transformadores das redes eléctricas.”

A arte de prever o clima espacial ainda está no início, mas a NASA e a Administração Nacional norte-americana dos Oceanos e da Atmosfera (NOAA) têm vindo a lançar uma frota de satélites para remediar o problema. As missões revelaram-nos o modo como a Terra se desloca pela heliosfera, a exótica e gigantesca atmosfera do Sol. Agora, conhecemos melhor esse sistema complexo que evolui em reacção às condições da nossa estrela, dos planetas e do espaço exterior.

Durante o último meio século, duas descobertas permitiram melhorar exponencialmente o nosso conhecimento do astro-rei e da sua influência no Sistema Solar. A primeira foi constatar que a corona é centenas de vezes mais quente do que a fotosfera, a superfície visível. Depois, foi confirmada a teoria de que essa camada superior se expande a velocidades supersónicas, projectando o chamado “vento solar”.

Os cientistas determinaram pormenorizadamente a composição, as propriedades e a estrutura das partículas que compõem o vendaval, e seguiram a sua pista para além da órbita do “ex-planeta” Plutão. Através das últimas imagens enviadas pelos observatórios em órbita, sabemos que a corona e a região de transição acima da fotosfera apresentam uma complexa arquitectura de buracos e colunas. Além disso, um “tapete” de arcos magnéticos prolonga-se sob a corona.

Apesar dos avanços, no entanto, diversas interrogações essenciais permanecem sem resposta: por que motivo é a corona muito mais quente do que a fotosfera? Como acelera o vento solar? Por que se formam as manchas? O que causa as perturbações solares? Que reac­ção provocam na heliosfera e na Terra? E, mais importante ainda, que impacto tem tudo isso na humanidade?

O grande dínamo
O projecto da NASA Living With a Star (viver com uma estrela) vai tentar encontrar resposta para estas questões, nomeadamente através de duas missões principais. A primeira, baptizada com o nome Solar Dynamics Observatory (SDO), já está a enviar imagens extraordinárias de alta resolução, desde Fevereiro de 2010. O objectivo principal do SDO é compreender a influência da estrela sobre a Terra e a região imediatamente adjacente; para isso, estuda a heliosfera em pequenas escalas de espaço e tempo, em diversos comprimentos de onda simultaneamente.

“O Sol é incrível, pois produz, ao mesmo tempo, luz no espectro visível, radiação infravermelha e ultravioleta e raios X”, explica Fisher. “Lança também plasma e cospe partículas praticamente à velocidade da luz. As variações que sofre ocorrem em escalas de tempo que vão dos milésimos de segundo aos milhares de milhões de anos. É algo relacionado com o campo magnético, causado, por sua vez, pelo plasma que se desloca e roda dentro da zona de convecção, de modo a transformar a estrela numa espécie de dínamo. Trata-se de algo semelhante à magnetosfera criada pelo núcleo terrestre.” Os cientistas procuram averiguar as derradeiras causas deste fenómeno, assim como a forma como é libertada a energia magnética em forma de partículas.

“Em Outubro de 2010, assistimos a uma erupção solar colossal”, recorda Philip Scherrer, cientista-principal do SDO. “A explosão atingiu mais de 350 mil quilómetros de altura e projectou uma vaga de gases e matéria; felizmente, foi na direcção oposta à Terra. Nesse mês, o SDO observou um buraco negro no pólo norte do Sol. Depois, com o auxílio dos satélites gémeos STEREO, conseguimos confirmar a presença de outro grande vácuo na extremidade meridional. Os chamados ‘buracos polares da corona’ são lugares por onde emerge o campo magnético e se estende por toda a heliosfera, até chegar à Terra.” Se não fosse a protecção natural proporcionada pela atmosfera terrestre, o flagelo das partículas radioactivas teria esturricado o planeta há milénios. “Temos confiança de que o SDO continuará a enviar-nos informação valiosa”, acrescenta Scherrer.

“Cheirar” o Sol
Há outro projecto que mantém um abundante grupo de especialistas de várias universidades norte-americanas em estado de “insolação”. Trata-se da Solar Probe Plus, uma emocionante missão que irá mergulhar em cheio na corona solar para analisar o seu conteúdo. A sonda deverá passar a apenas 6,5 milhões de quilómetros da superfície, como um audaz Ícaro da era moderna. Para evitar que tenha o mesmo destino das asas de cera da personagem mitológica, o revolucionário satélite de 612 quilos, fabricado pelo Laboratório de Física Aplicada da Universidade Johns Hopkins, estará protegido por um escudo de compostos de carbono de 2,5 metros de diâ­me­tro e 8 cm de espessura, o qual deverá defendê-lo dos 1370 graus que reinam naquele território hostil. Nenhuma outra nave esteve submetida a uma radiação tão extrema como a que irá atravessar sucessivas vezes a SPP. “Será a nossa primeira visita a uma estrela”, resume Fisher.

As cinco experiências escolhidas para arrancar os segredos do astro-rei vão contar electrões, protões e iões de hélio dentro do vento solar. Além disso, os instrumentos irão elaborar imagens tridimensionais da corona e da colisão das partículas em redor da nave. Outra ferramenta vai determinar os campos eléctrico e magnético, as emissões de rádio e as ondas que navegam através do plasma atmosférico. Por último, um detector gigante irá apanhar poeira cósmica. Como diz Lika Guhathakurta, uma astrofísica que trabalha na sede da NASA em Washington, “pela primeira vez, poderemos tocar, provar e cheirar o Sol”.

Preparados para a tempestade?
Filmes-catástrofe e profecias de calendários maias à parte, parece que a humanidade devia mesmo tomar algumas precauções em 2012: segundo um relatório da NASA, existe a probabilidade de a Terra ser atingida nesse ano (ou em 2013, o mais tardar) pela mais intensa tempestade solar dos últimos 50 anos. Os autores do estudo advertem que a zona afectada poderá ficar sem rede eléctrica e água corrente, e que poderá demorar entre quatro e dez anos a recuperar. As projecções massivas de plasma a partir do Sol já causaram problemas noutras ocasiões. Para nos situarmos no pior dos cenários, teremos de recuar até aos dias 1 e 2 de Setembro de 1859, quando as auroras polares, provocadas pelas partículas do vento solar, alcançaram o México e as Caraíbas. Esse acontecimento é conhecido como “fulguração de Carrington”, devido ao astrónomo britânico que o detectou, e destruiu a rede de telégrafos. Se ocorresse actualmente, seria o caos.



A.P.S.
SUPER 154 - Fevereiro 2011

sábado, 1 de julho de 2017

Notícia - ESA - Rosetta

A sonda Rosetta foi lançada pelo foguete Ariane 5 G+ na base de Kourou, a 2 de Março de 2004. A sua missão é estudar o cometa 67P/Churyumov-Gerasimenko, que viaja entre as órbitas da Terra e de Júpiter.

domingo, 25 de junho de 2017

Biografia - Alexander Fleming




"Não inventei a penicilina.
A natureza é que a fez.
Eu só a descobri por acaso."






Harry Lambert estava a morrer, a temperatura subira e o corpo era sacudido por constantes espasmos e soluços incontroláveis. Alexander Fleming estava convencido que restavam a Harry poucos instantes de vida. Não tinham conseguido isolar o micróbio que o atacava e os poucos medicamentos de que dispunham tinham agravado, ainda mais a situação. Inicialmente, parecia uma espécie de gripe, mas à medida que o seu estado foi piorando, começaram a surgir sintomas de meningite.

Após a colheita de uma amostra de líquido cefalo-raquidiano, conseguiu isolar uma estirpe da bactéria estreptococos extremamente virulenta. As hipóteses de Harry esgotavam-se, mas Fleming decidiu tentar mais uma vez. Telefonou a Howard Florey, chefe de uma equipa de cientistas que desenvolvia, em Oxford, um novo medicamento a partir da penicilina descoberta 14 anos antes por Fleming. Florey forneceu toda a penicilina existente, em Oxford, para o tratamento do paciente de Fleming, explicando minuciosamente a forma de utilização deste medicamento.

A penicilina foi injectada no paciente e foi verificado o extraordinário efeito produzido por esta. O paciente acalmava progressivamente, e ao fim de 24 horas a febre desaparecera. As injecções prolongaram-se pela semana, mas o paciente começou a mostrar sinais de recaída; a temperatura aumentou e voltou a ter fases de delírio.

Fleming retirou mais uma amostra de líquido cefalo-raquidiano e observou-o em busca de penicilina, mas não encontrou nenhuma. Isto significava que os estreptococos não eram destruídos no líquido cefalo-raquidiano. Fleming telefona, então, a Howard e questiona-o se já teria tentado injectar penicilina directamente no canal raquidiano de um paciente - a resposta foi negativa. De qualquer forma, Fleming decidiu tentar a sua sorte, e injectar a penicilina no canal raquidiano de Lambert. Ao mesmo tempo que Fleming procedia a este delicada intervenção, Florey injectou penicilina no canal raquidiano de um coelho e este teve morte imediata!

No entanto, o quadro clínico do paciente teve aqui a sua reviravolta. Lentamente a febre baixou, e voltou a estar consciente. Nos dias seguintes recebeu mais injecções e as melhorias tornaram-se mais acentuadas. Passado um mês, saia a pé do hospital, completamente curado.



Alexander Fleming, ou Alec, como todos o chamavam, nasceu numa remota quinta nas terras altas do Ayrshire, no sudeste da Escócia, a 6 de Agosto de 1881.

Do primeiro casamento o pai teve 4 filhos; após a morte da mulher casou-se com Grace, aos 60 anos, de quem teve mais 4 filhos, dos quais Alec era o terceiro. O pai faleceu, quando Alec tinha ainda sete anos; a partir desta data a mãe e o irmão Hugh passaram a dirigir a família e a cuidar da exploração de gado, e o seu irmão Tom partiu para Glasgow para estudar medicina. Alec passava os dias, nesta época, com o irmão John, dois anos mais velho, e com Robert, dois anos mais novo: exploravam a propriedade, seguiam os ribeiros e pescavam nas águas do rio... Desde cedo que Alec ficou fascinado pela natureza, desenvolvendo um sentido excepcional de observação do que o rodeava.

No verão de 1895, Tom propôs-lhe que fosse estudar para Londres, onde este tinha um consultório que se dedicava a doenças oculares. Juntaram-se, assim, os três irmãos em Londres: Alec, John e Robert. John aprendeu a arte de fazer lentes (o director da empresa onde ele trabalhava era Harry Lambert, o famoso paciente de Alec) e Robert acompanhou Alec na Escola Politécnica. Aos 16 anos, tinha realizado todos os exames, mas não tinha ainda certeza sobre qual o futuro a seguir. Assim, empregou-se numa agência de navegação da American Line.

Em 1901, os irmãos Fleming receberam uma herança de um tio recentemente falecido. Tom utilizou-a para abrir um novo consultório e assim, aumentar o número de clientes. Robert e John estabeleceram-se por conta própria como fabricantes de lentes, onde obtiveram um enorme sucesso. E Alec utilizou a sua parte da herança para tirar o curso de medicina, ingressando em Outubro de 1901 na Escola Médica do Hospital de St. Mary.

Apesar de ter seguido medicina para fugir à rotina do escritório, apercebeu-se rapidamente que gostava bastante do curso. Incrivelmente, tinha ainda tempo para praticar actividades extracurriculares: jogava pólo aquático, entrou para a Associação Dramática e para a Associação de Debates e tornou-se um membro distinto do Clube de Tiro.

Em Julho de 1904, fez os primeiros exames de medicina, e pensou seguir a especialidade de cirurgia. Dois anos mais tarde, completou o curso de medicina, preparando-se para continuar na escola médica, onde iria realizar um exame superior que lhe daria mais opções para o futuro.

John Freeman, um dos membros do Clube de Tiro, arranjou a Fleming um trabalho no Hospital de St. Mary, de forma a garantir a sua participação no campeonato de tiro. Assim, nesse verão, Fleming ingressou no Serviço de Almroth Wright - Professor de Patologia e Bacteriologia - um dos pioneiros da terapia da vacinação. Era uma solução temporária, mas o trabalho apaixonou-o tanto que não iria mais abandonar este serviço. Ali estudavam-se, principalmente, as consequências das vacinas no sistema imunitário. Tentavam identificar as bactérias que provocavam uma dada doença, e para obterem uma vacina contra essas bactérias, cultivavam-nas, matavam-nas e misturavam-nas num líquido.

Em 1908, Fleming fez novos exames, onde obteve Medalha de Ouro. E decidiu preparar-se para o exame de especialidade que lhe permitia ser cirurgião. Um ano mais tarde, concluiu esse exame – ainda assim optou por permanecer com Almroth Wright.

Á medida que o seu trabalho prosseguia, Fleming ganhava fama como especialista da terapia de vacinação. Simultaneamente, torna-se conhecido ao simplificar o teste da sífilis.

No início da 1ª Guerra Mundial, em 1914, Fleming foi transferido juntamente com toda a equipa de Wright para um hospital em França. A aplicação da vacina de Wright evitou a perda de muitas vidas no exército britânico. Realizaram, durante este período, diferentes investigações e melhoraram o tratamento das feridas infectadas (estas medidas só viriam a ser implementadas durante a 2ª Guerra Mundial).

Numa das suas curtas licenças, Fleming casou-se em Londres, a 23 de Dezembro de 1915, com Sally McElroy, mais tarde conhecida por Sareen. Logo após o casamento, Fleming voltou para França. A sua vida matrimonial só iria iniciar verdadeiramente em Janeiro de 1919, quando voltou para Inglaterra. Algum tempo depois, o seu irmão John casou-se com a irmã gémea de Sally, Elisabeth McElroy, estreitando-se assim os laços entre a família Fleming e a McElroy.

Corria o ano de 1921, quando Fleming descobriu as lisozimas, a partir da observação de uma cultura de bactérias, já com algumas semanas. As lisozimas são hoje conhecidas como sendo a primeira linha do sistema imunitário. Mas, na altura, não se tinha inteira consciência do que isso significava, e seriam precisos anos de investigação para se conhecer bem esse sistema de defesa. Como tal, ninguém se apercebeu da real importância desta descoberta e Fleming também não era homem para obrigar os outros a prestarem-lhe atenção.

Numa manhã de Setembro de 1928, Fleming percorria o laboratório central, levando uma cultura que parecia achar bastante interessante. Todos deram uma vista de olhos, mas a maioria pensou tratar-se de mais um exemplo da acção da lisozima, só que desta vez sobre um fungo. Na realidade, este fungo apresentava uma acção nunca conseguida pela lisozima; atacava uma das bactérias que causava um maior número de infecções – Estafilococos. Aparentemente, um bolor desconhecido que aparecera, por acaso, numa placa de cultura, dissolvia as bactérias, e não atacava o organismo humano.

Alec tornou-se um coleccionador fanático de fungos, não se convencia de que aquele fosse o único com propriedades excepcionais. A sua busca permanente tornou-se famosa entre amigos e familiares: queijo, presunto, fatos velhos, livros e quadros antigos, pó e sujidade de toda a espécie – nada escapava à caça de Fleming. Mas o seu fungo era de facto único; quanto mais o estudava, mais extraordinário lhe parecia, até matava as bactérias causadoras da gangrena gasosa. Descobriu, ainda, que podia utilizar a penicilina para isolar bactérias como, por exemplo, as que estão na origem da tosse convulsa. Este uso laboratorial na selecção de bactérias, fazia da penicilina o primeiro dos grandes antibióticos.

Paralelamente, uma equipa em Oxford, chefiada por Howard Florey e Ernst Chain, começou a trabalhar no desenvolvimento da penicilina. Quando Fleming ouviu falar dessa investigação científica, dirigiu-se imediatamente para lá, visitando as instalações e ficando a conhecer os últimos avanços.

Em 12 de Fevereiro de 1941 surgiu a oportunidade de tratar o primeiro doente! Tratava-se de um polícia chamado Albert Alexander, com um arranhão infectado, causado pelo espinho de uma rosa. Após um período de sensíveis melhorias, as bactérias invadiram, novamente, o organismo. Mas não havia penicilina disponível para o tratar, e faleceu a 15 de Março.

O segundo doente foi um rapaz de 15 anos com uma infecção pós-operatória, após a administração da penicilina recuperou por completo. Outros seis doentes foram tratados com penicilina e melhoraram significativamente. E como estes, mais doentes foram salvos.

Em Agosto de 1942, deu-se o caso de Harry Lambert. Até então, Fleming não tivera oportunidade de ver actuar a "penicilina de Oxford". Poucos dias após a cura de Harry Lambert, o caso chegou aos jornais. A partir de então, Fleming deixou de ter vida privada, já que os resultados obtidos anteriormente tinham sempre passado completamente despercebidos.

O relato da descoberta da penicilina e a história dos primeiros anos de Fleming passados na Escócia rural entusiasmou a imaginação popular. Porém, a felicidade destes anos terminou com o agravamento do estado de saúde da sua mulher, Sareen, que faleceu a 28 de Outubro de 1949. Com a sua morte, Fleming ficou extremamente só. A porta do laboratório – normalmente sempre aberta aos visitantes – passou a estar fechada. Só a muito custo é que a paixão pelo trabalho conseguiu distraí-lo do seu desgosto e fazê-lo retomar parte da sua antiga vitalidade.

Depois da II Guerra Mundial, uma jovem cientista grega, Amalia Voureka, veio colaborar com Fleming no laboratório. Passou a ser a sua companheira predilecta, e por fim, em 1953, casou-se com Fleming. Alec continuou a trabalhar e viajar até à sua morte, que ocorreu inesperadamente, a 11 de Março de 1955, devido a um ataque cardíaco.

"Não há dúvida que o futuro da humanidade depende, em grande parte, da liberdade que os investigadores tenham de explorar as suas próprias ideias. Embora não se possa considerar descabido os investigadores desejarem tornarem-se famosos, a verdade é que o homem que se dedicar à pesquisa com o objectivo de conseguir riqueza ou notoriedade, escolheu mal a sua profissão! Alexander Fleming

Glória Almeida

sexta-feira, 23 de junho de 2017

Biografia - Alfred Nobel


O prémio Nobel foi instituído pelo famoso sueco Alfred Nobel. Talvez não tão famoso assim, já que este continua a ser, para muitos, um "ilustre desconhecido".


Immanuel Nobel, engenheiro civil e inventor, e Andrietta Ahlsell, pertencente a uma família abastada, viram nascer o seu filho Alfred a 21 de Outubro de 1833, em Estocolmo. Neste ano, Immanuel viu-se forçado a declarar falência devido a graves problemas financeiros. Em 1837, a família deixa Estocolmo e separa-se; Andrietta e seus filhos mudam-se para a Finlândia e Immanuel para S. Petersburgo. Immanuel criou, então, uma oficina mecânica de construção de equipamento para o exercito russo. O sucesso deste empreendimento chegou quando Immanuel conseguiu convencer o Czar e seus generais a utilizar as minas navais, inventadas por ele próprio, para impedir navios inimigos de ameaçar a cidade. Estas consistiam em simples contentores de madeira cheios de pólvora, ancorados no Golfo da Finlândia, que impediram a Marinha Britânica de chegar à zona de fogo de S. Petersburgo, durante a guerra da Crimeia (1853-1856).

Durante esta guerra, Immanuel Nobel foi pioneiro em armas artesanais e em desenho de locomotivas. Devido ao sucesso obtido, Immanuel levou a família para viver consigo em S. Petersburgo. Aqui os seus filhos receberam uma educação primorosa com professores particulares. Os seus estudos incluíam Ciências, Línguas e Literatura. Aos 17 anos, Alfred já falava fluentemente Sueco, Russo, Francês, Inglês e Alemão. As suas disciplinas preferidas eram Literatura, Poesia Inglesa e Físico-Química. Mas seu pai não apreciava o gosto de Alfred pela Poesia, especialmente por esperar que os seus filhos lhe seguissem as pisadas. Assim, Alfred foi enviado para o estrangeiro para ganhar experiência em Engenharia Química. Durante um período de 2 anos, visitou a Alemanha, França e EUA. Em Paris, cidade que apreciava muito, trabalhou num laboratório privado com o professor T. J. Pelouze, famoso químico francês. Ali, conheceu um outro jovem químico italiano, Ascanio Sobrero que tinha, 3 anos antes, inventado a nitroglicerina, um líquido altamente explosivo. Alfred ficou muito interessado na nitroglicerina e na forma com esta poderia ser aplicada na construção, já que aquela apresentava um poder explosivo superior ao da pólvora. No entanto, o seu uso implicava extremas medidas de segurança, ainda a resolver, por ser um líquido extremamente instável e de difícil controlo.


Em 1852, regressou a casa para trabalhar nas empresas do pai, que estavam a ter um enorme sucesso. Com a colaboração do pai e irmãos, realizou experiências para transformar a nitroglicerina num explosivo útil e comercial.

Infelizmente, com o fim da guerra, Immanuel foi forçado a declarar novamente falência. Deste modo, Immanuel e dois dos seus filhos, Alfred e Emil, deixaram S. Petersburgo, rumo a Estocolmo. Os outros 2 irmãos de Nobel, Robert e Ludvig, ficaram em S. Petersburgo, tentando, a muito custo, salvar a empresa da família. Nesse empreendimento, dedicaram-se à indústria do petróleo no Sul do império russo, o que os tornou avultadamente ricos para a época.

Em 1863, após retornar á Suécia, Alfred dedicou-se ao desenvolvimento da nitroglicerina como explosivo. Diversas explosões e em particular uma que ocorreu em 1864, na qual o seu irmão Emil e outras pessoas foram mortas, convence as autoridades da perigosidade da nitroglicerina. Assim, as experiências com nitroglicerina dentro da cidade de Estocolmo foram proibidas, o que levou Alfred a mudar-se para um barco ancorado no lago Malaren, para poder continuar a sua pesquisa. Na tentativa de tornar a nitroglicerina segura de manipular, combinou-a com diferentes aditivos, tendo maior sucesso com a sílica, que transformava o líquido numa pasta moldável. Em 1867, patenteou este material com o nome de dinamite. Esta descoberta, juntamente com um detonador criado para o efeito, permitiu reduzir consideravelmente o custo de grandes construções, como canais e túneis.

Devido às capacidades empreendedoras de Nobel, o mercado de dinamite cresceu exponencialmente. Em 1865, a sua fábrica em Krümmel, perto de Hamburgo, exportava nitroglicerina para a Europa, América e Austrália. Fundou fábricas e laboratórios em 90 locais diferentes, em mais de 20 países. Apesar de ter residência oficial em Paris, despendia a maioria do seu tempo em viagens de negócios, e a trabalhar intensamente num dos seus vários laboratórios espalhados pelo mundo. Nobel interessava-se particularmente pelo desenvolvimento da tecnologia dos explosivos, mas também por outros inventos na área da química, como borracha sintética e seda artificial, etc. Durante toda a sua vida patenteou 355 inventos!


O trabalho intenso e as sucessivas viagens não lhe deixavam muito tempo para uma vida privada. Assim, aos 43 anos publicou o seguinte anúncio num jornal: "Homem saudável bem formado e idoso procura senhora de meia idade, com conhecimento de várias línguas para secretária e governanta". A senhora mais qualificada foi a condensa Bertha Kinsky, que, após um curto período de tempo, a trabalhar com Nobel, regressou à Áustria, para casar com o conde Arthur Von Suttner. Apesar disso, Nobel e Bertha continuaram amigos e escreviam-se com frequência. Durante esta longa amizade, Bertha tornou-se pacifista e escreveu um livro intitulado "Lay down your arms" ("Baixem as vossas armas"), tornando-se numa figura proeminente do movimento pacifista. Sem dúvida que esta posição influenciou Nobel, quando incluiu um prémio para pessoas ou organizações que promovessem a paz — Bertha Von Suttner recebeu o Nobel da Paz em 1905.

Muitas das companhias fundadas por Nobel desempenham, ainda hoje, um papel muito importante na economia mundial, como por exemplo: a "Imperial Chemical Industries", Inglaterra; "Société Centrale de Dinamite", França; e "Dyno Industries", Noruega.

Alfred Nobel faleceu, em San Reno, a 10 de Dezembro de 1896. O seu testamento, redigido em 1895, sem a ajuda de advogados, anulando anteriores realizados em 1889 e 1893, estipulou que as receitas da sua herança — que à data da sua morte ascendia a mais de 33 milhões de coroas suecas — deveriam ser divididos anualmente em cinco partes e distribuídos "em forma de prémios às pessoas que, durante o ano anterior, mais tenham contribuído para o desenvolvimento da humanidade". Os prémios deveriam ser distribuídos da seguinte forma: "...uma parte para a pessoa que tenha realizado o descobrimento ou o invento mais importante no campo da Física; uma parte à pessoa que tenha realizado o descobrimento ou melhoramento mais importante em Química; uma parte para a pessoa que tenha realizado o descobrimento mais importante no domínio da Fisiologia ou da Medicina; uma parte para a pessoa que tenha produzido, no campo da Literatura, a obra mais notável de tendência idealista; e uma parte para a pessoa que tenha levado a cabo o maior ou melhor trabalho em favor da fraternidade entre as nações, pela abolição ou redução dos exércitos permanentes e pela celebração e fomento de congressos pela paz". No testamento, Nobel refere ainda que "...não se deve ter em conta a nacionalidade dos candidatos, quem deverá receber o prémio é o mais digno, independentemente se é escandinavo ou não".

Sem embargo legalmente possível, Nobel não deixou a sua herança a alguém em particular. Por isso, aquando da sua leitura, em Janeiro de 1897 foi fortemente criticado por alguns dos seus parentes, e as instituições implicadas a refutaram qualquer responsabilidade, já que não tinham sido contactadas anteriormente. O Rei Oscar II da Suécia e Noruega juntamente com os políticos criticou a impossibilidade da realização deste projecto. Somente passados 3 anos se resolveu a questão: foi criada a Fundação Nobel pelos executores do testamento, Ragnar Sohlmane e Rudolf Lilljequist, e os diferentes organismos mencionados no testamento aceitaram as responsabilidades implicadas por este. Ragnar Sohlman teve um papel muito importante para o estabelecimento da Fundação Nobel em 1900, chegando mesmo a ser, mais tarde, Director Gerente da Fundação.

Existem cinco Comités Nobel especiais, ligados aos organismos que atribuem os prémios. Cada um destes Comités é composto de cinco membros, e cada Comité pode solicitar a outros peritos uma assessoria. O organismo administrativo unificador é a Fundação Nobel, em Estocolmo. O principal objectivo do Conselho de Administração da Fundação é administrar os fundos e propriedades pertencentes à fortuna de Alfred Nobel.

No terceiro centenário do Banco da Suécia, em 1968, foi criado um prémio de Ciências Económicas, em memória de Alfred Nobel, assegurando à Fundação Nobel um prémio igual aos seus prémios. O premiado é escolhido pela Real Academia Sueca de Ciência; a nomeação dos candidatos, selecção dos premiados e entrega dos prémios seguem as mesmas normas que regem os restantes prémios Nobel.

As pessoas qualificadas para propor os candidatos são: laureados com o prémio Nobel em anos anteriores, dentro dos seus respectivos campos; membros dos organismos que atribuem os prémios, assim como os pertencentes aos comités Nobel, nas suas respectivas esferas; professores e catedráticos de universidades específicas, ou convidados especiais dos organismos que atribuem os prémios; os presidentes de Associações de Autores — na área da Literatura; os membros de certas organizações internacionais parlamentares ou legais — na área da Paz; os membros de parlamentos e governos — também na área da Paz. Se alguém se propuser a si próprio é automaticamente desqualificado. As autoridades suecas e norueguesas não têm qualquer influência nas decisões relativas aos prémios, nenhuma representação ou apoio oficial a favor de um candidato tem alguma relevância. Os Comités examinam as propostas à sua disposição até ao dia 1 de Fevereiro. No início do Outono, as suas informações são apresentados aos respectivos Comités Nobel. Depois de avaliar o méritos dos candidatos, os organismos que atribuem os prémios dão a conhecer as decisões finais, geralmente em meados de Outubro. Todos os procedimentos para a atribuição dos prémios são secretos.

Os prémios Nobel de Física, Química, Fisiologia ou Medicina, Literatura e o prémio de Ciências Económicas são formalmente entregues pelo Rei aos laureados, numa cerimónia no Palácio de Concertos de Estocolmo, no dia 10 de Dezembro — aniversário da morte de Alfred Nobel. A entrega do Prémio da Paz tem lugar, no mesmo dia, na Câmara Municipal de Oslo, na Noruega. Cada laureado recebe uma medalha Nobel em ouro e um diploma Nobel. A importância do prémio, varia segundo as receitas do fundo obtidas nesse ano e é transferido depois de 10 de Dezembro, segundo o desejo dos laureados.

Os prémios são considerados, em geral, como a mais alta honra civil do mundo. Aparte de estimular os possíveis candidatos a novos esforços, os prémios têm servido para dar a conhecer, ao mundo, individualidades científicas e literárias, assim como as contribuições humanitárias, deste modo mais amplamente difundidos e conhecidos.


Glória Almeida

quarta-feira, 21 de junho de 2017

Biografia - André-Marie Ampére

(1775 - 1836) Professor, físico, matemático, químico e filósofo francês, nascido em Polémieux, nas proximidades de Lion, cujos estudos constituíram o fundamento da eletrodinâmica, permitindo uma melhor compreensão dos fenômenos eletromagnéticos. Órfão, teve seu pai guilhotinado pelo governo revolucionário (1793) e autodidata, desde cedo demonstrou interesse e aptidão pelo estudo de matemática, física e química. Adquiriu grande prestígio graças aos trabalhos realizados após ser nomeado professor de química do Liceu de Lion (1800), de matemática na École Polytechnique de Paris (1809) e de mecânica no Collège de France. Notabilizou-se com a publicação Teoria matemática dos jogos de azar (1802) e entrou para a Académie des Sciences em Paris (1814). Desenvolvendo teorias matemáticas sobre a integração de equações diferenciais de segunda ordem, iniciou suas pesquisas com eletricidade que resultaram no livro A teoria analítica dos fenômenos eletrodinâmicos unicamente deduzidos da experiência (1820), formulando as leis da eletrodinâmica e tornando-se pioneiro na medição de corrente elétrica criando a lei de Ampère e o descobridor do eletromagnetismo. De setembro a novembro do mesmo ano, apresentou à Academia vários outros estudos, estabelecendo as bases científicas do eletromagnetismo. Inventou o eletroímã e o galvanômetro e imaginou o princípio do telégrafo elétrico. Foi o primeiro a usar o termo corrente elétrica. No final da vida dedicou-se à filosofia dos conhecimentos humanos. Morreu em Marselha e em sua honra foi denominada de ampère a unidade de medida de intensidade da corrente elétrica (um coulomb por segundo) no sistema internacional.

segunda-feira, 19 de junho de 2017

Biografia - Anders Jonas Angstrom

(1814 - 1874) Físico e astrônomo sueco nascido em Lödgö, fundador da ciência da espectroscopia e descobridor da presença de hidrogénio na atmosfera do solar.

Iniciou-se profissionalmente trabalhando no observatório de Uppsala (1843) e após como professor de física (1858) naquela cidade. Além da descoberta de que haveria hidrogênio na atmosfera do sol através do estudo do espectro solar, escreveu sobre calor, magnetismo e óptica. Em sua homenagem criou-se a unidade ângstrom, para medição de comprimento de onda de luz.

sábado, 17 de junho de 2017

Biografia - Amadeu Avogadro

(1776 - 1856) Cientista italiano, nascido em Turim, que formulou a hipótese sobre a composição molecular dos gases (1811). Filho de um importante administrador público e advogado eclesiástico, o Conde de Avogadro, formou-se em ciências jurídicas, mas exerceu a advocacia por pouco tempo, dedicando-se como amador a matemática, a física e a química. Tornou-se professor de física e de matemática no Realli Collegio de Vercelli (1809). Com base nos estudos de Joseph-Louis Gay-Lussac, enunciou (1811) o extraordinário princípio de Avogadro: Volumes iguais de gases diferentes, nas mesmas condições de temperatura e pressão, têm o mesmo número de moléculas, que se constituiu num apoio decisivo à teoria atômica (posteriormente foi definido o número de moléculas em uma molécula grama, o chamado número de Avogadro: N = 6,0225 x 10²³ uma medida constante, válida para todas as substâncias), independentemente comprovado por Ampère (1815) e consagrado definitivamente (1858), pelo italiano Stanislao Cannizzaro. Essa lei permitiu explicar por que os gases se combinam quimicamente em proporções simples de números inteiros, como havia observado, anos antes, Joseph-Louis Gay-Lussac. Possibilitou, também, elucidar a estrutura diatômica das moléculas de gases como o nitrogênio, o hidrogênio e oxigênio. Foi o primeiro cientista a dar o nome de molécula aos átomos compostos resultantes de uma ligação química. Ingressou na Universidade de Turim (1820), onde permaneceu por dois anos, retornando (1834) e trabalhando até a aposentadoria, 16 anos após.