segunda-feira, 25 de dezembro de 2017

Biografia - Antoine-Laurent Lavoisier

(1743 - 1794) Cientista, físico e químico experimental, funcionário público e político francês nascido em Paris, considerado o maior cientista da história da química. Filho de um próspero comerciante, iniciou seus estudos no Colégio Mazarino. Seu primeiro cargo público foi como membro da Ferme Générale, primeiro organismo de arrecadação de impostos; ocupou o cargo de inspetor-geral da fabricação de pólvora. Dedicado ao mesmo tempo à política e à ciência, foi premiado pela Académie des Sciences com a medalha de ouro por seu relatório sobre o melhor sistema de iluminação para Paris (1765), para a qual foi eleito membro (1768). Descobriu a composição do ar e demonstrou que ele era formado basicamente por dois gases: oxigênio e nitrogênio (1777), a composição do gás carbônico (1781) e, em colaboração com o cientista Pierre-Simon de Laplace, provou experimentalmente que a respiração animal era uma forma de combustão interna dos tecidos sob a ação do oxigênio.

Obteve o hidrogênio por ação do ferro em vapor d’água (1783), criou o termo oxigênio (1783) para denominar um gás que provocava as variações de peso sofridas pelos corpos quando queimados. No ano da tomada da Bastilha publicou Traité élémentaire de chimie (1784), onde estavam estabelecidas as bases de toda a química moderna, marcando o nascimento da química tal qual hoje a conhecemos.

Também com Pierre Laplace inventou um calorímetro de gelo (1784). Conseguiu eliminar da Química a teoria do flogístico da combustão metálica (1787), onde o flogístico ou flogisto era um fluido hipotético imaginado pelos químicos da época para explicar a combustão. Neste mesmo ano publicou Méthode de nomenclature chimique, com a colaboração dos também franceses Louis Bernard Guyton de Morveau, Antoine de Fourcroy e Claude Louis Berthollet, seus contemporâneos, propondo uma nova nomenclatura química sistemática e racional para esta ciência, com base nos conceitos de substâncias e suas composições, misturas (definido anteriormente por Boyle), elementos, etc.

Enunciou a lei da conservação das massas nas reações (1789), fundamental na história da química, e identificou a noção de elemento como aquela substância que não pode ser decomposta pela ação de processos químicos e publicou uma tabela com 31 elementos químicos (1790). Não conheceu a diferença entre átomo e molécula, mas desenvolveu a teoria dos ácidos. Suplente de deputado nos Estados Gerais (1789), após a revolução francesa (1784), foi nomeado sucessivamente membro da comissão incumbida de estabelecer o novo sistema de pesos e medidas e secretário do Tesouro. Escreveu De la richesse territoriale du royaume de France (1789), tratado sobre economia e distribuição da riqueza. Por causa de sua função de ex-coletor de impostos do rei, foi preso (1793), condenado pelo governo da revolução e executado na guilhotina (08/05/1794). Em fração de segundos estava estupidamente ceifada uma das maiores mentes científicas da história da humanidade.

sábado, 23 de dezembro de 2017

Biografia - Celsius

Anders Celsius nasceu em Novembro de 1701, revelando, desde muito novo, um notável talento para a matemática, do que resultaria a sua nomeação de professor de astronomia na Universidade de Uppsala, cidade (sua terra natal) situada a Norte de Estocolmo. A experiência adquirida em quase todos os grandes observatórios da Europa, naquela época, e os trabalhos que desenvolveu – quer individualmente quer em colaboração com alguns dos mais famosos astrónomos do século XVIII (o estudo das auroras boreais e a sua relação com o magnetismo terrestre, a comparação de luminosidades das estrelas ou a confirmação das suspeitas de Newton quanto à forma da Terra por medições de arcos de meridiano no Norte da Suécia e nas proximidades do Equador) – forneceram-lhe argumentos para convencer as autoridades de Uppsala a construírem um moderno observatório de que seria o seu primeiro director.

Embora com uma vida muito curta (faleceu em 1744), Celsius teve ainda tempo para alargar a sua actividade a áreas não exclusivamente ligadas à astronomia. Na verdade, seria uma dessas suas incursões que o tornaria famoso, ao estabelecer uma escala de temperaturas divida em 100 partes, razão por que começou a ser conhecida como “centígrada”. Inicialmente, o valor 0 (zero) corresponderia à ebulição da água, atribuindo o valor de 100 à temperatura a que ela congela, e só posteriormente se terá efectuado a inversão para o modo como actualmente é conhecida.

Passados mais de 200 anos durante os quais esta escala, estabelecida por Celsius, foi referida como “escala centígrada”, reconheceu-se que o facto de em países como França, Espanha e Portugal o termo “centígrado” corresponder a uma outra medida (a centésima parte do grado, medida de ângulo, ou de arco) e ainda por serem correntes referências a outras escalas de temperatura pelo nome dos seus criadores (Fahrenheit, Kelvin, Rankine…) se justificaria uma decisão que tornasse mais rigorosa a expressão dos valores de “temperaturas Celsius”. Assim, na 9,ª Conferência Geral de Pesos e Medidas de 1948, foi formalmente adoptado o “grau Celsius” (símbolo ºC) em substituição do “grau centígrado”. Ficava assim uniformizado o modo de exprimir uma determinada temperatura por “graus Celsius”, “graus Fahrenheit” ou “graus Kelvin”. No entanto, esta última escala (de Kelvin) seria sujeita a uma excepção – na Conferência GPM de 1967 –, passando a ser referida apenas por “Kelvin”.

De utilização mais comum, as escalas de Celsius e de Kelvin baseiam-se num conceito semelhante para a divisão das escalas (em qualquer delas é igual o intervalo correspondente a 100 graus), sendo, no entanto, a de Kelvin relacionada com a velocidade das moléculas constituintes das substâncias, pelo que o 0 (zero) corresponde à paragem desse movimento (“zero absoluto”) e equivale a –273,15 ºC.

Apesar de, em meios científicos, ser mais ajustada a utilização da escala de Kelvin, é de uso mais comum a de Celsius. No entanto, nem por isso se generalizou (ainda) o cumprimento das convenções internacionais e a evocação que Anders Celsius merece, de referir a temperatura do corpo humano (por exemplo) como trinta e seis graus Celsius e não “centígrados”, como (incorrectamente) ainda se pratica.

SUPER 151

quinta-feira, 21 de dezembro de 2017

Biografia - Charles Augustin de Coulomb

(1736 - 1806) Engenheiro militar e físico francês nascido em Angolême, França central, pioneiro em pesquisas em magnetismo e eletricidade, e a quem se deve a definição e verificação experimental de leis fundamentais que se tornaram o ponto de partida para o desenvolvimento dos conhecimentos em eletricidade e magnetismo ao nível dos de mecânica e da óptica. Educado em Paris, passou nove anos nas Índias Ocidentais como engenheiro militar e, nos intervalos de suas atividades profissionais, dedicava-se a investigações sobre mecânica aplicada.

De volta à França, interessou-se e iniciou suas pesquisas no campo da eletricidade e do magnetismo para participar de um concurso aberto pela Académie des Sciences de Paris sobre a fabricação de agulhas imantadas. Através de seus experimentos desenvolveu relações envolvendo primeira e segunda potência de velocidades. Inventou a balança de torção (1777), semelhante à usada pelo físico e químico inglês Henry Cavendish para medir a atração gravitacional. Enunciou a lei das forças eletrostáticas (1785) em que não apenas as cargas elétricas, mas também os magnetos, atraem uns aos outros com uma força que varia precisamente de acordo com o quadrado da distância (Lei de Coulomb).

Construiu a primeira máquina eletrostática que gerava eletricidade por atrito (1789), mas não produzia corrente. A publicação de numerosos artigos de grande repercussão nos meios científicos lhe valeu o ingresso na Académie des Sciences (1781). Os resultados de suas pesquisas foram publicados (1785-1789) nas Mémoires de l'Académie Royale des Sciences. Suas experiências sobre os efeitos de atração e repulsão de duas cargas elétricas permitiram-lhe verificar que a lei da atração universal de Newton também se aplicava à eletricidade. Estabeleceu então a lei das atrações elétricas, segundo a qual as forças de atração ou de repulsão entre as cargas elétricas são diretamente proporcionais às cargas (massas) e inversamente proporcionais ao quadrado da distância que as separa.


terça-feira, 19 de dezembro de 2017

Biografia - Ernest Rutherford

(1871 - 1937) Físico neo-zelandês nascido em Spring Grove, cujas maiores contribuições foram as pesquisas sobre radioatividade e teoria nuclear, lançando as bases para o desenvolvimento da física nuclear com sua teoria sobre a estrutura atômica. De uma família de imigrantes britânicos, obteve doutorado em matemática e física no Canterbury College de Christchurch, e ganhou uma bolsa da Universidade de Cambridge (1895). Durante três anos estudou os recém-descobertos raios X e o fenômeno da radioatividade do urânio, descobrindo o processo de detecção magnética da ondas eletromagnéticas (1896). Mudando-se para o Canadá, assumiu a cátedra de física na Universidade McGill (1898), onde pesquisando radiatividade, descobriu as partículas alfa e beta e, em colaboração com o inglês Frederick Soddy, conceituou as famílias radiativas (1890), estabelecendo as leis das transições radioativas das séries do rádio, do tório e do actínio e concluindo que os átomos de substâncias radiativas dividem-se espontaneamente (1903).

Com enorme prestígio internacional, voltou a Inglaterra (1907), para a Universidade de Manchester, onde teve como assistente um jovem físico alemão, Hans Geiger. Criou um método para calcular a energia liberada nas transformações radiativas e recebeu o Prêmio Nobel de Química (1908).

Definiu (1911), bombardeando uma lâmina de ouro com partículas em alta velocidade, o modelo atômico em que o núcleo central era carregado positivamente, em torno do qual se moviam os elétrons, idealizando o modelo planetário para o átomo, que seria aperfeiçoado mais tarde por Niels Bohr, diferenciado do modelo pudim de energia de Thomson.

Realizou a primeira transmutação induzida transformando um núcleo de nitrogênio em oxigênio através do bombardeamento com partículas alfa (1919), detectando as partículas nucleares de carga positiva, que seriam chamadas de prótons, e anunciou a hipótese de existência do nêutron, confirmada apenas 13 anos depois (1932), por James Chadwick, membro de sua equipe. Segundo ele, o núcleo seria o responsável pela maior massa do átomo. A partir daí dedicou-se a realizar transmutações de vários tipos de elementos.

Assumiu a cátedra de física experimental e diretor do Laboratório Cavendish (1919), da Universidade de Cambridge. Autor de numerosas publicações, recebeu a medalha Copley (1923) e assumiu a presidência da Associação Britânica para o Progresso da Ciência. Presidente da Royal Society (1925-1930), foi homenageado um ano depois com o título de primeiro barão de Rutherford de Nelson e Cambridge (1931).

domingo, 17 de dezembro de 2017

Biografia - Enrico Fermi

(1901 - 1954) Físico italiano nascido em Roma, que produziu a primeira reação nuclear em cadeia (1942). Filho mais novo de um ferroviário, excepcionalmente inteligente, entrou para a Escola Normal Superior (1918), em Pisa, e obteve o grau de doutor na Universidade de Pisa (1922), defendendo uma tese sobre o emprego dos raios X. A seguir, traído pelas pesquisas de Max Born sobre física quântica e fenômenos atômicos, foi estudar física teórica em Göttingen, na Alemanha. De volta a Itália (1924), foi ensinar matemática na Universidade de Florença, onde desenvolveu um trabalho de interesse fundamental para a física teórica, uma teoria dando tratamento estatístico à distribuição de energia nos diversos níveis eletrônicos. Este trabalho lhe valeu o convite para ocupar a cátedra de física teórica na Universidade de Roma (1926). Criou com Paul Dirac a teoria estatística (1927), que permitiu descrever e determinar com precisão o comportamento dos sistemas de elétrons sujeitos ao princípio da exclusão de Wolfgang Pauli, dando uma interpretação estatística da mecânica quântica.

Foi eleito membro da Academia de Ciências da Itália (1929), tornando-se seu mais jovem acadêmico. Na década seguinte, trabalhando juntamente com seus discípulos Edoardo Amaldi, Bruno Pontecorvo, Franco Rasetti e Emilio Segrè, descobriu e estudou as propriedades dos nêutrons lentos. Apresentou uma importante teoria nuclear sobre a produção das partículas beta (1934) e ganhou o Prêmio Nobel de Física (1938) pelas demonstrações da existência de novos elementos radioativos produzidos por irradiação de nêutrons e pela descoberta correlata de reações nucleares induzidas por nêutrons lentos, concluindo que nêutrons e prótons são as mesmas partículas fundamentais, em estados quânticos diferentes. Demonstrou que todo bombardeio de uma substância por nêutrons leva à ocorrência de transformações nucleares (1936) bombardeando elementos químicos pesados com nêutrons, produzindo elementos mais pesados que os existentes na natureza.

Fugindo com a família do facismo de Mussolini, emigrou (1938) para os Estados Unidos, indo trabalhar na Universidade de Chicago, onde coordenou a construção da sua pilha atômica (1942), o primeiro reator nuclear, produzindo pela primeira vez, uma reação nuclear em cadeia, que controlou por meio da absorção em blocos de carvão empilhados (a pilha atômica), um dos grandes marcos da era nuclear.

Naturalizou-se norte-americano (1944) e foi nomeado catedrático de física nuclear na Universidade Colúmbia, em Nova York (1946), onde colaborou, a convite do governo americano, no projeto Manhattan, que produziu a primeira bomba atômica. Recebeu a Medalha de Mérito do Congresso e foi eleito membro estrangeiro da Sociedade Real de Londres (1950). Foi o primeiro cientista a ser agraciado com o prêmio concebido pela Comissão de Energia Atômica dos Estados Unidos. Suas obras completas foram publicadas pela Accademia Nazionale dei Lincei e pela University of Chicago Press (1962). Em sua homenagem foram designados o férmio, elemento químico de número atômico 100, transurânico, artificial, descoberto após uma explosão nuclear no Pacífico (1952), e a partícula subatômica férmion.

sexta-feira, 15 de dezembro de 2017

Biografia - Edwin Powell Hubble

(1889 - 1953) Astrónomo americano nascido em Marsfield, Missouri, considerado por suas pesquisas pioneiro da astronomia extragaláctica, revolucionando toda a astronomia moderna. Estudou matemática e astronomia na Universidade de Chicado sob a influência de Halle. Foi para Oxford para estudar Direito, mas abandonou a advocacia (1914) e juntou-se a equipe do Observatório de Yerkes. Após a Primeira Guerra (1919) passou a integrar a equipe do Observatório de Monte Wilson (1919-1953), em Washington.

Com a descoberta de uma cefeida (1923), estrela de luminosidade variável, provou a existência de nebulosas extragalácticas. Também descobriu com ajuda de um telescópio de 100 polegadas de diâmetro, não só que havia um universo de galáxias, mas que o universo estava em expansão, ao verificar que a velocidade de uma nebulosa em relação a outra é proporcional à distância entre elas, criando a constante de Hubble (1929). Até suas descobertas supunha-se um universo estático e restrito aos limites da Via Láctea. Seu nome foi dado a um potente telescópio orbital para estudar o espaço sem as distorções causadas pela atmosfera, lançado pelos EEUU (1990). Seu principal livro foi The Realm of Nebulae (1937).

quarta-feira, 13 de dezembro de 2017

Biografia - François Auguste Victor Grignard


François Auguste Victor Grignard nasceu em Cherbourg, França, em 6 de maio de 1871. Frequentou escolas locais durante os anos de 1883 a 1887 e, em 1889, ganhou uma bolsa de estudos na École Normale Spécial de Cluny. Depois de dois anos, a escola, que intencionava formar professores para as modernas escolas secundárias, foi fechada pela disputa entre defensores dos métodos "clássicos" e "modernos" do ensino secundário. Grignard e seus colegas de classe foram transferidos para outros estabelecimentos para finalizar seus estudos, e Grignard teve a sorte de estudar na Universidade de Lyons, onde foi destacado à Faculté des Sciences. Não obteve sucesso no exame de licenciatura em matemática e, em 1892, abandonou a universidade para completar o serviço militar. Ao final do ano de 1893 foi dissuadido do serviço militar e retornou ao Luons para obter o grau de Licencié ès Sciences Mathématiques em 1894.

Em dezembro de 1894, após alguma persuasão, Grignard aceitou um cargo júnior na Faculté des Sciences, trabalhando com Louis Bouveault; foi rapidamente promovido a preparador e foi então que iniciou sua longa associação com Philippe Barbier. Obteve o grau de Licencié-ès-Sciences Physiques e, em 1898, tornou-se chefe das travaux pratiques e também escreveu seu primeiro artigo científico conjuntamente com Barbier. Em 1901 submeteu sua brilhante tese sobre compostos orgânicos de magnésio, Sur les Combinaisons Organomagnésiennes Mixtes, e foi então condecorado com o título de Docteur és Sciences de Lyons.

Foi nomeado Maítre de Conférences, na Universidade de Besançon em 1905, mas retornou a Lyons no ano seguinte, ocupando uma posição similar até ser eleito como Professor Adjunto de Química Geral em 1908. Em 1909 assumiu o Departamento de Química Orgânica de Nancy, em sucessão à Blaise Pascal que mudou-se para Paris, e no ano seguinte tornou-se Professor de Química Orgânica. No início da I Guerra Mundial foi mobilizado para seu posto militar, mas foi logo designado para estudar, em Nancy, o craqueamento de benzóis e, posteriormente, a trabalhar em problemas químicos para a Guerra em Paris. Após a Guerra, retornou a Nancy e, em 1919, sucedeu Barbier como professor de Química Geral em Lyons. Em 1912 recebeu o posto adicional de Director de l'École de Chimie Industrielle de Lyons, tornando-se um membro da Universidade de Concyl, e em 1929 tornou-se Reitor da Faculdade de Ciências.

As primeiras investigações de Grignard foram sobre o etil beta-isopropilacetobutirado e sobre os ácidos diisopropilbuteneidocarboxílicos, estereoisométricos, e estudos sobre hidrocarbonetos insaturados quelatos. Em 1899, seguindo as recomendações de Barbier, estudou os compostos de organomagnésio e sua descoberta sobre a preparação clássica de haletos de alquila com magnésio. Grignard desenvolveu aplicações diretas para estes reagentes simples e elegantes, que possuíam papel importante na síntese orgânica de tal modo que, no ano de sua morte, em 1935, havia mais de 6.000 referências a eles na literatura. Utilizou os reagentes para preparar e estudar os álcoois, cetonas, ceto-ésteres, nitrilas e terpenos mais exóticos até então desenvolvidos. Desenvolveu também um método para síntese dos fulvenos.

Grignard foi o autor de mais de 170 publicações e, no momento de sua morte, trabalhava arduamente na elaboração de uma grande referência literária sobre química em francês. Dois volumes de seu Traité de Chimie Organique (Tratado em Química Orgânica) já haviam sido publicados, e dois mais estavam prontos para impressão e trabalhos editoriais, e outros dois estavam bem adiantados; estes foram finalizados apenas por seus colaboradores.

Em 1912, Grignard foi agraciado com o Prémio Nobel de Química por suas descobertas sobre os reagentes de Grignard, dividindo este prémio com Paul Sebatier, que realizou trabalhos na hidrogenação de compostos orgânicos com a utilização de catalisadores metálicos.

Grignard casou-se com Augustine Marie Boulant em 1910 e seu o único filho, Roger, seguiu os passos académicos do pai; também tiveram uma filha. Grignard faleceu em 13 de dezembro de 1935.

segunda-feira, 11 de dezembro de 2017

Biografia - Friedrich August Kekulé

(1829 - 1896) Químico alemão nascido em Darmstadt, Hesse, que concebeu a estrutura da molécula de benzeno, em forma de anel (1865). Estudou na Universidade de Giessen, onde iniciou estudando arquitetura, mas sob a influência de Justus von Liebig, veio a se dedicar à Química. Depois de se doutorar (1852), foi estagiar em Paris com Charles Gerhardt e depois em Londres. Nomeado professor da Universidade de Heidelberg , na Alemanha (1856), lá estabeleceu que o carbono era tetravalente (1857), simultaneamente e independentemente com o escocês Archibald Scott Couper. Assumiu a cadeira de química da Universidade de Gand, na Bélgica (1858) e lá confirmou que o carbono era tetravalente e que os átomos do elemento podiam associar-se para formar longas cadeias. Um dos criadores do importante conceito de valência (1858), do latim valens = força, quando se mudou para Bonn (1865) apresentou a representação hexagonal do benzeno.

Suas descobertas foram fundamentais para a explicação das reações orgânicas e para a determinação de estruturas atômicas de uma série de moléculas orgânicas. Estas explicações trouxeram desenvolvimento tanto para a química como para a biologia e, também, para a indústria petroquímica e dos plásticos. Também desenvolveu trabalhos importantes sobre fulminato de mercúrio, ácidos insaturadose , tioácidos, ácidos orgânicos que possuem enxofre em sua estrutura. Sua mais importante publicação foi o livro Lehrbuch der organischen Chemie (1861-1887), um tratado de química orgânica em quatro volumes, além de trabalhos em revistas científicas.

sábado, 9 de dezembro de 2017

Biografia - Hermann von Helmholtz

(1821 - 1894) Físico empirista e fisiologista alemão, natural de Potsdam, célebre por ter formulado a lei matemática da conservação de energia (1847) e inventor um oftalmoscópio (1851), aparelho para examinar o fundo do olho. Estudou no Friedrich Wilhelm Medical Institute, de Berlim, onde se diplomou em medicina. Após a tese de doutorado, foi médico militar em Potsdam. Estendeu aos fenômenos biológicos a lei geral sobre conservação de energia quando apresentou na sociedade de física de Berlim, a famosa monografia Über die Erhaltung der Kraft (1847), que se tornou clássica, o consagrou definitivamente e que teve como conseqüência a aplicação das técnicas físico-químicas ao estudo dos fenômenos orgânicos. Ensinou em Bonn e depois em Heidelberg e assumiu a direção da cadeira de fisiologia da Universidade de Königsberg (1849).

Embora fascinado pelo estudo do movimento dos vórtices (considerado o criador da teoria dos turbilhões), apresentou no Berliner Monatsberichte (1868), um importante estudo sobre interfaces entre fluidos de diferentes densidades, sob o título Ueber discontinuirliche Flüssigkeitsbewgungem.

Nomeado professor de física da Universidade de Berlim (1870), onde também foi diretor do Instituto Físico-Técnico de Charlottenburg. Introduziu a análise matemática para linhas de corrente livres, movimentos de vórtices e situações similares, trabalho apresentado na Academia de Ciências de Berlim (1873). Em um estudo isolado conseguiu sons complexos por meio de diapasões acionados eletricamente, justificando o teorema de Fourier. Assumiu (1888) o cargo de presidente da Physikalisch-Technikalische Reichsanstalt (Instituto Imperial de Física Técnica), que ocupou até a morte.

Embora famoso por sua lei da conservação de energia, também desenvolveu trabalhos notáveis em fisiologia, óptica, matemática, termodinâmica, eletrodinâmica e meteorologia. Expôs a doutrina da sensibilidade cromática, a partir da teoria do físico inglês Thomas Young, e determinou a existência de três cores fundamentais: vermelho, verde e violeta.

Na acústica estudou os aspectos físicos da propagação do som, os efeitos sonoros harmônicos e suas correlações e as características fisiológicas de sua percepção pelo ouvido humano. Na eletrodinâmica determinou uma equação geral para os circuitos elétricos fechados e aplicou tal fórmula à propagação das perturbações elétricas e magnéticas através de corpos capazes de sofrer polarização dessa natureza. Também merecetam destaque suas pesquisas sobre o fenômeno da eletrólise e sobre o significado físico da lei do menor esforço.

Professor de Heinrich Hertz, deu-lhe a motivação para a elaboração da teoria das ondas eletromagnéticas. Seus mais conhecidos livros foram Handbuch der physiologischen Optik (1856-1867), Die Lehre von den Tonempfindungen als physiologische Grundlage für die Theorie der Musik (1863), Vorträge und Reden (1844) e Wissenschaftliche Abhandhungen (1882-1895.

quinta-feira, 7 de dezembro de 2017

Biografia - Galileu Galilei



Infância de Galileu


Galileu Galilei, filho mais velho de Vicenzio Galilei, nasceu a 15 de Fevereiro de 1564, na cidade de Pisa. O seu pai era um brilhante músico, que adquiriu alguma notabilidade na sociedade italiana.

Em 1581, Galileu ingressou no curso de medicina, na Universidade de Pisa. Rapidamente verificou que o seu verdadeiro interesse era a Matemática, e mudou de curso. Galileu apercebeu-se de que a Ciência só poderia progredir se fossem realizadas experiências para provar as teorias. Assim afastar-se-iam do modelo de pensamento de Aristóteles, que apenas utilizava a lógica para chegar a conclusões.

Estudo do Pêndulo

Como fervoroso católico, Galileu assistia à missa na catedral de Pisa todos os domingos. Durante um sermão particularmente longo, reparou que, devido à corrente de ar, uma lamparina baloiçava. Este fenómeno despertou-o para o estudo do pêndulo, levando-o a concluir que, independentemente da distância percorrida pelo pêndulo, o tempo para completar o movimento é sempre o mesmo. Galileu não tinha nenhum cronómetro ou relógio que lhe permitisse medir o tempo das suas experiências, por isso controlou o tempo com as suas pulsações.

O estudo do pêndulo levou-o a concluir que a duração do movimento pendular não é afectada pelo peso do corpo suspenso, mas sim pelo tamanho do cordel que o suspende. Baseado nestas conclusões, Galileu desenvolveu o relógio de pêndulo, o mais preciso na época.

"De Motu"

Em 1589, Galileu regressou à Universidade de Pisa, quatro anos após a ter abandonado sem título. Como professor de Matemática, teve a oportunidade de desenvolver as suas ideias anti-aristotélicas, que culminaram com o livro de "De motu" (Sobre o movimento). O livro não foi publicado, pois Galileu apercebeu-se que a sua teoria sobre os objectos em queda livre não se apoiava em factos experimentais. Decidiu provar, então, que dois objectos de peso diferente caíam a velocidades iguais, ao contrário do que se pensava na época.

Numa manha de 1591, Galileu subiu ao cimo da torre de Pisa, com duas balas de canhão de pesos diferentes. Deixou-as cair a 150 metros do solo, onde se encontravam alguns colegas incrédulos. De facto, os dois projécteis chegaram ao solo quase ao mesmo tempo.

Plano Inclinado

Quando o contracto com a Universidade de Pisa terminou, Galileu mudou-se para Pádua. Aqui continuou a leccionar Matemática durante 18 anos, foram os anos mais felizes da sua vida, durante os quais realizou o maior número de descobertas.

Durante a sua estadia conheceu Marina Gamba, com quem teve uma relação, da qual nasceram três filhos. Nunca se casaram e Marina continuou em Pádua, quando Galileu se mudou para Florença. Com a experiência da torre de Pisa, Galileu não conseguiu compreender como os corpos caíam, ou se a velocidade se alterava durante a queda. Para as suas pesquisas utilizou planos inclinados - como a esfera levava mais tempo a terminar o percurso, poderia medir mais facilmente o tempo. Galileu utilizava um curioso instrumento de medição do tempo, que consistia num barril de água com um furo na base, o que permitia o esvaziamento gradual do conteúdo. Com estas experiências, Galileu chegou à conclusão que a velocidade média pode ser calculada, dividindo a "distância percorrida" pelo "tempo do percurso". Estas conclusões permitiram um grande desenvolvimento da balística.

Telescópio

Galileu fez o seu primeiro telescópio em 1609, a partir de outros modelos que ampliavam três vezes os objectos. O seu primeiro telescópio ampliava nove vezes, e no final desse ano construiu um que ampliava 20 vezes. Este telescópio permitiu-lhe observar a Lua, e discordar mais uma vez com as teorias de Aristóteles. Segundo este, a Lua era uma esfera perfeita e pura. Mas, Galileu descobriu que a Lua tinha crateras, fendas e altíssimas montanhas.

No princípio do ano de 1610, Galileu iniciou a observação de outros planetas, entre eles Júpiter. Descobriu os seus satélites, e chegou à conclusão que as luas gravitavam à volta de Jupiter, da mesma forma que a Lua gravitava à volta da Terra.

O estudo das fases de Vénus e da Lua veio provar que estes planetas giravam à volta do Sol, tal como Copérnico defendera. Devido a esta posição, Galileu foi chamado a Roma a um representante do Papa, onde foi obrigado a retirar o seu apoio a Copérnico.

A Inquisição


Em 1618, três cometas surgiram no firmamento e Galileu descreveu este fenómeno no livro "O Ensaiador". Esta obra explica a trajectória visível dos cometas a partir da teoria de Copérnico. Como consequência, o Papa Urbano VIII obrigou Galileu a escrever um outro livro, onde deveria apresentar os argumentos da teoria de Aristóteles e de Copérnico; mas a conclusão deveria ser que Aristóteles tinha a razão. Nove anos mais tarde, Galileu acabou o seu livro "Diálogo sobre dois sistemas capitais do Mundo". O livro provocou tal perturbação, que Galileu foi julgado por heresia. Os seus fiéis amigos convenceram o Papa a converter a sentença de morte em prisão perpétua. Galileu ficou sob prisão domiciliária e os seus livros foram proibidos. Inicialmente esta situação deixou Galileu deprimido e chegou mesmo a estar gravemente doente. Mas recuperou, e nos seus últimos anos fez importantes descobertas no campo da Mecânica.

A sua última obra - "Duas novas ciências" - lançou os alicerces para as descobertas de Isaac Newton. A obra foi publicada apenas na Holanda, país suficientemente afastado da influência da Igreja.

Galileu contraiu uma infecção na vista, que o cegou progressivamente. Mesmo assim, trabalhou até ao final da vida com a ajuda de assistentes. Morreu a 8 de Janeiro de 1642, durante o sono.

Glória Almeida

terça-feira, 5 de dezembro de 2017

Biografia - Johan Heinrich Lambert


(1728 - 1777) Filósofo, astrónomo, matemático e físico alemão nascido em Mulhouse, Alsácia, introdutor da trigonometria esférica (1770), revolucionadora da cartografia.


Autor de muitos temas matemáticos e não-matemáticos, que estudou com Euler na Academia de Berlim. Escreveu Die theorie der Parallellinien (1766), publicado postumamente (1786), onde apareceu o hoje conhecido como quadrilátero de Lambert. Lambert: unidade de medida de luminância, igual a 104/p candelas por metro quadrado.

domingo, 3 de dezembro de 2017

Biografia - Gabriel Daniel Fahrenheit


(1686-1736) - Físico Polonês. Nascido na cidade de Danzig (que era alemã, mas atualmente fica na Polônia e se chama Gdansk), Gabriel Daniel Fahrenheit ainda jovem, mudou-se para a Holanda, onde se tornou fabricante de instrumentos meteorológicos.

Fahrenheit criou, em 1714, o primeiro termômetro de mercúrio. Até então, utilizava-se o álcool que, por ter ponto de ebulição bastante alto, não permitia medir temperaturas muito elevadas. Utilizando-se uma mistura de álcool e água, superava-se em parte esse problema, mas a dilatação desse material não era muito uniforme, impedindo que a escala pudesse conter subdivisões muito pequenas. O mercúrio evitava todos esses problemas.

Mais de uma década antes, Newton havia surgerido que se utilizassem duas temperaturas de referência para a construção de uma escala termométrica: a do corpo humano e a da solidificação da água. Propôs ainda que o intervalo da escala situado entre esses dois pontos fosse subdividido em doze unidades.

A parti dessa idéia, Fahrenheit acrescentou sal à água, para obter um ponto de solidificação mais baixo, ao qual atribuiu o valor zero. A seguir, deu à temperatura do organismo o valor 96. Depois, preferiu adaptar esses dois pontos ligeiramente, de modo a obter o valor exato 32 para a solidificação da água pura. (A escala resultante, que tem o nome de seu inventor, pareceu bastante conveniente a seus contemporâneos, a ponto de ser hoje utilizada, no dia-a-dia, em países de língua inglesa.)

As pesquisas de Fahrenheit com termômetros lhe permitiram confirmar que cada líquido apresentava um ponto de ebulição fixo. Também constatou que o ponto de ebulição variava com a pressão.

Em 1724, Fahrenheit foi eleito, pelo sucesso de seus trabalhos, membro da Royal Society.

sexta-feira, 1 de dezembro de 2017

Biografia - Galileu Galilei

Físico, matemático e astrónomo Italiano, Galileu Galilei (1564-1642) descobriu a lei dos corpos e enunciou o princípio da Inércia. Por pouco Galileo não seguiu a carreira artística. Um de seus primeiros mestres, d. Orazio Morandi, tentou estimulá-lo a partir da coincidência de datas com Michelângelo (que havia morrido três dias depois de seu nascimento). Seu pai queria que fosse médico, então desembarcou no porto de Pisa para seguir essa profissão. Mas era um péssimo aluno e só pensava em fazer experiências físicas (que, na época, era considerada uma ciência de sonhadores). Aristóteles era o único que havia descoberto algo sobre a Física, ninguém o contestava, até surgir Galileu. Foi nessa época que descobriu como fazer a balança hidrostática, que originaria o relógio de pêndulo. A partir de um folheto construiu a primeira luneta astronômica em Veneza. Fez observações da Via Láctea a partir de 1610 que o levaram a adotar o sistema de Copérnico.

Pressionado pela Igreja, foi para Florença, aonde concluiu com seus estudos que o Centro Planetário era o Sol e não a Terra, essa girava ao redor dele como todos os planetas. Foi condenado pela inquisição e teve que negar tudo no tribunal. Colocou em discussão muitas idéias do filósofo grego Aristóteles, entre elas o fato de que os corpos pesados caem mais rápido que os leves, com a famosa história de que havia subido na torre de Pisa e lançado dois objetos do alto. Essa história nunca foi confirmada, mas Galileu provou que objetos leves e pesados caem com a mesma velocidade. Ao sair do tribunal, disse uma frase célebre: "Epur si Muove!", traduzindo, " e com tudo ela se move ".

Morreu cego e condenado pela igreja, longe do convívio público. Trezentos e quarenta e um anos após a sua morte, em 1983, a mesma igreja, revendo o processo, decidiu por sua absolvição.

Principais Realizações: A Luneta Astronômica, com a qual descobriu, entre outras coisas, as montanhas da Lua, os satélites de Júpiter, as manchas solares, e, principalmente, os planetas ainda não conhecidos. A balança hidrostática. O compasso geométrico e militar. Foi o primeiro a contestar as idéias de Aristóteles Descobriu que a massa não influi na velocidade da queda.

quarta-feira, 29 de novembro de 2017

Biografia - Germain Ivanovitch Hess

(1802 - 1850) Cientista russo nascido em Genebra, Suíça, autor do princípio mais importante da termoquímica, a lei que permitiu determinar as trocas de energia entre os diferentes componentes de uma reação química, o princípio de Hess (1840), também conhecido como princípio dos estados inicial e final.

Exerceu a medicina até se tornar professor de química da Universidade de São Petersburgo (1830), onde permaneceu até morrer. Realizou suas principais pesquisas nas jazidas de minerais e gás natural da região de Baku, às margens do mar Cáspio. Descobriu que a oxidação dos açúcares produzia ácido sacárico e publicou um livro texto de química (1834) adotado durante muitos anos nas escolas e universidades russas.

Ficou conhecido por enunciar o princípio segundo o qual, em um intercâmbio químico entre diferentes compostos, não existe perda de energia e sim a absorção do calor perdido por um dos componentes pelos demais. Este enunciado permite calcular os calores de formação de substâncias que não podem ser obtidas, experimentalmente, por síntese directa.

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segunda-feira, 27 de novembro de 2017

Biografia - Gustav Ludwig Hertz

(1887 - 1975) Físico alemão nascido em Hamburgo, sobrinho de Heinrich Hertz, pesquisador em física atômica. Pesquisador e professor de física da Universidade de Berlim (1913-1925), da fábrica de lâmpadas incandescentes da Philips e da Companhia Siemens. Foi também professor e administrador nas universidades de Halle, Tecnológica de Charlottenburg e Karl Marx.

Ganhou o Prémio Nobel de Física (1925), juntamente com James Franck, da Universidade de Göettingen, pelas descobertas das leis que descrevem o impacto entre elétrons e átomos.Trabalhou na União Soviética (1945-1954), e na Alemanha Oriental, como director da Universidade Karl Marx, Leipzig (1954-1961).

sábado, 25 de novembro de 2017

Biografia - Georg Simon Ohm

(1787 - 1854) Físico, químico, e professor alemão, nascido em Erlangen, descobridor dos fundamentos da eletrocinética, que estuda as correntes elétricas em movimento. Filho de um próspero serralheiro e admirador da matemática e também pesquisador em acústica. Formado em física pela Universidade de Erlangen (1813) tornou-se professor em Bamberg, ensinou física e matemática em Colônia (1817) e na Escola de Guerra de Berlim (1826). Logo se revelou um hábil pesquisador desenvolvendo experiências com instrumentos que ele mesmo fabricava. Depois de estudar na Universidade de Erlangen, passou a ensinar matemática no Colégio Jesuíta de Colônia. Experimentou (1820-1827) e descobriu as leis que regem a condução de energia elétrica, os materiais condutores, semicondutores e as resistências, relacionando potencial, resistência e corrente elétrica, publicadas em Die galvanische Kette mathematisch bearbeitet (1827), demonstrando que, num circuito, a corrente é diretamente proporcional à força eletromotriz total do circuito e inversamente proporcional à sua resistência total: I=E/R ou E=RI e a perda V=RI, a lei de Ohm.

Comprovou o fenômeno da polarização das pilhas (1830) e passou a ser professor de física da Escola Politécnica de Nuremberg (1833). Ganhou uma medalha Copley da Royal Society de Londres (1841) pelo seu trabalho, na qual foi membro estrangeiro. Assumiu a cadeira de física experimental da Universidade de Munique (1849), onde ficou até sua morte. Estudou a interferência dos raios luminosos polarizados nas lâminas cristalinas (1852). O seu nome ficou associado a unidade de resistência.

quinta-feira, 23 de novembro de 2017

Biografia - Isaac Newton

A vida de Newton pode ser dividida em três períodos. O primeiro sua juventude de 1643 até sua graduação em 1669. O segundo, de 1669 a 1687, foi o período altamente produtivo em que ele era professor Lucasiano em Cambridge. O terceiro período viu Newton como um funcionário do governo bem pago em Londres, com pouco interesse pela matemática, mas atuante como presidente da Sociedade Real.

Isaac Newton nasceu em 4 de janeiro de 1643 (ano da morte de Galileu) em Woolsthorpe, Lincolnshire, Inglaterra. Embora tenha nascido no dia de Natal de 1642, a data dada aqui é no calendário Gregoriano, que adotamos hoje, mas que só foi adotada na Inglaterra em 1752. Newton veio de uma família de agricultores, mas seu pai morreu antes de seu nascimento. Ele foi criado por sua avó. Um tio o enviou para o Trinity College, Cambridge, em Junho de 1661.

O objetivo inicial de Newton em Cambridge era o direito. Em Cambridge, estudou a filosofia de Aristóteles (384aC-322ac), Descartes (René Descartes, 1596-1650), Gassendi (Pierre Gassendi, 1592-1655), e Boyle (Robert Boyle, 1627-1691), a nova álgebra e geometria analítica de Viète (François Viète, 1540-1603), Descartes, e Wallis (John Wallis, 1616-1703); a mecânica da astronomia de Copérnico e Galileu, e a óptica de Kepler o atraíram. O talento de Newton emergiu com a chegada de Isaac Barrow (1630-1677), para a cadeira Lucasiana de matemática em Cambridge.

Seu gênio científico despertou quando uma epidemia de peste (a peste negra, varíola, hoje erradicada) fechou a Universidade no verão de 1665, e ele retornou a Lincolnshire. Só em Londres, a peste vitimou mais 70.000 pessoas. Lá, em um período de menos de dois anos, Newton que ainda não tinha completado 25 anos, iniciou a revolução da matemática, óptica, física e astronomia.

Durante sua estada em casa, lançou a base do cálculo diferencial e integral, muitos anos antes de sua descoberta independente por Leibniz (Gottfried Wilhelm von Leibniz, 1646-1716). O "método dos fluxions", como ele o chamava, estava baseado na descoberta crucial de que a integração de uma função é meramente o procedimento inverso da diferenciação. Seu livro De Methodis Serierum et Fluxionum foi escrito em 1671, mas só foi publicado quando John Colson o traduziu para o inglês em 1736.

Com a saída de Barrow da cadeira Lucasiana em 1669, Newton, com apenas 27 anos, foi nomeado para sua posição, por indicação do anterior, por seus trabalhos em cálculo integral, onde Newton havia feito progresso em um método geral de calcular a área delimitada por uma curva.

O primeiro trabalho de Newton como professor Lucasiano foi em óptica. Ele havia concluído durante os dois anos de peste que a luz branca não é um entidade simples, como acreditavam todos desde Aristóteles. Embora o fato de que a luz solar produzisse várias cores ao passar por um prisma fosse conhecido, Giambattista della Porta, em seu De Refracione, publicado em Nápoles em 1558, usava a concepção de Aristóteles para dizer que as cores apareciam por modificação da luz. A aberração cromática (anéis coloridos em volta da imagem) de uma lente de telescópio convenceu Newton do contrário. Quando ele passava um feixe de luz solar por um prisma de vidro, um espectro de cores se formava, mas ao passar a luz azul por um segundo prisma, sua cor não mudava.

Newton argumentou que a luz branca era na verdade uma mistura de diferentes tipos de raios que eram refratados em ângulos ligeiramente diferentes, e que cada tipo de raio diferente produz uma cor espectral diferente. Newton concluiu, erroneamente, que telescópios usando lentes refratoras sofreriam sempre de aberração cromática. Ele então propôs e construiu um telescópio refletor, com 15 cm de comprimento.

Newton colocou um espelho plano no tubo, a 45°, refletindo a imagem para uma ocular colocada no lado. O telescópio de Newton gerava imagens nove vezes maior do que um refrator quatro vezes mais longo. Os espelhos esféricos construídos naquela época produziam imagens imperfeitas, com aberração esférica.

Newton foi eleito membro da Sociedade Real em 1672, após doar um telescópio refletor. Ainda em 1672, Newton publicou seu primeiro trabalho científico sobre luz e cor, no Philosophical Transactions of the Royal Society . Seu livro, Opticks, só foi publicado em 1704, tratando da teoria da luz e cor e com (i) investigações da cor em folhas finas (ii) anéis de interferência de Newton e (iii) difração da luz.

Seu trabalho mais importante foi em mecânica celeste, que culminou com a Teoria da Gravitação Universal. Em 1666 Newton tinha versões preliminares de suas três leis do movimento. Ele descobriu a lei da força centrípeta sobre um corpo em órbita circular.

O cometa brilhante que apareceu em 1664 foi observado por Adrien Auzout no Observatoire de Paris, Christian Huygens (1629-1695) na Holanda, Johannes Hevelius em Danzig, e Robert Hooke na Inglaterra. Qual seria sua órbita? Tycho Brahe tinha suporto circular, Kepler dizia que era em linha reta, com a curvatura devido à órbita da Terra, mas as observações indicavam que a órbita fosse intrinsecamente curva, e Johannes Hevelius propôs que fosse elíptica. Em 1665 o francês Pierre Petit, em sua Dissertação sobre a Natureza dos Cometas, propôs pela primeira vez que suas órbitas fossem fechadas, e que os cometas de 1618 e 1664 poderiam ser o mesmo cometa. Vinte anos mais tarde Halley especulou sobre o problema da gravitação em relação aos cometas. Sem conseguir resolver o problema, em agosto de 1684 ele propôs o problema a Newton. Newton disse que já havia resolvido o problema muitos anos antes, e que todos os movimentos no sistema solar poderiam ser explicados pela lei da gravitação. Um cometa na constelação de Virgem em 1680 tinha uma órbita claramente curva. Em 1682 um cometa ainda mais brilhante, que mais tarde levaria o nome de Halley, teve sua órbita bem determinada por Halley, usando a teoria de Newton.

A idéia genial de Newton em 1666 foi imaginar que a atração gravitacional da Terra era contrabalançada pela força centrípeta da Lua. Com sua lei para a força centrípeta e a terceira Lei de Kepler, Newton deduziu a lei da atração gravitacional. Em 1679 Newton provou que a Lei das Áreas de Kepler é uma conseqüência da força centrípeta, e também que a órbita é uma elipse, para um corpo sob uma força central em que a dependência radial varia com o inverso do quadrado da distância ao centro.

Halley persuadiu Newton a escrever um trabalho completo sobre sua nova física e sua aplicação à astronomia, e em menos de 2 anos Newton tinha escrito os dois primeiros volumes do Principia, com suas leis gerais, mas também com aplicações a colisões, o pêndulo, projéteis, fricção do ar, hidrostática e propagação de ondas. Somente depois, no terceiro volume, Newton aplicou suas leis ao movimento dos corpos celestes. Em 1687 é publicado o Philosophiae naturalis principia mathematica ou simplesmente Principia, como é conhecido.

O Principia é reconhecido como o livro científico mais importante já escrito. Newton analisou o movimento dos corpos em meios resistentes e não resistentes sob a ação de forças centrípetas. Os resultados eram aplicados a corpos em órbita, e queda-livre perto da Terra. Ele também demonstra que os planetas são atraídos pelo Sol pela Lei da Gravitação Universal, e generalizou que todos os corpos celestes atraem-se mutuamente.

Newton explicou uma ampla gama de fenônemos até então não correlatos: a órbita excêntrica dos cometas; as marés e suas variações; a precessão do eixo da Terra e o movimento da Lua perturbado pela gravidade do Sol.

Newton já explicava que o movimento de três corpos sob uma força central só pode ser resolvido por aproximação, que a Lei da Gravitação Universal trata os corpos como pontos, e que os planetas não são pontos, nem ao menos esféricos, que o movimento das marés introduz perturbações no cálculo das órbitas, as quais precisam ser calculadas por aproximações. Depois de sofrer um colapso nervoso em 1693, Newton abandonou a pesquisa para uma posição no governo em Londres, tornando-se Guardião da Casa da Moeda Real (1696) e Mestre (1699).

Em 1703 foi eleito presidente da Sociedade real, e foi re-eleito a cada ano até sua morte. Foi agraciado com o título de cavalheiro (Sir) em 1708 pela Rainha Anne, o primeiro cientista a receber esta honra.

Morreu em 31 de março de 1727 em Londres, Inglaterra.

terça-feira, 21 de novembro de 2017

Biografia - Louis Pasteur


O pai de um dos alunos de Louis Pasteur na Universidade de Lille, Monsieur Bigo, era um produtor de álcool de beterraba e debatia-se com um problema: o processo de fermentação da beterraba, por vezes, não corria bem e o sumo não se transformava em álcool, azedando. Isto provocava uma grave quebra na produção de álcool.
Embora não possuísse muitos conhecimentos sobre fermentação, decidiu estudar amostras do líquido em boas condições e do líquido azedo. Após a observação da primeira amostra, verificou existirem minúsculos glóbulos amarelados que ele suspeitou serem leveduras. Á medida que as leveduras se multiplicavam, alimentavam-se do sumo de beterraba, produzindo álcool e dióxido de carbono. Na amostra de líquido azedo verificou não existirem leveduras, apenas minúsculos bastonetes negros que se agitavam numa espécie de dança. Compreendeu, então, todo o processo: os bastonetes dominavam as leveduras, impedindo-as de produzir álcool – em vez disso, produziam ácido láctico.
Pasteur não compreendia ainda todo o processo, mas tinha acabado de dar o primeiro passo para a resolução de um mistério com mais de dez mil anos: as leveduras eram a causa da fermentação!

Os primeiros Anos...


Louis Pasteur nasceu a 27 de Dezembro de 1822 em Dole, França, na Rue des Tanneurs – a rua dos curtidores. Cada casa era uma fábrica de curtidores, e a casa de Pasteur não era excepção. Quando tinha pouco mais de três anos, a sua família mudou-se para a cidade de Arbois, onde montou uma fábrica de curtumes. Durante a sua infância, não mostrou qualquer especial interesse pela Ciência; os seus talentos pareciam concentrar-se especialmente no Desenho e na Pintura. Gostava particularmente de brincar com as 3 irmãs e pescar horas a fio...

Mas Pasteur tinha a grande ambição de ir para Paris, estudar na École Normale Supérieure e tornar-se professor. Esta experiência durou apenas 6 semanas, pois os laços que o ligavam à família eram demasiado fortes. Porém, alguns anos mais tarde, determinado a atingir o seu objectivo, regressou a Paris. Desta vez, Pasteur formou-se em Química e Física, em finais de 1843.

Estudo dos cristais

O que realmente encantou Pasteur foram os cristais; na sua época, sabia-se muito sobre o aspecto dos cristais, mas pouco sobre a sua constituição. Pasteur verificou que os cristais provocavam deflexões a feixes luminosos. Iniciou, então, um estudo meticuloso sobre dois compostos que actuam na formação de cristais: o ácido tartárico e os tartaratos. Chegou à conclusão que a estrutura e constituição de um cristal podiam ser conhecidas observando a acção do cristal sobre o feixe luminoso.

Em finais de 1848 aceitou o cargo de Professor de Química na Universidade de Estrasburgo. Aqui, conheceu Marie Laurent, filha do reitor da Universidade, por quem se apaixonou e pediu em casamento 15 dias depois de a conhecer. Esta aceitou a total absorção do seu marido pelo seu trabalho e dedicou a sua vida a apoiá-lo. Ela não era apenas uma simples dona de casa; também discutia o trabalho dele e estimulava o seu pensamento, o que a fez um dos seus melhores colaboradores científicos. Durante a estadia em Estrasburgo, nasceram 3 dos seus 5 filhos.

O interesse pelo estudo dos microrganismos

Em Setembro de 1854, Pasteur aceitou o cargo de Professor de Química na Universidade de Lille; apesar de ser muito jovem, levava o ensino a séio e por isso foi um êxito entre os alunos. Foi aqui que conheceu o Monsieur Bigo e que iniciaram as suas investigações sobre as leveduras. Mas, após a observação dos bastonetes negros no líquido azedo, surgiu outro problema a Pasteur: a observação dos mesmos tornava-se muito difícil, quando misturados na polpa de beterraba. Assim, desenvolveu um meio de cultura onde estes pudessem crescer e ser visualizados nitidamente. Em 1857, num relatório apresentado à Academia das Ciências de Paris, explicava como a fermentação era um processo vivo. Esse relatório provocou muita excitação na comunidade científica, destruindo outras teorias de cientistas de renome.

O trabalho de Pasteur sobre a fermentação continuou. Demonstrou que as leveduras causam a fermentação em muitas substâncias. Desenvolveu igualmente uma forma de evitar que o vinho, o vinagre e a cerveja se estragassem, destruindo pelo calor os micróbios nocivos – a Pasteurização.

A teoria dos germes

Nos finais de 1857, Pasteur foi convidado para Administrador e Director dos Estudos Científicos da École Normale Supérieure. Aqui, idealizou uma experiência para provar a teoria de que não existia geração espontânea entre os microrganismos. Encheu 2 grupos de balões de vidro com um caldo de levedura e selou as bocas dos mesmos. Num dos grupos, abriu as pontas dos balões, deixou entrar ar, e selou-os novamente. Colocou ambos os grupos de balões numa estufa. Os resultados foram bem esclarecedores. Nos frascos que manteve sempre selados, nada aparecera. Nos restantes, apareceram leveduras e outros fungos. Para demonstrar melhor a sua teoria, criou um balão, ajudado pelo Professor Balard, com um gargalo em forma de 'S' alongado, para baixo. O ar poderia passar, mas as poeiras seriam impelidas para baixo pela força da gravidade, não conseguindo atravessar as curvas. Ou seja, o ar entrava nos balões, mas a poeira e os micróbios ficavam presos no comprido gargalo curvo, mantendo os balões puros. Ainda hoje, mais de um século depois, os balões mantêm-se puros.

Continuando as investigações, provou que a quantidade de poeiras no ar varia com o local. Como exemplo, demonstrou existirem mais poeiras numa rua de Paris do que no cume de uma montanha!

Após a publicação deste trabalho, Joseph Lister, professor de cirurgia em Edimburgo, utilizou as ideias de Pasteur para controlar as infecções nos hospitais. A taxa de mortalidade pós-operatória era muito elevada e depois de implementadas regras de higiene e de desinfecção do material esta taxa baixou consideravelmente.

Infortúnio

No dia 19 de Outubro de 1868, quando Louis Pasteur acordou, não conseguia falar, nem sequer mexer-se, todo o seu lado esquerdo estava paralisado... Conseguiu recuperar a fala numa semana, mas o braço e a perna esquerda continuavam ainda paralisados; no entanto, tal não o impediu de continuar o seu trabalho! Contudo, não foi mais capaz de manejar sozinho os instrumentos científicos, obrigando-o a apoiar-se nos seus colaboradores.

A Imunologia e a Vacinação

Pasteur afirmara inúmeras vezes que algumas doenças eram provocadas por micróbios – Robert Koch provou-o, através do estudo do carbúnculo. Pasteur imaginou a doença como uma forma de luta pela existência, uma competição entre os micróbios e os tecidos que aqueles tentam atacar, desenvolvendo-se uma doença, o que levava o corpo a criar defesas. Foram, assim, dados os primeiros passos para o nascimento de uma nova Ciência – a Imunologia.

Em 1878, Pasteur começou a estudar o micróbio que causava a cólera nos galináceos. Fez uma cultura de micróbios e após a sua inoculação, verificou que os frangos morriam pouco tempo depois. Mas uma inoculação com uma cultura mais antiga provocou uma ligeira doença no frango, que depressa recuperou. Entusiasmado, Pasteur inoculou mais frangos com a cultura antiga e nenhum adoeceu. Concluiu, então, que os micróbios enfraquecidos da própria doença originavam o desenvolvimento de defesas nos frangos, a ponto de poderem combater a doença – chamou a este processo Vacinação.

Em 1885, Pasteur dedicou-se a criar uma vacina contra a raiva. Era uma doença terrível: a vitima ou morria de asfixia ou ficava paralítica. Conseguiu criar a vacina, testou-a em cães e teve resultados espantosos; mas não teve coragem de a testar em humanos mordidos por cães raivosos.

Nesse mesmo ano, Joseph Meister, de nove anos, apareceu no laboratório de Pasteur, por ter sido mordido, dois dias antes, por um cão raivoso. A vacina ainda não estava pronta para ser testada em humanos, mas perante a gravidade do caso, decidiu correr o risco. Os resultados foram óptimos – Joseph nunca desenvolveu raiva.


Os últimos anos...

Pasteur trabalhou até quase aos setenta anos. Aos 64, um outro ataque de paralisia impediu-o de continuar o trabalho experimental, mas nada o impedia de colaborar em investigações. Em Novembro de 1888, o Instituto Pasteur foi oficialmente inaugurado. Morreu em 28 de Setembro de 1895, aos 72 anos, rodeado pela família, colegas e estudantes.

Glória Almeida

domingo, 19 de novembro de 2017

Biografia - Leonardo da Vinci


Um génio fora de tempo

Quando era bem novo, ofereceram-me um livro da série "Pateta faz história", interpretando Leonardo da Vinci. A partir de então fiquei fascinado com o intelecto e criatividade dele. É difícil imaginar que um só homem tenha a capacidade de abraçar tantos e variados campos temáticos da Ciência e Arte: engenheiro, pintor, biólogo, escultor, astrónomo, filósofo e muitos mais! Pelas palavras do seu biógrafo, Giorgio Vasari, "o seu talento era tão raro que ele dominava qualquer tema ao qual dirigisse a sua atenção"!
Infelizmente, este grande génio "sofria" de um problema comum àqueles que se difundem por demasiados campos: muitas vezes deixava os trabalhos e estudos incompletos, era extremamente desorganizado e... com falta de tempo para amores - que se saiba!! Além disso, tinha o terrível hábito de escrever da direita para a esquerda (!!!), o que tornava os seus escritos praticamente ilegíveis. (No Museu de Ciência de Boston na escolha Exploring Leonardo podes, inclusivé, escrever desta maneira!) Esses "escritos" são os famosos códices - ainda te deves lembrar de Bill Gates ter comprado um, o Códice de Leicester (lê-se: "léstar") (versão CD-Rom) - simples "blocos de notas" que Leonardo utilizava para apontar, desordenadamente, todas as suas observações, expressões e excelentes deduções. Eis um exemplo retirado desse Códice, acerca de uma besta gigante:


Um pouco da história da sua vida...
Leonardo da Vinci nasceu a 15 de Abril de 1452, na cidade de Vinci, perto de Florença; filho ilegítimo de Ser Piero, notário, e Caterina, uma jovem aldeã. (Em Vinci existe um museu virtual sobre Leonardo e a sua cidade - cuidado com a lentidão da página!) Aos 15 anos, foi estudar com Andrea del Verrochio, um pintor de renome renascentista. A partir deste momento, Leonardo adquire uma variedade de conhecimentos que o influenciaram ao longo da sua vida. Após alguns anos de aprendizagem, Leonardo passou a viajar bastante, estando longos períodos ao serviço de mecenas, para os quais criava grandes obras de Arte e Engenharia. Desta maneira, teve a oportunidade de desenvolver os seus conhecimentos artísticos e científicos, como por exemplo, a criação de novas tintas, e novas técnicas de pintura, ou o estudo de vários domínios da Engenharia.
Leonardo da Vinci faleceu a 2 de Maio de 1519, no castelo de Cloux, perto de Amboise, França, deixando a maior parte dos seus trabalhos ao seu último mecenas - Melzi. (Martin Kausal)
Obra Artística
Embora Leonardo da Vinci tenha produzido um pequeno número de pinturas, muitas das quais inacabadas, foi um artista extraordinariamente inovador. Desde cedo superou o seu próprio mestre del Verrochio, desenvolvendo uma composição mais harmoniosa que o primeiro. Já na obraBaptismo de Cristo de Verrochio (cerca de 1470), Leonardo pintou o anjo que se encontra à esquerda, no quadro. Aparentemente, Verrochio ficou tão aborrecido por ser ultrapassado artisticamente pelo seu pupilo, que decidiu nunca mais pintar!!
Mas de todas as obras de Leonardo, a mais famosa é, sem dúvida, Mona Lisa (1503). Esta obra é conhecida tanto pelo domínio de inovações técnicas como pelo misterioso e legendário sorriso. Este quadro é exemplo de duas novas técnicas - o esfumado e o claro-escuro - introduzidas por Leonardo. (O esfumado é caracterizado por uma transição subtil entre cores; o claro-escuro é a técnica de definir formas através de contrastes de luz e sombra - poderás encontrar uma análise mais profunda no WebMuseum, Paris) Leonardo gostou tanto do quadro, que o levava sempre consigo nas suas viagens! Em Why is Mona Lisa Smiling? tentam mostar que esta adoração ao quadro se justificava por ser um auto-retrato! Se te quiseres divertir um pouco, podes ver as variações sobre esta obra neste Show de Arte! Atenção: Os mais puristas irão ficar bem revoltados!!
Obra Científica
Claro que a face científica é o que eu mais admiro em Leonardo da Vinci! Como cientista, superou todos os seus contemporâneos. Ele percebeu, rapidamente, a importância da observação científica, precisa e cuidada, que passou a influenciar todos os seus trabalhos e estudos, inclusivé os artísticos. Infelizmente, como os seus códices não eram facilmente decifráveis, as suas descobertas não foram disseminadas durante a sua vida; se tal acontecesse, poderiam ter revolucionado a ciência do século XVI - ou, pelo contrário, poderiam ser reprimidas, como tantas outras antes dele!
Mas, Leonardo realmente antecipou muitas descobertas dos tempos modernos. Entre várias outras, estudou o movimento das águas e a criação dos fósseis... Foi um dos pioneiros na hidráulica e na aerodinâmica... Realizou um vasto número de inventos geniais, como fatos de mergulho, armas militares, etc. Para ver tudo isto, é obrigatório investigar o site de Maravilhas Mecânicas e admira-te com as imagens tipo 3D dos seus inventos.
Achas que ainda não conheces bem todos os seus desenhos e obras?! Então escolhe um destes sites: aqui tens alguns desenhos; mas, se preferires toneladas e toneladas, em todos os tamanhos...